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PT estuda apoiar candidatura de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo

Cristiane Agostine

Legenda poderia endossar a candidatura da ex-prefeita pela própria sigla ou por um partido de centro-esquerda, como o PDT O PT trabalha com a possibilidade de disputar a Prefeitura de São Paulo em 2020 com a ex-prefeita Marta Suplicy (sem partido). A legenda estuda apoiar a candidatura de Marta pelo próprio PT ou por um partido de centro-esquerda, como o PDT. Em outro cenário cogitado pela cúpula nacional da legenda, a ex-prefeita poderia ser vice de um nome petista, como do ex-prefeito Fernando Haddad.

A eventual candidatura de Marta foi um dos principais temas da reunião do diretório nacional do PT nesta quinta-feira, em São Paulo, com a presença dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. No encontro, marcado para discutir a estratégia eleitoral do partido para as eleições de 2020, o cientista político Alberto Carlos Almeida expôs o cenário eleitoral para a capital paulista e mostrou que Marta e Haddad são os dois nomes mais competitivos da esquerda, segundo relato de petistas que assistiram à apresentação.

Lula e Dilma discutem com o PT estratégia para 2020

O cientista político reforçou que a ex-prefeita ainda é muito popular na periferia paulistana, reduto em que o PT era forte mas que tem perdido espaço nas últimas eleições.

O nome de Marta para disputar em São Paulo tem sido incentivado há mais de um mês pelo ex-presidente Lula, quando ainda estava preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. O ex-presidente já falou na candidatura da ex-prefeita em pelo menos duas entrevistas concedidas nas últimas semanas e enviou emissários para conversar com Marta, como os dirigentes Jilmar Tatto e Emídio de Souza.

Racha

Prefeita de São Paulo entre 2001 e 2004 e ex-ministra nas gestões Lula e Dilma, Marta deixou o PT em 2015, sob fortes críticas ao partido e acusações de que a legenda era corrupta. A ex-petista apoiou de forma enfática o impeachment de Dilma e travou embates no Congresso com a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR).

A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, é vista como um dos nomes competitivos para a disputa da capital paulista

Antonio Cruz/ABr

A cúpula do PT resiste ao retorno de Marta ao partido, apesar de o ex-presidente Lula ter declarado recentemente que a ex-petista é bem-vinda e que a legenda está de portas abertas a ela. A base petista na capital apoia a volta da ex-prefeita.

Um dos vice-presidentes nacionais do PT, Marcio Macedo minimizou as críticas de petistas a Marta e indicou que o retorno da ex-prefeita ao partido é possível. Questionado se poderia “perdoá-la”, Macedo afirmou: “Sou cristão.”

A presidente nacional do PT, no entanto, descarta a possibilidade de retorno da ex-petista ao partido. “Não teria muita liga neste momento”, disse Gleisi. A dirigente reuniu-se uma vez com a ex-prefeita, para falar sobre eleições, mas reforçou que há um “distanciamento” do PT em relação a Marta. Questionada também se seria possível “perdoar” a ex-prefeita pelos ataques feitos ao partido, Gleisi afirmou que “não é uma questão de perdão”.

“Não sei qual vai ser a posição dela. Não penso que ela vai voltar”, disse Gleisi.

A presidente nacional do PT, no entanto, afirmou que seria possível uma composição com a ex-prefeita, caso ela se filie a outro partido, como o PDT. Nesse caso, poderia ser vice de um petista. Marta tem conversado com partidos de centro-esquerda para compor uma frente ampla e tem evitado falar publicamente sobre um possível retorno ao PT.

O ex-prefeito Fernando Haddad descarta a possibilidade de ser candidato, mas dirigentes petistas acreditam que o ex-presidente Lula deverá pressioná-lo a aceitar a disputa, caso Marta não seja candidata. O PT ainda não tem um nome forte para concorrer em 2020 na capital paulista, principal colégio eleitoral municipal do país.

A reunião desta quinta-feira foi um preparatório do PT para o congresso nacional do partido, que acontecerá no fim de semana em São Paulo. No encontro, a legenda deve definir a política de alianças e a estratégia eleitoral para 2020. Lula deve fazer um "pronunciamento à nação" na noite de sexta-feira, na Casa de Portugal.