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PSafe e CyberLabs anunciam fusão e miram as pequenas e médias empresas

Rui Maciel
·4 minuto de leitura

Nesta quarta-feira (17), a PSafe e a Cyberlabs, empresas especializadas no desenvolvimento de soluções de segurança, performance, privacidade e Inteligência Artificial (IA), anunciaram uma fusão que criará o Grupo CyberLabs. Segundo seus executivos, a união formará a maior companhia de IA e cibersegurança da América Latina.

Com a fusão, o novo grupo projeta mais de R$100 milhões de faturamento já para 2021. Com operação no Brasil e nos Estados Unidos, são mais de 6 milhões de usuários ativos, entre pessoas físicas e jurídicas das soluções de ambas as empresas.O Grupo CyberLabs passa a contar com um time de mais de 150 engenheiros e pesquisadores focados em inteligência artificial, além do dfndr lab, laboratório de pesquisas em cibersegurança.

Em comunicado, o novo grupo afirma que a fusão foi costurada ao longo do segundo semestre de 2020, até ser anunciada internamente na última sexta-feira, dia 5 de fevereiro. A transação contou com o apoio do fundo de capital de risco Redpoint eventures que, em agosto de 2020, liderou uma rodada de investimentos de R$28 milhões na CyberLabs. E desde 2013, o fundo é sócio investidor da PSafe.

Atenção especial às PMEs

Em comunicado, o Grupo CyberLabs afirmou que um dos objetivos da nova empresa é expandir sua presença no segmento B2B, sobretudo no mercado brasileiro, com foco nas pequenas e médias empresas (PMEs), um setor que vem se expandindo, mas que, ao mesmo tempo, vem se tornando um alvo cada vez mais atraente para os cibercriminosos.

As empresas afirmam ainda que, devido ao crescimento no número de ataques cibernéticos e vazamentos de dados empresariais nos últimos meses, tem sido vista uma movimentação corporativa em busca de prevenção e proteção. Esse cenário no Brasil foi agravado com a pandemia de Covid-19 e a adoção das medidas de isolamento social, que levaram as organizações a acelerarem suas jornadas de transformação digital no último ano e a ampliar sua presença virtual, criando um cenário atrativo para o cibercrime.

Marco DeMello e Marcelo Sales: eles comandarão o recém-criado Grupo CyberLabs (Fotos: Arquivo pessoal / LinkedIn)
Marco DeMello e Marcelo Sales: eles comandarão o recém-criado Grupo CyberLabs (Fotos: Arquivo pessoal / LinkedIn)

"O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, mas ocupa a penúltima colocação no ranking global de detecção de ameaças, à frente apenas da Turquia. Os vazamentos de dados no Brasil levam em média 46 dias para serem identificados, o que é um prazo inaceitável", afirma o presidente do Grupo CyberLabs, Marco DeMello. "Há muito que ser feito em prol da cibersegurança no país, e com a união do Grupo CyberLabs, temos tecnologias de ponta suficientes para evoluirmos dez anos de conhecimento em um ano”.

Foco em Inteligência Artificial

A CyberLabs desenvolve e implementa produtos baseados em Inteligência Artificial. Uma de suas principais soluções é o KeyApp, ferramenta que possibilita o acesso aos estabelecimentos por reconhecimento facial ou QR code sem contato físico.

“Vamos oferecer o estado da arte em inteligência artificial para ajudar empresas brasileiras a se protegerem na internet”, afirma Marcelo Sales, CEO do Grupo. “Estamos vivendo uma pandemia digital e, pelo fato das pequenas e médias empresas não terem estruturas nem recursos suficientes, cada colaborador remoto se transforma em um ponto a mais de vulnerabilidade”.

“Basta uma vulnerabilidade, um dispositivo desprotegido, para que um golpe seja bem-sucedido. Somente em 2020, foram detectadas mais de 600 milhões de URLs maliciosas no Brasil e temos registro de um ataque a cada 16 segundos", continua DeMello. "É humanamente impossível imaginar que em uma batalha em que os hackers utilizam inteligência artificial em seus golpes, as empresas lutem sem as mesmas armas. É preciso estar cada vez mais preparado para se defender e defender as organizações”.

LGPD

DeMello e Sales ressaltam também que o cenário brasileiro é favorável para a empresa resultante da fusão, em um cenário de aprovação recente da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que estabelece regras sobre coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais. E com a imposição pesadas penalidades para as empresas que não cumprirem o regulamento - cuja multa pode chegar R$ 50 milhões.

Com isso, a nova empresa afirma que a sua estratégia é difundir ainda mais os produtos baseados em Inteligência Artificial, sobretudo o dfndr enterprise, solução contra vazamentos de dados empresariais. A tecnologia monitora a deep web (parte da web que não é indexada pelos mecanismos de busca e oculta ao grande público) 24 /7, oferecendo proteção preditiva proativa para empresas de todos os portes.

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Fonte: Canaltech

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