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PT escolhe Zarattini após fracasso em encontrar mulher para vice de Tatto na eleição em SP

FÁBIO ZANINI E JOELMIR TAVARES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após tentar durante vários dias encontrar uma mulher para ser candidata a vice-prefeita na chapa de Jilmar Tatto, o PT recorreu ao deputado federal Carlos Zarattini para a vaga. A decisão foi tomada após uma reunião entre Zarattini, Tatto e membros do comando de campanha, a poucas horas do fim do prazo da Justiça Eleitoral para as convenções partidárias. O deputado, que estava relutante, aceitou o convite, especialmente após um apelo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu nome deverá ser formalizado pela executiva municipal do partido nesta quinta (17). Tatto foi oficializado no sábado (12) como candidato a prefeito, mas a vaga de vice ficou em aberto. Primeiro tentou-se uma mulher negra, para dar peso simbólico à chapa como verdadeira representante da periferia e da diversidade. A filósofa Djamila Ribeiro foi sondada, mas recusou. Militantes de movimentos populares ligadas ao partido, como Carmen Silva e Graça Xavier, ambas ligadas à causa da moradia, também foram cogitadas, mas tampouco emplacaram. No caso dela, por ser membro do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana, o que gerou um entrave jurídico. O PT passou então a buscar uma mulher independentemente da raça, e chegou ao nome de Selma Rocha, membro da direção do partido. Mas também houve uma questão legal envolvida, uma vez que ela é professora da USP. Também circularam como possíveis convidados para a companhia de Jilmar nomes como o do vereador da capital Eduardo Suplicy, o da ex-primeira-dama Ana Estela Haddad e o do ex-deputado federal Vicente Cândido. Desde o início da semana, o partido mudou novamente de estratégia e começou a cogitar um deputado para compor a chapa, com o argumento de dar mais peso político à candidatura. Alexandre Padilha, que perdeu a disputa interna para Tatto, foi convidado, mas recusou por dar aulas de medicina numa universidade particular. Médico e ex-ministro da Saúde, ele poderia reforçar o discurso na área num momento de pandemia. Por fim, chegou-se a Zarattini, que havia recusado uma primeira sondagem, mas finalmente cedeu. O partido resolve assim uma questão interna, já que Zarattini e Tatto ocuparam o posto de secretário de Transportes na gestão Marta Suplicy e sempre disputaram a paternidade do bilhete único. O discurso, agora, é de dividir os méritos: Zarattini concebeu o bilhete, e Tatto o implementou. Em seu quarto mandato como na Câmara dos Deputados, Zarattini, 61, também foi deputado estadual e vereador na capital paulista. Antes de ocupar cargos eletivos e ter funções em gestões petistas, fez parte da diretoria do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. A candidatura de Tatto, 55, até agora não tem empolgado o partido, nem parte considerável da esquerda e dos movimentos sociais, que têm dado apoio a Guilherme Boulos (PSOL). A convenção que oficializou a entrada do petista na disputa municipal, no sábado (12), teve a participação virtual do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o grau de envolvimento dele na campanha ainda é incerto. Lula, que vinha sendo criticado internamente no PT pela falta de apoio explícito a Tatto, fez uma defesa enfática da candidatura, em mensagem gravada em vídeo e exibida no evento. "A partir de São Paulo e de cada cidade desse país, vamos juntos reconstruir o nosso querido Brasil", disse.