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Projeções ruins para a economia são de 'militantes políticos', diz Guedes

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 08/09/2022, BRASIL - GUEDES EM SAO PAULO - 17:10:49 - O ministro Paulo Guedesparticipa da #ABX22 Automotive Business, no Sao Paulo Expo, na zona sul. (Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 08/09/2022, BRASIL - GUEDES EM SAO PAULO - 17:10:49 - O ministro Paulo Guedesparticipa da #ABX22 Automotive Business, no Sao Paulo Expo, na zona sul. (Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno das eleições, o ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou que as previsões negativas para o próximo ano podem se concretizar caso Jair Bolsonaro (PL), em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, não seja reeleito.

Em entrevista à rádio Guaíba nesta segunda-feira (19), Guedes disse que as projeções ruins para a economia em 2023 —devido aos aumentos nos gastos públicos para enfrentar a Covid e para turbinar benefícios sociais– são de "militantes políticos", que estão fazendo a "rolagem da desgraça".

"Os erros de previsão são de duas naturezas. Primeiro são os erros de militantes, dos militantes políticos", disse. "Eles falaram que a desgraça era em 2019, 2020 e 2022. Agora, eles estão fazendo a rolagem para o ano que vem. Um dia vai dar certo, principalmente dependendo do resultado da eleição. Se votarem no candidato dele [em referência a Lula, em primeiro lugar nas pesquisas], pode acontecer tudo isso que eles estão prevendo. Agora, se for conosco, segue o jogo. Vai ter crescimento".

Nesta segunda-feira (19), Guedes participou virtualmente do 7º Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos, no qual voltou a exaltar a economia brasileira e dizer que projeções ruins são intencionalmente produzidas. "De um lado, tem as narrativas políticas de piora do Brasil e, de outro lado, tem os fatos, mostrando uma reaceleração do crescimento econômico", disse.

Em sua fala, o ministro valorizou as políticas fiscal e monetária de sua gestão e disse que a inflação está começando a recuar, sem mencionar questões como o aumento da fome e a queda da renda do trabalho ao longo da pandemia.

Guedes ainda fez críticas a gestões anteriores, dizendo que só agora o país está mudando o eixo de crescimento da economia. Nas últimas semanas, o ministro embarcou de vez na campanha de Bolsonaro, marcando presença em encontros com empresários para rebater críticas e defender políticas da sua gestão. Na semana passada, repetindo o mandatário, Guedes associou o candidato petista ao "capeta" e criticou "excessos" do Judiciário.

O chefe da equipe econômica também tem aproveitado esses encontros para fazer promessas. No Congresso desta segunda, por exemplo, ele repetiu que vai zerar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) num eventual segundo mandato de Bolsonaro, dizendo que também pretende simplificar, reduzir alíquotas e eliminar outros impostos.

Ao final de sua fala, que durou cerca de 45 minutos, Guedes subiu ainda mais o tom eleitoral. "Já estamos no caminho da prosperidade, basta não fazer besteira e votar corretamente", disse.

GUEDES CRITICA ATUAÇÃO DO BANCO CENTRAL

À rádio Guaíba o ministro também disse que o BC (Banco Central) errou ao alertar que o Brasil corria risco fiscal em 2021. Afirmou ainda que a autoridade monetária falhou em previsões para o PIB (Produto Interno Bruto).

No entanto, Guedes disse tratar-se de um erro técnico e não de "natureza militante", já que o BC não teria percebido uma mudança no eixo da economia.

"Ele [Banco Central] passou o ano falando do fiscal, quando na verdade nós estávamos indo para um superávit fiscal. Então, ele não percebeu essa mudança de estrutura na economia brasileira. Ele estava preocupado com o fiscal e eu estava preocupado com os juros negativos."

Apesar das críticas à autarquia, Guedes elogiou Roberto Campos Neto, presidente do BC, e creditou os erros de previsão aos integrantes da diretoria da autarquia.

"Graças a Deus o Roberto Campos, que é um ótimo, excelente presidente do Banco Central, percebeu, acabou se adiantando e ficando à frente da inflação", disse.

Após levar a taxa básica de juros ao menor patamar histórico de 2% ao ano, o BC começou a subir a Selic em março de 2021, quando a inflação acumulada em 12 meses girava em torno de 6%. Agora, em meio à indicação de que o ciclo de aperto está próximo do fim, com a Selic nos atuais 13,75%, o IPCA acumulado em 12 meses até agosto está em 8,73%.