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Município onde Bolsonaro nasceu pode ser extinto com proposta do presidente

Bolsonaro nasceu em Glicério, cidade com menos de 5.000 habitantes (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

REDAÇÃO NOTÍCIAS

  • Presidente propôs extinguir municípios com menos de 5.000 habitantes

  • Com 4.815 moradores, Glicério (SP) pode se tornar um distrito de Penápolis

A proposta de emenda constitucional de Jair Bolsonaro (PSL) que sugere extinguir municípios com menos de 5 mil habitantes desagradou muitas pessoas. Em especial, os moradores da cidade onde o presidente nasceu: Glicério, no interior de São Paulo, onde vivem 4.815 pessoas segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Jair Messias Bolsonaro nasceu no município que fica a 490 km da capital paulista no dia 21 de março de 1955. Foi registrado em Campinas, também no interior de São Paulo, oito meses depois. Só retornou ao pequeno município no ano passado, durante a campanha eleitoral, quando se disse emocionado por estar na cidade e foi recebido com pompas pelo prefeito tucano Ildo Gaúcho.

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Além de ter menos de 5 mil habitantes, Glicério tem arrecadação própria abaixo de 10% da receita total – o que significa que não preenche outro pré-requisito estipulado na proposta de Bolsonaro. Caso o plano seja posto em prática, a cidade passará a ser um distrito de Penápolis, que fica a 15 km de distância. Glicério sumiria do mapa 93 anos após sua emancipação, em dezembro de 1925.

65% dos eleitores da cidade votaram no capitão reformado, o que equivale a 1.749 votos. Quando visitou o município durante sua campanha, Bolsonaro foi recepcionado com festa por centenas de pessoas e fez um discurso na praça principal pedindo o voto de seus conterrâneos. Na época, recebeu elogios de Ildo Gaúcho:

"O senhor é bem-vindo a sua terra. Glicério vai fazer história nesse país e todos nós aqui estamos orgulhosos de receber a sua pessoa. O senhor não teve a vergonha de dizer que nasceu em Glicério, isso é muito importante."

Em entrevista à Rádio CBN, o prefeito disse discordar da proposta:

"Não apoio e não aprovo. Tem município pequeno com dificuldade, tem sim, muitos. Mas não é por culpa do município. É pelo sistema que existe hoje na nossa política de distribuição de renda. O governo federal leva muito dos municípios e repassa pouco, essa é a realidade.”