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Puxado por petróleo, setor extrativo salva PIB industrial do 3º trimestre

Alessandra Saraiva, Bruno Villas Bôas e Ana Conceição

Sinais de reação na construção também ajudaram a elevar a atividade industrial no PIB A indústria extrativa, impulsionada pelo setor de petróleo, manteve a trajetória positiva do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do terceiro trimestre de 2019, que subiu 0,8% ante o período de abril a junho — maior taxa desde quarto trimestre de 2017 (1,2%).

Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), afirmou que a atividade da indústria extrativa subiu 12% na mesma comparação — maior alta desde quarto trimestre de 2003 (12,2%).

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Um maior ritmo de produção nas plataformas de petróleo na camada do pré-sal impulsionou o resultado da indústria extrativa, acrescentou Rebeca. Ela informou que a produção de petróleo ficou “relativamente estável” no segundo trimestre, mas deu um “salto” nos três meses seguintes.

Agência Petrobras

O comportamento do setor de petróleo ajudou a compensar a atividade de minério de ferro, que ainda se encontrava em trajetória negativa no terceiro trimestre. Isso porque a produção do minério, lembrou ela, foi fortemente afetada após o acidente de Brumadinho, em janeiro, quando uma barragem da Vale rompeu causando um desastre ambiental e a posterior suspensão de atividades em unidades da empresa por questões de segurança.

Além disso, sinais de reação na construção ajudaram a elevar a atividade industrial no PIB. A construção subiu 1,3% no terceiro trimestre, ante os três meses anteriores, puxada pelo setor imobiliário, afirmou Rebeca.

“A infraestrutura ainda não reagiu”, indicou, comentando sobre empreendimentos desse setor que poderiam ajudar a levantar o PIB da construção.

Na comparação com o mesmo período de 2018, a construção cresceu 4,4%, melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2014, quando teve expansão de 8,2%. Na série com ajuste sazonal, o avanço foi de 1,3%, após ter registrado alta de 2,4% no período anterior e ter ficado estável no primeiro trimestre.

Apesar dos últimos resultados positivos, o setor ainda tem um longo caminho de recuperação pela frente. No terceiro trimestre, o nível do setor no PIB estava 30% abaixo do máximo alcançado no primeiro trimestre de 2014. A situação já foi pior. No fim de 2018, esse nível era cerca de 35% menor.

Rebeca comentou que a construção poderia mostrar saldos positivos mais ágeis na atividade, caso houvesse maior número de grandes empreendimentos de infraestrutura — com maior volume de investimentos do que projetos residenciais — o que acabaria puxando de forma mais rápida, para cima, o PIB da construção. “Realmente se houvesse maior número de projetos de infraestrutura, a construção reagiria mais rápido, sem dúvida”, afirmou ela.

As atividades extrativa e de construção representam em torno de 32% do PIB industrial. Em contrapartida, a indústria da transformação, 54% da indústria como um todo, ainda não reage. Essa atividade caiu 1% ante o segundo trimestre, afetada por queda em ritmo de exportações de manufaturados, como setor automobilístico por exemplo.

“Mas, mesmo com menor peso, a alta da indústria extrativa foi tão grande que acabou por compensar em parte a queda da indústria de transformação”, afirmou Rebeca.