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Protestos no Paraguai pedem saída de presidente por má gestão da pandemia

·2 minuto de leitura
Foto: AP Photo/Jorge Saenz
Foto: AP Photo/Jorge Saenz

Assunção teve nesta sexta (5) uma noite de confrontos nas ruas entre policiais e manifestantes, que pedem a saída do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, por conta da má gestão da pandemia do novo coronavírus

O país vive seu pior momento da crise sanitária, com falta de insumos em hospitais, recorde de novos casos de Covid e vacinação lenta. Durante o dia, houve protestos em Ciudad del Este e em Assunção. O ato na capital, perto do Congresso, começou por volta das 18h (a mesma de Brasília). 

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A confusão teve início perto das 20h, quando policiais começaram a reprimir os manifestantes. Forças de segurança dispararam balas de borracha e bombas de gás em manifestantes que se reuniam perto do Congresso. Os ativistas derrubaram barreiras de segurança, construíram barricadas e tacaram pedras nos agentes. O confronto se espalhou pelas ruas do centro da cidade e deixou mais de 20 feridos, entre manifestantes e policiais. 

Foto: NORBERTO DUARTE/AFP via Getty Images
Foto: NORBERTO DUARTE/AFP via Getty Images

Em alguns locais, os agentes agitaram panos brancos para pedir que os ativistas se acalmassem. Após a confusão, parte dos manifestantes foi até a sede da Polícia Nacional exigir falar com o comandante da força, para saber quem deu a ordem para que os agentes os atacassem. 

Os atos nas ruas ganharam força mesmo após a saída do ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, nesta sexta (5). Ele deixou o cargo após o Senado aprovar uma resolução que pedia seu afastamento. Sua gestão foi criticada por conta da falta de insumos nos hospitais, a demora na chegada de vacinas e por casos de corrupção que não foram punidos. 

Segundo o governo paraguaio, há quase 300 pacientes de Covid em UTIs. Até quinta, o país somava 164 mil casos da doença e 3.256 mortes desde o começo da crise sanitária. Nos últimos dias, a média de casos ficou em 115 a cada 100 mil pessoas. 

O país vacinou menos de 0,1% da população, de cerca de 7 milhões de habitantes. O presidente Abdo Benítez tomou posse em 2018. Um ano depois, ele escapou de um processo de impeachment, motivado pela revelação de um acordo secreto entre Brasil e Paraguai sobre a energia gerada em Itaipu, que foi considerado prejudicial aos paraguaios. O termo acabou sendo cancelado. 

Abdo, 49, integra o Partido Colorado, legenda que governa o país de forma quase ininterrupta desde os anos 1940, inclusive durante a ditadura de Alfredo Stroessner, que governou de 1954 a 1989. Os protestos atuais estão sendo chamados de Março Paraguaio 2021. Em 2017, neste mesmo mês, manifestantes incendiaram o Congresso, em meio a um protesto contra a aprovação da reeleição presidencial.