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Psol, PT e PCdoB vão ao Conselho de Ética contra Eduardo Bolsonaro

Marcelo Ribeiro e Raphael Di Cunto

Eduardo defendeu um novo AI-5 caso a esquerda do país se radicalizasse O Psol, o PT e o PCdoB protocolaram nesta terça-feira uma representação contra o líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP), no Conselho de Ética por quebra de decoro. Os partidos solicitam que o colegiado abra um processo disciplinar contra o filho do presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista à jornalista Leda Nagle, Eduardo defendeu um novo AI-5 caso a esquerda do país se radicalizasse. A oposição pede que Eduardo tenha seu mandato como deputado federal cassado pelo Eonselho de Ética.

Ontem, o Rede Sustenatbilidade, que também faz oposição ao governo Bolsonaro, apresentou uma representação contra Eduardo no colegiado presidido por Juscelino Filho (DEM-MA).

Por serem autores de representações, Psol, PT, PCdoB e Rede não poderão participar de sorteio da lista tríplice que definirá o relator do processo contra Eduardo. Os partidos do bloco do representado - PSL, PP, PSD, MDB, PL, Republicanos, DEM, PSDB, PTB, PSC e PMN - também não poderão fazer parte do sorteio.

Eduardo Bolsonaro

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A líder da Minoria na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), destacou que o fato de quatro partidos representarem contra Eduardo deve ser considerado para quem relatar o processo. “O relator é independente. Não tenho preocupação que o relator não seja de esquerda, o importante é que seja alguém a favor da democracia”, disse Jandira, lembrando que vários partidos do Centro se manifestaram contra as declarações do líder do PSL.

O líder do PCdoB na Câmara, Daniel Almeida (BA), afirmou que as declarações de Eduardo configuram “um crime”. “‘É crime evidente e reiterado. Tenho certeza que o conselho de ética deliberará o mais rápido possível”.

Juscelino, que preside o conselho de Ética, afirmou que respeitará o regimento e que o rito não será acelerado, respeitando o amplo direito de defesa. Ele lembrou que o líder do PSL não tem a prerrogativa de trocar membros de seu bloco do conselho de Ética, o que ocorre em outras comissões quando se quer formar uma tropa de choque de defesa. Para que um membro seja substituído no colegiado, ele precisa falecer, perder mandato ou renunciar da função.

A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), destacou “a gravidade” das declarações de Eduardo e disse que, “se o Congresso não der uma resposta, será acusado de conivência”. “É preciso uma medida pedagógica”, afirmou a petista.