Promoção de P&Ms empresas está no coração da estratégia ibero-americana

Pilar Domínguez.

Cádiz, 16 nov (EFE).- A promoção das pequenas e médias (P&Ms) empresas na América Latina, assim como o desenvolvimento da infraestrutura nessa região se situam no coração da estratégia ibero-americana de crescimento e internacionalização.

As pequenas e médias empresas constituem 99% das empresas na América Latina, mas adoecem por causa de baixa produtividade e dificuldades para se financiar, segundo o Fórum Empresarial realizado hoje no marco da 12ª Cúpula Ibero-Americana em Cádiz (Espanha).

Estas empresas, que empregam 67% dos trabalhadores da região, só contribuem em 20% para o PIB, segundo um relatório da OCDE e da Cepal apresentado em tal fórum e no qual se prevê que a economia da América Latina crescerá 3,2% este ano e 4% em 2013.

Apesar do contínuo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, as perspectivas econômicas da região "estão submissas à incerteza e volatilidade no contexto externo", assinala o relatório, apresentado nesta sexta-feira em Cádiz pelo secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, e pela secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena.

O crescimento na América Latina "é quase um clichê", disse Gurría ao ressaltar que a região enfrenta "grandes desafios" a longo prazo, como a redução da demanda interna e a exportação de recursos naturais.

A América Latina deve mudar seu modelo de produção porque na atualidade está centrado demais no mercado de matérias-primas, disse.

"Dado que as relações de interdependência são cada vez maiores, as respostas para a crise devem ser globais e coordenadas, o que redundará em benefícios para todos", segundo as conclusões do Fórum, nas quais se ressalta que a comunidade ibero-americana tem capacidade econômica e política para se fazer escutar no âmbito internacional".

A Europa poderia ajudar a América Latina a aumentar seus investimentos em infraestrutura, que deveriam passar de 2% atuais para 5% em 2020, disse Gurría, lamentando que a região só destine 0,6% de seu PIB para tecnologia (P&D).

"A Europa vai se recuperar e estará melhor do que nós quando terminar a crise", assinalou Gurría.

O relatório da OCDE e da Cepal, que há seis anos é apresentado no marco da Cúpula Ibero-Americana, se centra nesta ocasião nas pequenas e médias empresas latino-americanas e na forma de impulsioná-las com mudanças estruturais.

As pequenas e médias empresas são "atores-chave para aumentar o crescimento potencial da América Latina", segundo o relatório que indica que as grandes empresas na região têm níveis de produtividade que chegam a ser 33 vezes maiores do que as das microempresas e seis vezes mais do que as pequenas, comparado com 1,3 e 2,4 vezes nos países da OCDE, assinala o relatório.

Bárcena destacou, por sua vez, o grande papel das P&Ms para reduzir a pobreza e as desigualdades.

As pequenas e médias empresas na América Latina só têm acesso a 12% do crédito total, disse Bárcena, pedindo ajuda dos bancos espanhóis neste âmbito.

"Temos que conseguir a internacionalização das pequenas e médias empresas" da América Latina, acrescentou o responsável da Cepal, destacando que o investimento é "uma oportunidade renovada na região ibero-americana" e se referiu concretamente à necessidade de desenvolver a tecnologia da informação e comunicação na América Latina.

Na apresentação, o ministro de Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, ressaltou que a "América Latina oferece enormes oportunidades à Espanha", país que, segundo disse, tem empresas muito competentes e que podem se associar com latino-americanas, porque os espanhóis e os latino-americanos "se entendem bem".

García-Margallo também disse que a Espanha pode ser para a América Latina a porta de entrada para a África.

Participaram também o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luis Alberto Moreno, e Enrique García, presidente da CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina).

Nas conclusões do Fórum, consta o Acordo Marco de Colaboração ao qual aderiram Colégios de Advogados e Câmaras de Comércio e Empresariais de grande prestígio e tradição de toda região ibero-americana, para promover a criação de um Centro Ibero-americano de Arbitragem Internacional. EFE

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