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Protocolos de segurança contra a Covid-19 derrubam casos de outras doenças respiratórias no país

João de Mari
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A member of the Red Cross checks the temperature of a worker at the CEASA, Rio de Janeiro's main wholesale market, amid the new coronavirus pandemic in Rio de Janeiro, Brazil, Tuesday, June 23, 2020. (AP Photo/Silvia Izquierdo)
Médica verifica a temperatura de um trabalhador do CEASA, principal mercado atacadista do Rio de Janeiro (Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo)

Os protocolos de segurança adotados no combate à Covid-19, como o uso de máscara, distanciamento social e hábitos de higiene, tiveram um efeito positivo no controle de outras doenças respiratórias no Brasil. Dados mostram que vírus que provocam de resfriados a pneumonias letais, por exemplo, praticamente desapareceram em 2020.

Até setembro deste ano, de acordo com dados do InfoGripe/Fiocruz, o Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19, foi a causa de cerca de 99,2% das mortes e 97,4% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Brasil. A influenza, que até 2019 matava cerca de 6 mil pessoas por ano no Brasil, em 2020 atingiu até agora 1.672, isso se somadas influenza A e B.

“Nunca vimos isso ocorrer desde que foi estabelecida a rede nacional de vigilância de influenza, em 1999. Todo ano a gripe mata em torno de 2 mil pessoas no país. Este ano isso certamente não vai acontecer”, afirmou o vice-chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, Fernando do Couto Motta, ao jornal O Globo.

Entre os vírus, casos de influenza, coronavírus brandos (HKU1, 229E, NL63, OC43), vírus sincicial respiratório, parainfluenza, adenovírus, rinovírus, metapneumovírus.

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De acordo com o jornal, neste ano houve mudanças significativas na faixa etária dos doentes. Na Covid-19, por exemplo, há predominância de adultos e menos crianças de até 4 anos, diferentemente do que se vê na influenza.

Entre 20 e 26 de setembro, período com os dados mais recentes disponíveis, não houve casos de SRAG registrados no Brasil provocados por qualquer um dos vírus influenza, segundo o boletim do InfoGripe. Para se ter ideia, em agosto estimava-se que o número de óbitos por SRAG tinha chegado a 162.526 no acumulado do ano até o dia 16 de agosto e mais de 99% dos mortos são por Covid-19.

Protocolos de segurança

Para especialistas, a redução está atrelada aos protocolos de segurança. Distanciamento social, máscara e higiene foram fundamentais na redução dos demais vírus respiratórios. Além disso, os pesquisadores avaliam que as pessoas com sintomas dessas infecções, que antes continuavam a circular, se resguardaram mais, bloqueando a disseminação do vírus.

Outro fator é que o Sars-CoV-2 tomou o lugar dos demais vírus. Para se ter ideia, em todo o ano de 2019 foram registradas apenas 3.811 mortes por SRAG.

Além disso, segundo o Globo, existe um fenômeno conhecido como interferência viral, pelo qual dificilmente uma célula infectada dará conta de produzir outros vírus. A coinfecção pode ocorrer mas, no caso, o Sars-CoV-2, levará vantagem.

“Os vírus respiratórios não foram erradicados. Mas ao menos este ano não tivemos que também sofrer com eles. Medidas de higiene e de educação sanitária, como uso de máscara em caso de sintomas, podem ajudar a termos menos dessas doenças, mesmo depois da pandemia. É uma boa lição, que devemos aprender”, concluiu o vice-chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, Fernando do Couto Motta.