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Em projeto de lei, Flordelis copia até erros de português de artigo de advogado

Colaboradores Yahoo Notícias
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A deputada federal Flordelis, fala sobre a morte de seu marido, o pastor Anderson do Carmo.
A deputada federal Flordelis, fala sobre a morte de seu marido, o pastor Anderson do Carmo.

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ), investigada pelo assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, apresentou um projeto de lei com trechos idênticos ao artigo de um advogado.

De acordo com a revista época, Flordelis usou sua cota parlamentar para contratar a empresa Mais Contabilidade Serviços Contábeis e Consultoria Empresarial, que fica na região administrativa de Samambaia, no Distrito Federal, para a elaboração de dois projetos de lei: um que suspende os prazos de validade de concursos públicos e outro que suspende a execução de cobranças de multa.

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O primeiro projeto, apresentado em 6 de abril, tem pelo menos três dos seis parágrafos com trechos idênticos a um artigo publicado em 31 de março, no portal de conteúdo jurídico Migalhas, assinado pelo advogado Agnaldo Bastos, sócio de um escritório em Goiânia.

“De acordo com as orientações do Ministério de Saúde e de diversos decretos governamentais, ficou estabelecido a proibição de eventos que envolva aglomeração de pessoas, portanto, poderão prejudicar as nomeações e convocações por prazo indeterminado”, escreveu Bastos.

Flordelis manteve inclusive os erros de concordância no artigo do advogado, como “ficou estabelecido a proibição” e “eventos que envolva”: “Por orientações do Ministério de Saúde e de diversos decretos governamentais, ficou estabelecido a proibição de eventos que envolva aglomeração de pessoas, portanto, poderão prejudicar as nomeações e convocações de candidatos por prazo indeterminado”.

Em outra parte do artigo, Bastos afirmou: “Neste cenário de incertezas e inseguranças, onde diversos prefeitos, governadores e até o presidente da República emitiram vários decretos de Situação Emergencial na Saúde Pública”.

Já o projeto da deputada diz assim: “Neste cenário de incertezas e inseguranças, não se é razoável permitir que os concursos públicos percam os prazos de validade”.

O projeto de lei em questão não teve nenhuma movimentação sequer na Câmara. Procurada, a deputada afirmou que não conhece o artigo e que a contratação respeitou os “preceitos jurídicos legais”. A empresa Mais Contabilidade não respondeu.