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Pulmões em risco: fumaça de incêndios na floresta ameaça recuperação de Covid-19 de comunidades da Amazônia

·2 minuto de leitura
Floresta Amazônica incendiada perto de Porto Velho

Por Fabio Teixeira

RIO DE JANEIRO (Thomson Reuters Foundation) - Nos últimos anos, quando a fumaça de incêndios da floresta amazônica chegava às comunidades indígenas de Nossa Senhora do Livramento, no Amazonas, as pessoas bebiam chá com ervas medicinais locais que acalmavam os seus pulmões.

Mas à medida que a “temporada de incêndios” de 2021 se aproxima, o líder local Asterio Martins Tomas teme que desta vez o chá não será suficiente, pois muitos da sua comunidade --incluindo ele próprio-- ainda sofrem com os efeitos da Covid-19.

"Eu ainda me sinto cansado, e meu peito dói. Quando eu respiro, ele dói", diz Tomas, 60, infectado com o coronavírus em março e brevemente hospitalizado.

A fumaça, quando chegar, tornará a vida mais difícil, teme.

"Afeta nossos pulmões, nossa saúde, E não há escapatória porque há fumaça em todo lugar".

A piora das queimadas em florestas estão tendo um impacto maior e ainda não muito bem estudado em pessoas expostas a elas, segundo um relatório da Aliança Global Climática, um consórcio de organizações sanitárias ao redor do mundo.

Em longo prazo, também pode levar a uma vulnerabilidade maior aos efeitos mais sérios da Covid-19, segundo pesquisadores.

A taxa de mortes por coronavírus entre a população indígena na Amazônia é quase 250% maior do que na população geral, segundo o estudo de junho do Ipam, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.

HOSPITAIS LOTADOS

O relatório recomenda que autoridades sanitárias locais "planejem com antecedência para a volta de doenças induzidas por fumaça, enquanto serviços de saúde continuam a enfrentar a pandemia de Covid-19".

Mas não há muito planejamento em andamento, disse Mario Vianna, presidente da união de médicos do Estado do Amazonas.

"Uma queda de qualidade do ar na região norte durante uma pandemia de uma doença respiratória é uma combinação explosiva", disse Vianna. "Eu ainda não vi protocolos ou orientações para nos prepararmos para esta possibilidade."

Incêndios e desflorestamento na floresta amazônica cresceram desde que o presidente Jair Bolsonaro chegou ao poder em 2019, clamando por mais desenvolvimento na região.

Com a temporada de incêndios no Brasil começando para valer, os próximos meses serão críticos, disse Jerrimar Soares Montenegro, enfermeiro da Sinderon, uma associação de enfermeiros no Estado de Rondônia.

Os hospitais da capital do Estado, Porto Velho, ficam lotados todos os anos --entre agosto e novembro-- por pacientes com problemas respiratórios causados pelos incêndios, afirmou Montenegro.

"E agora com a Covid, será praticamente incontrolável", previu Montenegro.

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