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Protestos no Chile podem destronar maior produtora de cobre

Laura Millan Lombrana

(Bloomberg) -- A liderança da Codelco como maior produtora global de cobre está cada vez mais em risco em meio à onda de protestos que sacode o Chile.

A Codelco planejava investir US$ 20 bilhões ao longo de uma década para modernizar minas que estão envelhecendo e impedir uma iminente queda da produção. Mas os protestos que enviaram milhões de pessoas às ruas para exigir mudanças em diversas áreas, como pensões, saúde e educação, podem interferir na iniciativa da mineradora estatal de obter o necessário financiamento do governo.

As alternativas não são nada animadoras. A empresa poderia adiar os projetos, mas os custos com o processamento de minério de menor qualidade em minas mais antigas estão aumentando. A Codelco também poderia pedir mais empréstimos, mas a dívida da estatal já está em nível recorde. Conclusão: sem financiamento do governo, a empresa que agora produz cerca de 8% do cobre global poderá em breve perder a liderança, segundo Colin Hamilton, da BMO Capital Markets.

“Visar a estabilidade da produção é otimista”, disse Hamilton, que é diretor-gerente de pesquisa de commodities da BMO. “A Codelco talvez não seja a maior mineradora de cobre do mundo em três a quatro anos. A curto prazo, há outras prioridades para o governo.”

A Codelco divulga balanço do terceiro trimestre no fim desta semana, quando deve enfrentar novas perguntas sobre seus planos de modernização à luz dos protestos.

“A dívida da Codelco já é bastante alta”, disse Hamilton por telefone. “Portanto, é muito provável que eles tenham que avaliar um pouco os gastos.”

--Com a colaboração de Sebastian Boyd, Justin Villamil e Elena Mazneva.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Laura Millan Lombrana em Santiago, lmillan4@bloomberg.net

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