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HQs e super-heróis | Confira o que de melhor rolou na Marvel e DC em outubro

Claudio Yuge
·19 minuto de leitura

Olá pessoal, estamos de volta com a coluna mensal de quadrinhos de toda primeira quarta-feira. Aqui você encontra tudo o que aconteceu de mais importante nos lançamentos das duas maiores editoras de super-heróis dos Estados Unidos, a Marvel Comics e a DC Comics, durante os últimos 30 dias. Abaixo está o apanhado dos destaques que chegaram ao mercado estadunidense em outubro.

Vale lembrar que, a cada semana, o mercado gringo recebe muitas edições, então, as “escolhidas” abaixo contam com um resumo rápido e alguns comentários. Várias dessas novidades chegarão ao Brasil muito em breve; e o objetivo aqui é também chamar atenção para coisas que têm grandes chances de influenciar as adaptações para TV e cinema. Você sempre pode acompanhar os lançamentos lá fora por meio do site Comic List.

Então, vamos lá, lembrando que este conteúdo traz uma boa dose de spoilers! Fique avisado.

DC Comics

Quando os heróis surgiram na Era de Ouro dos quadrinhos, as aventuras eram muito menos realistas e cruas do que hoje em dia. E uma das estratégias usadas na época para atrair crianças com gibis baratos era oferecer personagens mirins, os famosos sidekicks. Mas, ao longo dos anos, essa ideia envelheceu mal, principalmente para o Batman que tem o mais famoso parceiro juvenil de todos os tempos: o Robin e suas variantes, seja a Batgirl ou outros Garotos Prodígios.

E daí, depois dos anos 1980, quando autores passaram a explorar o lado mais sombrio dos heróis, as perguntas do passado soavam mais alto: “quem é louco o suficiente para colocar crianças e adolescentes para combater o crime?” e “por que o Batman fica remoendo há tanto tempo a morte dos pais?”. Quando Batman: Three Jokers foi lançado, todo mundo pensava que Geoff Johns iria revelar algum grande mistério do Universo DC.

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics

E, na verdade, ele queria responder às perguntas acima. Resumindo o anticlímax: ficamos sabendo que há três Coringas: o Criminoso, que é estrategista e seu visual lembra mais o vilão das antigas; o Comediante, caótico e mais presente em todas as publicações, com o comportamento baseado em Batman: A Piada Mortal; e o Palhaço, baseado nas versões mais recentes, que se parece muito mais com um terrorista e tem um modus operandi mais… randômico, digamos assim.

<em>Imagem: Reprodução/DC Comics</em>
Imagem: Reprodução/DC Comics

Este último foi morto por Jason Todd na primeira edição, enquanto o Criminoso é assassinado pelo Comediante na edição final — o que indica que o Coringa de Batman: A Piada Mortal sempre foi o “verdadeiro”, embora a própria história deixe em aberto a possibilidade dele ser também uma versão do original. Isso vai de encontro com algo que vem sendo debatido há alguns anos na DC Comics, de que o Palhaço do Crime, assim como o Batman, tornou-se uma “ideia” ao longo das décadas. Ou seja, sempre teremos algum Coringa ou Batman brigando nas páginas da editora, mesmo se Bruce Wayne ou o Coringa Comediante morrerem.

Além disso, tudo temos três pontos principais na conclusão. O primeiro é que o plano do Coringa Comediante, que revela saber a identidade do Batman há tempos, sempre foi fazer com que Bruce Wayne confrontasse o assassino de seus pais, Joe Chill. Assim, Wayne pôde “perdoar” Chill e superar seu trauma de infância, que há tempos não é mais a real motivação que o leva a combater o crime. Assim, o único verdadeiro “trauma” de Wayne é ter as ações do Coringa Comediante em sua vida.

<em>Imagem: Reprodução/DC Comics</em>
Imagem: Reprodução/DC Comics

O outro é o fato de o Batman ter revelado a Alfred que descobriu a identidade do verdadeiro Coringa há algum tempo. E que o verdadeiro Palhaço do Crime é realmente a de Batman: A Piada Mortal — o que também afasta a “interpretação” de vários artistas e leitores de que o Homem-Morcego teria dado fim à vida do vilão nas páginas finais da história de Alan Moore.

