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Projeto quer trazer 'economia do cuidado' para dentro do PIB

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A cidade de Belém (PA) começou a desenvolver um projeto-piloto que pretende apoiar mulheres inseridas na chamada economia do cuidado. A área reúne uma série de atividades historicamente associadas à população feminina, que muitas vezes nem é remunerada pela realização das tarefas.

Essa lista dos chamados 'trabalhos invisíveis' vai desde afazeres domésticos até os cuidados com crianças, idosos e pessoas com deficiência.

Conforme os responsáveis pelo projeto, um dos objetivos é criar alternativas para que as mulheres cuidadoras consigam progredir no mercado de trabalho e alcancem melhores condições de remuneração, seja nessa mesma área ou em outros setores da economia local.

A iniciativa nasceu de uma parceria entre a Open Society Foundations, fundada pelo megainvestidor George Soros, a ONU Mulheres Brasil e a Prefeitura de Belém.

O programa tem duração prevista até agosto de 2024, com financiamento de US$ 700 mil. A fonte dos recursos é a Open Society.

A criação do projeto foi formalizada no final de maio. De lá para cá, agentes da prefeitura começaram a receber capacitação para compreender as características da economia do cuidado, diz Alfredo Costa, presidente da Funpapa (Fundação Papa João 23). O órgão é responsável pela gestão das políticas de assistência social em Belém.

De acordo com Costa, o treinamento das equipes deve se estender por mais dois ou três meses. Em seguida, a meta é começar o mapeamento das necessidades das mulheres inseridas na economia do cuidado.

"As políticas que serão implementadas ainda não estão definidas. Elas serão elaboradas a partir da análise", afirma Costa. "Por exemplo, podem ser criados cursos que auxiliem essas mulheres em termos de autonomia financeira", acrescenta.

De acordo com Pedro Abramovay, diretor para a América Latina e Caribe da Open Society Foundations, a iniciativa é pioneira no Brasil. "As pessoas não vivem sem cuidado. O que acontece é que, historicamente, esse papel tem sido colocado para as mulheres, e muitas vezes sem remuneração", relata.

Abramovay afirma que é preciso "incluir" esse tipo de ação no PIB (Produto Interno Bruto). Segundo ele, as políticas que devem ser desenhadas em Belém dependem da análise das necessidades locais.

É possível, diz, que parte das mulheres cuidadoras não consiga trabalhar fora de casa por falta de creches em determinados horários ou regiões da capital paraense.

Se essa situação for diagnosticada, o mapeamento poderá abrir caminhos para possíveis saídas para o problema, inclusive propondo a abertura de novas creches para o poder público.

"É preciso localizar as pessoas. O estado assume a capacitação para colocá-las de volta ao mercado de trabalho. Se uma mulher souber cuidar de idosos, por exemplo, ela pode ser contratada para isso."

Em um projeto similar com a participação da Open Society em Bogotá, na Colômbia, um ônibus circula pela cidade com serviços diversos para as mulheres cuidadoras, desde a oferta de vagas de trabalho até a obtenção de documentos.

Segundo Abramovay, além do interesse da Prefeitura de Belém, o fato de o município estar na região da Amazônia, foco de olhares internacionais, também pesou para a escolha pela capital paraense.

"Qualquer projeto de preservação da Amazônia tem de ter as pessoas no centro. É preciso pensar no desenvolvimento das cidades da região", afirma.

REEQUILÍBRIO DE RESPONSABILIDADES

No anúncio do projeto, os responsáveis pela iniciativa citaram dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que apontam que as mulheres dedicam 73% a mais do tempo a trabalhos domésticos e tarefas de cuidado na comparação com os homens —tanto de maneira exclusiva quanto em jornada extra.

Isso é visto como um fator que limita a participação delas em atividades de desenvolvimento pessoal e profissional.

"É preciso chamar atenção para a corresponsabilidade do cuidado. O cuidado não deve ser inerente às mulheres. A ideia [do projeto de Belém] também é discutir os papéis da sociedade", aponta Vanessa Sampaio, gerente da área de empoderamento econômico da ONU Mulheres Brasil.

Ela sublinha que a pandemia aumentou a demanda por ações de cuidado. Foi justamente a parcela feminina da sociedade que sentiu mais a sobrecarga, diz Vanessa.

Segundo ela, o projeto na capital paraense pretende desenvolver um sistema de cuidados que funcione de maneira integrada, com creches e outras instituições de assistência nas áreas de educação e saúde. Para as mulheres, uma das metas é fornecer capacitação, indica.

"Existem mulheres que atuam como cuidadoras de idosos, por exemplo, e muitas vezes não são formalizadas. A intenção é oferecer capacitação para que elas possam fazer parte do mercado de trabalho formal."

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