Prorrogado por dois meses acordo de exportação de grãos ucranianos pelo Mar Negro

Navio carregado com grãos em 24 de março de 2023 no porto ucraniano de Chornomorsk, no mar Negro
Navio carregado com grãos em 24 de março de 2023 no porto ucraniano de Chornomorsk, no mar Negro

O acordo de exportação de cereais ucranianos pelo Mar Negro foi prorrogado por dois meses, anunciou, nesta quarta-feira (17), o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que mediou as negociações entre Rússia e Ucrânia.

"Decidiu-se prorrogar por dois meses o acordo (de exportação) de grãos do Mar Negro", anunciou Erdogan na véspera do vencimento deste pacto, assinado inicialmente em julho de 2022, com o apoio da ONU.

A Rússia concordou em não barrar a saída de navios dos portos ucranianos, detalhou Erdogan, enfatizando que a prorrogação é "benéfica para todas as partes".

Pouco depois do anúncio, a Ucrânia manifestou seu "agradecimento" a Ancara e à ONU pela prorrogação do acordo de exportação de grãos, que "reforça a segurança alimentar mundial".

A Rússia confirmou a extensão do pacto por um período de dois meses, mas pediu para "corrigir" os "desequilíbrios" na aplicação do mesmo.

Segundo Moscou, suas exportações de fertilizantes e produtos agrícolas continuam sendo bloqueadas pelos países ocidentais, em resposta à invasão da Ucrânia.

O acordo fez caírem rapidamente os preços do trigo no mercado europeu abaixo dos 226 euros (R$ 1.211 na cotação de hoje) a tonelada para entrega em setembro, 8 euros (R$ 42,8) a menos do que na véspera.

O valor é muito inferior ao máximo alcançado em maio de 2022, quando a tonelada de trigo atingiu quase 440 euros (cerca de R$ 2.300 na cotação da época) no mercado europeu.

- Um acordo ameaçado regularmente -

A Ucrânia era um dos maiores exportadores de grãos do mundo antes da invasão russa, iniciada em fevereiro de 2022.

A princípio, os navios de guerra russos bloquearam os portos ucranianos do Mar Negro, contribuindo para a disparada dos preços dos grãos nos mercados globais. A alta prejudicou particularmente os países mais pobres.

A Turquia e as Nações Unidas fecharam este acordo inicialmente em julho de 2022, em virtude do qual abriram corredores seguros para a navegação de navios carregados com cereais ucranianos.

No entanto, o acordo esteve regularmente em perigo toda vez que a Rússia e a Ucrânia tiveram que renová-lo.

Em 19 de março, o acordo foi renovado por 60 dias, e não por 120, como a Ucrânia queria, depois que a Rússia pôs uma série de condições sobre a mesa, entre elas a exportação de seus fertilizantes.

Até então, mais de 30 milhões de toneladas de grãos e outros produtos agrícolas foram exportadas graças ao acordo.

Apesar de ter sido privada de um quarto de suas terras cultiváveis e com uma produção que em 2023 será 50% inferior à de 2021, a Ucrânia "continua sendo vital" para o mercado mundial de grãos, informou à AFP, antes do anúncio desta quarta, Sébastien Abis, pesquisador associado do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), com sede na França.

O chefe de assuntos humanitários da ONU, Martin Griffiths, tinha manifestado na segunda-feira sua preocupação com a "redução significativa dos volumes de exportações que saem dos portos ucranianos", e pediu "responsabilidade" às partes pelo impacto do acordo nos países mais pobres.

O anúncio desta quarta ocorre em um momento oportuno para o presidente turco, que tentará, em 28 de maio, se reeleger em segundo turno contra seu adversário, Kemal Kiliçdaroglu.

"Putin dá de presente a Erdogan uma nova vitória diplomática antes do segundo turno da eleição presidencial" turca, escreveu no Twitter Emre Peker, do centro de reflexão Eurasia Group.

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