<em>Imagem: Reprodução/DC Comics</em>
Imagem: Reprodução/DC Comics

E, finalmente, Batman diz que a esposa e o filho do Coringa Comediante estão vivos e protegidos, em algum lugar do Alasca. Assim, Johns e Fabok, embora tragam uma história que amarra pontas soltas desde os anos 1980 e revitalizem as motivações e traumas de Batman, Jason Todd e Barbara Gordon; e ofereçam um interessante ponto de “recomeço” da dança mortal envolvendo o Homem-Morcego e o Palhaço do Crime, Batman: Three Jokers serviu muito mais para “consertar” problemas de cronologia e de personagens do que realmente trazer as revelações que muitos acharam que a minissérie traria. Eu gostei, mas bastante gente reclamou.

American Vampire 1976 #1

<em>Imagem: Reprodução/DC Comics</em>
Imagem: Reprodução/DC Comics

As séries limitadas de Vampiro Americano são um sucesso absoluto, muito por conta da abordagem de Scott Snyder para as tradicionais lendas europeias dos chupadores de sangue, reformuladas para o contexto estadunidense. Quatro anos após a última trama chegar às bancas, a dupla retoma as vidas dos protagonistas Skinner Sweet (com direito a uma inesperada e curiosa homenagem ao Motoqueiro Fantasma Johnny Blaze) e Pearl Jones.

O grande charme da edição é que a história acontece às vésperas do Bicententário da Declaração da Independência dos Estados Unidos, em um momento de efervescência roqueira, Guerra Fria e do avanço da AIDS — uma doença até então desconhecida e letal, transmitida pelo sangue, que oferece um contexto interessante em um arco envolvendo vampiros.

A narrativa do brasileiro Rafa Albuquerque está mais dinâmica, com uma arte-final cuidadosa e que sugere ainda mais movimentos — e seu passado com quadrinhos nacionais envolvendo música deixam esta primeira edição, lançada pelo selo adulto Black Label, tão brilhante quanto seus melhores momentos anteriores.

Batman #100-#101

<em>Imagem: Reprodução/DC Comics</em>
Imagem: Reprodução/DC Comics

Como criar algo novo e empolgante, que possa dar início a um recomeço da dinâmica entre o Batman e o Coringa, assim como para toda a Bat-Família e Gotham City? Esse era o desafio inicial do atual arco de James Tynion IV, que, na verdade, brincou com o climax logo no início de sua Joker War. E, com a edição 100, trouxe uma conclusão interessante.

Resumindo, o Coringa criou um intrincado plano para atacar o Batman por todos os lados, especialmente roubando seus recursos ao esgotar o dinheiro de Bruce Wayne; e ao “emprestar” os “brinquedos” do arqui-inimigo. Tudo isso com uma armada de palhaços criminosos e com a nova personagem Punchline (que, de certa forma, vem para substituir o antigo lugar de Arlequina).

Após vencer o Coringa, Batman, na verdade, “perde” a guerra, porque seu inimigo conseguiu mostrar que Bruce e sua família talvez não sejam os “mocinhos” da história como o herói sempre pensou. O Homem-Morcego, agora sem toda sua fortuna à disposição, mostra na edição #101 que precisa mudar a maneira como age, pensando mais em seu papel e imagem perante a Gotham City atual. E isso envolve maior dependência de todos os personagens ao seu redor, especialmente da Mulher-Gato e de sua Bat-Família.

Embora não tenha sido assim nada extraordinário, a Joker War cumpriu seu papel de oferecer um recomeço “limpo” para Batman e o Coringa; e também reposicionou vários coadjuvantes de luxo, como Asa Noturna, Robin, Capuz Vermelho, Bartgirl e outros, para uma nova era no cantinho do Homem-Morcego. De quebra, a saga trouxe Grifter, personagem do selo Wildstorm, de volta a um papel importante na DC, como uma peça interessante da nova fase.

