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Projeto para "bloquear" a luz solar, apoiado por Bill Gates, é adiado para 2022

Danielle Cassita
·2 minuto de leitura

O bilionário Bill Gates vem dedicando parte de seu tempo a um projeto experimental da Universidade de Harvard, que seria uma alternativa para tentar reduzir o aquecimento global. O projeto consiste em pulverizar uma poeira na atmosfera para refletir, de volta para o espaço, a luz do Sol que incide sobre a Terra. Contudo, a iniciativa vai precisar esperar mais um pouco para começar a sair do papel, já que um teste do projeto que seria feito na Suécia não acontecerá antes de 2022.

É que Gates, junto de outros doadores privados, está dando apoio financeiro ao programa Solar Geoengineering Research Program, da Universidade de Harvard. A iniciativa conta com o Experimento de Perturbação Controlada Estratosférica (SCoPEx) que, em linhas gerais, propõe lançar uma pequena quantidade de partículas aerossolizadas a fim de refletir a radiação solar de volta para o espaço, o que resfriaria a superfície de forma parecida como acontece nas erupções vulcânicas.

O balão científico que será usado para o experimento (Imagem: Reprodução/Keutsch Group at Harvard)
O balão científico que será usado para o experimento (Imagem: Reprodução/Keutsch Group at Harvard)

Para isso, um balão de alta altitude seria lançado, levando instrumentos a 20 km de altitude na atmosfera. Depois que estiver na localização correta, uma pequena quantidade de material será liberada para criar uma massa de ar perturbada com até 1 km de extensão e 100 m de diâmetro. Depois, o mesmo balão seria usado para coletar medidas das mudanças na massa de perturbada, incluindo dados da densidade dos aerossóis, da química atmosférica e dispersão da luz.

A equipe do SCoPEx propôs realizar um experimento piloto para verificar como a tecnologia se sairia e, assim, evitar o uso prático de um sistema que nunca foi testado. Neste caso, a ideia era realizar um estudo em uma pequena região da Suécia, em junho, para os pesquisadores verificarem o desempenho do balão, testando o controle vertical e horizontal, além de sistemas de dados, navegação e comunicação.

Contudo, a universidade decidiu adiar o experimento para poder investigar quais seriam os impactos tanto na região quanto para o povo Sami, que vive por lá. Cientistas e ambientalistas ficaram preocupados com os riscos que a tecnologia poderia oferecer, porque, como as partículas seriam inseridas na estratosfera, elas poderiam causar danos na camada de ozônio e até afetar ecossistemas. Assim, a universidade explica ser preciso realizar mais análises sobre os efeitos que seriam causados, e o comitê envolvido no projeto propôs que o lançamento ocorra somente em 2022 — caso tudo saia do papel, de fato.

A ideia controversa é uma iniciativa de geoengenharia, que consiste em tecnologias usadas para tentar alterar as características físicas da Terra em grande escala. Aliás, ela está longe de ser pioneira, já que uma equipe de cientistas havia proposto, em 2018, que sulfatos poderiam ser liberados na atmosfera superior da Terra para reduzir a radiação solar na atmosfera. Outras práticas da geoengenharia envolvem as nuvens, por exemplo, que recebem partículas como se fossem sementes para causar chuva.

Fonte: Canaltech

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