Mercado abrirá em 8 h 12 min

Prostituição de mulheres aumentou na quarentena, mostra pesquisa

Elisa Soupin
·3 minutos de leitura
Woman working in sex industry
Woman working in sex industry

Pérola Pets, que se identifica assim em seu novo ramo de atuação, trabalhava como atendente da rede de fast food Burguer King até março, quando o surto do novo coronavírus chegou e mudou o rumo de sua vida profissional. “Começou a vir a crise, tudo começou a fechar e eu perdi o meu emprego. Comecei a pensar no aluguel, nas contas”, conta ela. Em meio à necessidade, Pérola é uma das várias mulheres que viram no mercado do sexo uma maneira de sobreviver à pandemia.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 minuto e receba todos os seus e-mails em um só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Instagram, Facebook e Twitter

De acordo com dados divulgados pelo site de garotas de programa 'Paradise Girl', que tem atuação em vários estados do país, o interesse de mulheres na prostituição disparou desde o início da quarentena e o número de cadastro aumentou em 85% na plataforma.

Leia também

Pérola, de 26 anos, conta que não viu alternativa. ”Não tinha o que fazer. No meu primeiro programa, me senti mal. Mas, depois, fui levando com naturalidade porque não tinha escolha. O mercado está difícil, as coisas estão difíceis e, para mim, a melhor coisa foi trabalhar com isso”, diz ela.

A jovem considera que sua vida financeira está melhor. “Estou tranquila. Não vou dizer para você que estou ganhando muito mais do que ganhava trabalhando de carteira assinada, mas não tenho do que reclamar, estou pagando as contas e guardando dinheiro e não é difícil trabalhar pelo site”, diz ela, que acredita que o trabalho em boates é mais complicado.

Pérola atende em Florianópolis e tem planos de seguir na nova profissão. “Estou com um projeto de colocar silicone, mudar. Quanto mais você investe, mais retorno você tem”, diz ela, que recebe os clientes no próprio apartamento e também a domicílio, embora prefira recebê-los em casa por questões de segurança.

Sweet Samanta é o nome de trabalho de uma jovem de 20 anos, que também passou a ser trabalhadora do sexo por conta da pandemia.

“A minha relação com a minha família era complicada e queria sair da casa dos meus pais. Procurei emprego por mais ou menos um ano e nada”, conta ela, que nunca tinha trabalhado antes.

Em agosto de 2019, ela conta que começou a considerar a ideia de entrar para a prostituição. “Em abril, tinha um dinheiro guardado e saí da casa dos meus pais. O meu plano era começar na prostituição em 2021, mas, por causa da pandemia, acabei adiantando”, conta ela.

Ela ainda tem um pouco do dinheiro que guardou antes de sair de casa e conta que só recentemente, com a reabertura, vem tendo um retorno financeiro maior. “Agora, que já estou há alguns meses trabalhando com isso e entendendo melhor como lidar com os clientes e filtrar um perfil que pode ser mais perigoso, estou começando a conseguir um dinheiro um pouco melhor”, conta ela, que atende em motéis, quartos de hotéis e a domicílio.

Ela conta que se preocupa muito com a própria segurança e que tenta sempre conversar com os clientes antes dos encontros. “Teve um cara que me ameaçou de estupro porque não queria fazer uma coisa específica. Claro que dá medo, mas não precisaria ser garota de programa para que algo assim acontecesse: basta ser mulher”, diz ela.

De acordo com dados divulgados pelo 'Paradise Girls’, um artigo que fala sobre como ingressar na vida de acompanhante de luxo teve um aumento de 341% nos acessos durante o período de isolamento social.