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Projeto de balé clássico em favela do Rio tem cem bailarinas inscritas outras cem na fila de espera

·3 minuto de leitura

RIO — Creusa da Silva Joaquim, de 52 anos, dá aulas de dança como voluntária na ONG AfroReggae. Em um dos seus primeiros dias diante da turma, foi surpreendida por uma conversa entre duas meninas que nunca esqueceu: “Já viu? A tia é preta.”

— Aquilo me chamou muita atenção porque o balé não chegava para essas crianças, não chegava até a comunidade. Além do mais, a referência da dança clássica era sempre de uma professora branca e de cabelo esticado. Conseguimos mudar essa ótica — conta a professora, há quase uma década ensinando passos de balé na comunidade de Vigário Geral.

Já de volta à rotina presencial, com máscaras acrescentadas ao tradicional figurino, o projeto gratuito, iniciado em 2012, reúne atualmente cem alunas de 4 a 17 anos — e igual número aguardando na fila de espera aberta recentemente. Atualmente, não há nenhum menino inscrito. Filha de uma família pobre do subúrbio, de um militar da Aeronáutica e uma dona de casa, a professora, bem pequena, encantou-se ao assistir a uma apresentação de “O Quebra-Nozes”, clássica atração natalina do Theatro Municipal. Ali, decidiu que queria ser bailarina.

Combate à evasão escolar

Ao longo de sua trajetória, Creusa Joaquim enfrentou preconceitos que hoje ajuda a derrubar na sala espelhada do Centro Cultural Waly Salomão, o QG do AfroReggae. A mestra calcula já ter espalhado dezenas de alunas por companhias de dança da cidade e guarda especial orgulho pela presença de seis antigas pupilas no corpo de baile do Theatro Municipal. Sua rotina, no entanto, vai além dos movimentos harmoniosos ao som da música: como parte de um projeto social, envolve preocupações como a violência e o combate à evasão escolar.

— Queremos transformar a comunidade e mostrar que essas meninas podem tudo — disse a professora.

Com paciência, Creusa Joaquim corrige os movimentos de cada aluna e sempre aproveita para se lembrar de antigas participantes do projeto que furaram a bolha, venceram o preconceito e tomaram novos rumos.

— É uma luta diária convencê-las a ficar. Mas é gratificante quando conseguimos. Temos seis meninas em outras escolas de balé, ganhando bolsa integral, seguindo carreira — conta a professora, que não perde uma chance de mostrar para a turma vídeos da bailarina carioca Ingrid Silva, nascida em Benfica, filha de empregada doméstica e, há dez anos, artista do Dance Theater of Harlem, em Nova York.

— A Ingrid é uma referência. Se ela conseguiu, porque as meninas daqui não podem conseguir? — pergunta Creusa Joaquim.

A professora sabe que os desafios não são poucos. Ela mesma se lembra de uma aluna com grande talento, “pronta”, que engravidou aos 14 anos. Essa é a idade de Isabela Vitória Ferreira da Silva, que está no 8º ano do ensino fundamental e foi matriculada nas aulas de dança aos 4 anos. Aos 12 anos, saiu por causa de problemas familiares, mas agora está de volta.

— Eu gosto, tenho vontade de dançar profissionalmente. Quero muito seguir adiante e quem sabe um dia dançar no Municipal — diz a adolescente.

Com aulas às segundas e às quartas-feiras, em cinco horários, a direção do AfroReggae exige que as crianças estejam matriculadas na escola e tenham comprometimento com o curso. Para William Reis, coordenador executivo da ONG, os projetos oferecem “democratização no acesso à arte e à cultura”. Ele comemora o número expressivo de crianças que procuram aulas como a de balé e a de percussão, uma das mais antigas da ONG, que chegou em Vigário Geral em 1993.

— Fazemos um trabalho de consciência social e racial. Aqui, a gente mostra para a criança que existe referência, um outro mundo. Essa é a concretização do que sempre pregamos: a questão da favela não se resolve só com fuzil e “caveirão”.

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