Dark Knights: Death Metal #4

<em>Imagem: Reprodução/DC Comics</em>
Imagem: Reprodução/DC Comics

A grande saga do ano da DC Comics é o projeto mais ambicioso da editora desde os Novos 52. Scott Snyder e Greg Capullo estão, basicamente, recriando todo o Multiverso DC, tocando em todas as principais propriedades da editora. No mês passado, a companhia continuou brincando com outras versões dos mesmos personagens, na melhor tradição decenauta. E nesta quarta edição ela voltou para a trama principal — que é muito doida e difícil para novos leitores, especialmente porque revisita os momentos mais importantes dos heróis e vilões da empresa nas últimas décadas.

Basicamente, o status da saga em outubro envolve um Batman Que Ri evoluído para uma forma muito poderosa (chamada de Darkest Knight, em uma alusão ao Cavaleiro das Trevas e ao juramento dos Lanternas Verdes), o suficiente para rivalizar com a então grande vilã do evento, a entidade conhecida como Perpétua. Em meio a essa briga, os Lanternas Verdes tentam minar as fontes de poder dos inimigos; enquanto os Flash mantêm Wally West, que agora conta com resquícios da energia da realidade de Watchmen após O Relógio do Juízo Final, longe do Batman que Ri.

Já a Trindade (Superman, Batman e Mulher-Maravilha) reúne as várias versões de personagens para lidar com as consequências de todas as principais crises que o Multiverso DC enfrentou desde a Crise nas Infinitas Terras. A trama termina com um interessante gancho: o Batman Que Ri adianta que os heróis precisarão enfrentar uma realidade distorcida de um reboot conhecido… um mundo sombrio baseado nos Novos 52 — chamado por ele de os Últimos 52.

Rorschach #1

<em>Imagem: Reprodução/DC Comics</em>
Imagem: Reprodução/DC Comics

O sucesso da recente série de Watchmen na HBO e a constante releitura e novos projetos envolvendo esse universo, desde que ele foi lançado nos anos 1980, mostra que os leitores continuam sempre interessados em viver mais histórias nessa ambientação. E essa minissérie, embora venha com a prerrogativa de, mais uma vez, tentar emular o sucesso da obra original, felizmente se distancia do material de Alan Moore e Dave Gibbons em diversos aspectos.

Sim, o contexto de Guerra Fria e paranoia, com traços mais realistas e coloração retrô; apoiados em uma narrativa que em muitos momentos evoca as sequência cinematográficas de Gibbons, estão por ali. Mas a trama está mais para um mistério sobre assassinato com uma pegada detetivesca, envolvendo justamente o mais perspicaz — e louco — personagem de Watchmen.

De cara, a maior diferença está na escolha de perspectiva imposta pelo roteirista Tom King: em vez de sermos cúmplices de Rorschach, com suas viscerais descrições sobre suas ações e ideais, aqui vemos o vigilante pelo olhar de outras pessoas. Para quem curtiu a série da HBO, pode ser um bom complemento de leitura. Vamos aguardar as outras edições.

DC The Doomed and the Damned #1

<em>Imagem: Reprodução/DC Comics</em>
Imagem: Reprodução/DC Comics

Não sou particularmente fã de antologias com histórias curtas, mas a DC muitas vezes acerta nesses projetos, a exemplo de Batman Preto-e-Branco. E destaco essa publicação, em especial, porque ela mostra uma vontade de a editora manter o legado de seu estilo de contar tramas que não são conectadas à cronologia.

A DC sempre teve um lado mais obscuro, explorando a natureza estranha e intrigante de seus personagens, em narrativas que se conectam às publicações de terror e mistério. E, desde que o selo Vertigo foi extinto, a companhia perdeu bastante esse lado mais assustador e igualmente curioso.

Então, se tem saudades das parcerias insólitas de The Brave and the Bold; e das publicações clássicas com essa tonalidade, aqui dá para se divertir com histórias que seguem essa linha: você vai ver Aquaman ao lado de Frankenstein, Mulher-Maravilha atuando com Ravena; e algumas duplas malucas, como Superman e Monstro do Pântano e Ra’s Al Ghul com Solomon Grundy.

