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Protestos minam objetivo dos EUA de ganhar influência na África

William Clowes e David Herbling

(Bloomberg) -- O assassinato de um afro-americano desarmado por um policial de Minneapolis e a revolta civil resultante complicam os esforços dos Estados Unidos para fortalecer sua tênue relação com a África e combater a crescente influência da China.

Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana, assim como autoridades da Nigéria, África do Sul e Gana condenaram a morte de George Floyd. Eles repreenderam os EUA pelo fracasso em combater a discriminação racial, observações que contrastam muito com o tom diplomático normalmente usado em interações com a maior economia do mundo.

“As relações EUA-África já estavam em baixa”, disse Kissy Agyeman-Togobo, sócia-gerente da Songhai Advisory, em entrevista por telefone de Acra, capital de Gana. “Agora, com o assassinato injustificável de George Floyd, a dor, a repulsa e a indignação são palpáveis.”

A África sempre ficou para trás na lista de prioridades das relações exteriores dos EUA - o continente mais pobre do mundo responde por menos de 2% do comércio bilateral total. A influência dos EUA tem sido corroída constantemente pela China, cujo comércio com a região é quase quatro vezes maior e que alimenta laços oferecendo empréstimos e investimentos com poucas restrições.

A estratégia do governo Trump para a África, apresentada no final de 2018, propôs acordos comerciais bilaterais, uma revisão da ajuda externa e novas iniciativas antiterrorismo para recuperar a influência perdida.

A pandemia de coronavírus proporcionou a oportunidade para fazer exatamente isso. Autoridades do Departamento de Estado destacaram a contribuição de mais de US$ 400 milhões dos EUA para ajudar a África a combater o impacto da doença, mais do que qualquer outra nação. Mas o dano causado à reputação dos EUA pelo assassinato de Floyd e a forma de lidar com os protestos indicam que o momento pode ter sido desperdiçado.

“Os EUA são tradicionalmente vistos como o farol da democracia segundo o qual você precisa tratar manifestantes com decência e defender os direitos”, disse Adewunmi Emoruwa, estrategista líder da Gatefield, uma consultoria com sede em Abuja, capital da Nigéria. “Agora vemos saques, incêndios criminosos, a quase anarquia nos EUA e a resposta brutal da polícia. A África está dizendo que talvez os EUA não sejam tudo o que pensávamos que eram.”

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