Batman: White Knight presents Harley Quinn #1

<em>Imagem: Reprodução/DC Comics</em>
Imagem: Reprodução/DC Comics

Não é segredo pra ninguém que Arlequina se tornou uma das propriedades mais valiosas da DC Comics nos últimos anos. E a personagem não somente vem ganhando mais estofo e participação nos grandes eventos da cronologia principal, como também se mostra uma anti-heroína ainda mais interessante nas mãos de quem acompanhou a evolução dela.

Esta edição é um derivado do universo criado por Sean Murphy nas bem-sucedidas séries limitadas de Batman: White Knight. Aqui, Harley Quinn tem filhos e podemos ver mais sobre sua história, em sua perspectiva, nos textos de Katana Collins. Em vez de contemplarmos apenas aquela personagem “criada” pelas ações do Coringa e do Batman, temos a chance de enxergá-la como protagonista de sua própria trajetória.

Nas próprias palavras dela, o Palhaço do Crime “não me arruinou, fui eu quem o arruinou”. “Sem mim, o Coringa que conhecemos talvez nunca tivesse existido”, completa, em uma das lindas páginas de Matteo Scalera, que segue o alto padrão de narrativa e traços baseados no design de personagens e na identidade visual criados por Murphy.

Marvel Comics

O destaque da Casa das Ideias em outubro foi a “preparação” para o iminente combate entre os X-Men e seus aliados e os chamados Sword-Breakers of Arakko, seres ancestrais liderados pelos primeiros Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Na tradição da série criada por Jonathan Hickman, as histórias conectadas por todos os títulos X e as edições especiais, como X of Sword: Stasis #1, mostram como ambos os lados que vão entrar em choque analisam os oponentes e criam suas estratégias antes de entrarem em choque.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Como sempre, Hickman traz ideias muito boas para serem diluídas nos textos de outros roteiristas que fazem parte de seu grande cantinho dos mutantes. Por exemplo, em Wolverine #6, vemos o vilão (ou seria anti-herói) Solem trazendo de volta a história sobre a Espada Muramasa, que sempre foi conhecida por ser um dos únicos artefatos capaz de fatiar adamantium, o metal inquebrável que reveste os ossos de Logan.

<em>Imagem: Reprodução/Marvel Comics</em>
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A trama avança com as peças sendo colocadas no tabuleiro de xadrez; e o interessante até agora é ver como os então vilões Senhor Sinistro, Apocalipse e Rainha Branca, que sempre deram trabalho para os X-Men, unem suas principais habilidades e estratégias contra um inimigo comum à atual sociedade mutante criada em Krakoa. Cada um deles usa seu lado “vilanesco”, desta vez em prol do Professor Xavier.

Então, o que vemos em outubro foi o posicionamento de cada uma das principais peças da batalha, antes dela realmente acontecer. O maior ponto positivo de Hickman até agora é a maneira como ele consegue manter roteiro e arte homogêneos em cada equipe criativa dos títulos mensais e especiais. Contudo, tudo aqui é tão denso e autocontido que fica difícil acompanhar essa trama toda fora de um compilado — só para lembrar o que tem acontecido antes de embarcar em cada edição leva um certo tempo.

<em>Imagem: Reprodução/Marvel Comics</em>
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Continuamos acompanhando os próximos capítulos.

Amazing Spider-Man #49-#50

<em>Imagem: Reprodução/Marvel Comics</em>
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

O mestre Neil Gaiman sempre lembra aos aspirantes a escritores que há melhores por aí roteiristas e as grandes histórias já foram lançadas, mas que o papel de um bom narrador é contá-las novamente para um nova geração — com o frescor de cada época. “Novelas infinitas”, como os quadrinhos de super-heróis, precisam bastante desse conceito, porque, afinal, estamos falando de personagens que estão aí mensalmente em vários títulos há 70 anos ou mais.

Amazing Spider-Man #49 celebra os 850 números da revista mensal. Não à toa, muitos dos principais personagens que fizeram parte da trajetória do herói estão envolvidos no arco que chega à edição seguinte. Da mesma forma, o roteiro de Nick Spencer reúne artistas que estiveram nas últimas fases bem-sucedidas, como Humberto Ramos e Mark Bagley; além de Ryan Ottley, que emula Erik Larsen (autor de Savage Dragon que fez parte do próspero período noventista).

Aqui vemos o Devorador de Pecados assumir uma forma monstruosa com o poder do Fanático e o Escalador de Paredes se aliar ao Duende Verde para derrotar essa criatura. Na verdade, é uma “desculpa” para reunir vários dos vilões e heróis icônicos da trajetória do Homem-Aranha, com o objetivo de reposicioná-los para um novo começo. Já no número 50, Norman Osborn se depara com uma nova faceta de seu filho Harry, revelado como o misterioso vilão Kindred, que vem assombrando o Amigo da Vizinhança nas últimas edições.

Curiosamente, o que acontece por aqui é semelhante ao conceito de Joker War na revista do Batman: uma atualização do status quo do protagonista, dos coadjuvantes e do contexto; em uma nova fase, que possa satisfazer os antigos fãs e dar boas-vindas para a audiência que verá no próximo ano mais um filme do Homem-Morcego e do Amigo da Vizinhança.

Thor #8

<em>Imagem: Reprodução/Marvel Comics</em>
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Desde a primeira edição desta nova fase do Thor, o escritor Donny Cates tem colocado o personagem, agora muito mais poderoso na posição de rei de Asgard, como uma das maiores forças de todo o Universo Marvel. Veja bem, nos cinco primeiros números, Odinson simplesmente derrotou Galactus e usou o Poder Cósmico para varrer uma enorme ameaça ancestral.

Tanto em Thor #7 quanto na edição deste mês, dá para entender melhor os objetivos de Cates no atual arco: uma das coisas que torna os heróis da Marvel Comics tão “relacionáveis” com os fãs é o fato de eles serem “deuses querendo ser humanos” — ou seja, o lado falível e mais "pé no chão" é o grande charme da Casa das Ideias.

Então, vemos o esforço de Cates em trazer a humanidade de volta a Odinson. Esta edição usa o Homem de Ferro e uma nova limitação de Thor com o Mjolnir como forma de brincar com esse lado menos “endeusado” do personagem e aproximá-lo dos leitores. E seu antigo “avatar terrestre”, o médico Donald Blake, terá bastante importância nos próximos capítulos. A história é divertida, mas poderia ser mais caprichada com outro ilustrador, já que Aaron Kuder, embora regular, tem traços e uma narrativa muito simples — talvez propositalmente, pois a ambientação e a trama também estão longe do extraordinário.

Avengers #37

<em>Imagem: Reprodução/Marvel Comics</em>
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A Marvel Comics vem indicando ultimamente que trará de volta a Força Fênix no final deste ano. Desta vez, a entidade deve aparecer em avatares que não são mutantes — invertendo o que aconteceu em Vingadores vs X-Men e colocando, novamente, as duas equipes em choque. Desde que o arco envolvendo o Cavaleiro da Lua começou, muita gente vinha se perguntando como isso aconteceria. E, nesta edição, temos a resposta.

Na revista passada vimos que o deus egípcio Khonshu, a quem o Cavaleiro da Lua deve seus poderes, na verdade, manipulou seu discípulo para ampliar seu domínio — e não exatamente evitar a ameaça de um futuro ameaçado por Mephisto, como dizia inicialmente. É claro que, no meio da treta, as intenções de Marc Spector não são bem compreendidas pelos Vingadores, que entram em confronto com ele.

Mas como novo hospedeiro da Força Fênix e com poderes que envolvem o controle do Mjolnir, o Cavaleiro da Lua se torna um oponente formidável. A saga remonta um pouco da trama com forças primordiais do Universo Marvel apresentada nos últimos anos, a exemplo das linhagens ancestrais de Panteras Negras, Estigmas, Punhos de Ferro, Motoqueiros Fantasmas e Magos Supremos — com divertidas versões da Mulher-Hulk mesclada ao Punho de Ferro e Blade munido das habilidades do Doutor Estranho.

No final, o arco serviu bastante para estabelecer a formação atual dos Vingadores (Homem de Ferro, Capitão América, Thor e Doutor Estranho mais ausentes, Mulher-Hulk, Pantera Negra, Piloto Fantasma, Blade, Capitã Marvel e Estigma); e para já preparar os leitores à nova treta com os X-Men — com direito a um Wolverine nervosinho, para variar. Ah, claro, também teve o papel de destacar o Cavaleiro da Lua, que em breve entrará para o Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês) com sua própria série no Disney+.

Maestro #3

<em>Imagem: Reprodução/Marvel Comics</em>
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A revista do Hulk passa, atualmente, por uma excelente fase, que remonta às suas raízes monstruosas e de ambientação de ficção científica de horror. Mas muita gente sente falta de seus arcos mais heróicos; e uma das histórias nunca contadas vem sendo publicada na minissérie limitada Maestro.

Como muitos sabem, o Gigante Esmeralda já se tornou um ditador poderoso em uma realidade alternativa e, aqui, vemos como Bruce Banner se transformou nessa criatura. O texto de Peter David, experiente com o personagem e criador do Hulk “Maestro”, traz de volta a astúcia e a força da versão destruidora e inteligente do protagonista — e as ilustrações de Dale Keown e, especialmente de Germán Peralta, são muito boas.

Interessante notar aqui como David incluiu elementos de destaque envolvendo o Hulk e a Marvel nos últimos anos, como a organização Ideias Mecânicas Avançadas (IMA) e MODOK (onipresente nas novas séries do MCU e nos videogames); e Hércules, com quem Banner já teve um romance gay em outra realidade.

Fantastic Four #25

<em>Imagem: Reprodução/Marvel Comics</em>
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Quando a saga Empyre ainda estava rolando, o roteirista da revista mensal da primeira família de heróis, Dan Slott, já havia avisado que o grupo passaria por mudanças substanciais em seu título dedicado. Daí a expectativa especial sobre o que aconteceria na edição deste mês. E, embora Slott seja falastrão e goste de atenção, ele entregou o que prometeu.

Além de maior participação dos filhos Valeria e Franklin; e de uma diferente dinâmica entre o Doutor Destino e Reed Richards — mais como “frenemies” —, vemos o Quarteto Fantástico perante ao Portão Eterno: uma estrutura que dá acesso livre e constante “a todo e qualquer ponto no tempo e espaço”, segundo Destino. Esse é um interessante conceito para a equipe, acostumada a ser “arqueólogos do Multiverso”. Ampliar as possibilidades para o que o grupo faz de melhor é uma boa adição, então os próximos passos são promissores.

Daredevil #23

<em>Imagem: Reprodução/Marvel Comics</em>
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A audiência estadunidense adora drama de tribunal e, convenhamos, os escritores ianques manjam bastante disso. E as melhores histórias do Demolidor são justamente as que unem suas habilidades como advogado com o tradicional heroísmo na Cozinha do Inferno. O atual arco é um prato cheio para os fãs da extinta série na Netflix.

Na trama, Matt Murdock vem sendo acusado de assassinato e precisa, mais do que nunca, de seus aliados — até mesmo desafetos como Tony Stark. A história é uma mistura de drama de tribunal com super-heróis, com direito a aparições especiais, como a de um certo escalador de paredes. Leitura divertida, que não exige conhecimento sobre os grandes eventos que acontecem no Universo Marvel — do jeito que os melhores gibis dos “heróis de rua” da Casa das Ideias devem (ou deveriam) ser.

Até a próxima!

Obviamente, não dá para comentar tudo o que saiu no mercado norte-americano nas quatro semanas anteriores, mas essas edições são as que mais fizeram barulho em outubro e prometem ter relevância nas editoras (e em suas outras mídias) nos próximos meses.

Continuem lendo as matérias de quadrinhos e toda a cultura pop aqui do Canaltech. A coluna volta no dia 2 de dezembro — sempre na primeira quarta-feira do mês. Quem quiser me acompanhar no Twitter e saber das matérias relacionadas que saem durante o período, o endereço é @clangcomix. Até logo!

Fonte: Canaltech

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