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Projeção revisada do PIB de 2020 não ficará abaixo de 2%, diz Sachsida

Lu Aiko Otta

Novo dado oficial do governo será divulgado na próxima quarta-feira e trará piora de cenário por conta dos impactos do coronavírus O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019 veio em linha com as projeções do governo, afirmou nesta quarta-feira o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida. Sua área estimava uma expansão de 1,12%, e o resultado, disse ele, foi de 1,14%.

“Tivemos em 2019 o melhor segundo semestre desde 2013”, ressaltou. Para ele, o ano deve ser dividido em duas partes: um cenário muito difícil até agosto e um cenário mais positivo a partir de setembro.

O secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, reforça necessidade de insistir na agenda de reformas

Marcos Oliveira/Agência Senado

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“Ainda existe um longo caminho a ser percorrido”, afirmou. Segundo ele, é preciso consolidar as reformas e persistir no combate à má alocação de recursos.

Na próxima quarta-feira, o governo deverá divulgar sua nova projeção para o PIB de 2020. Segundo Sachsida, a nova estimativa de crescimento não ficará abaixo dos 2%. Mas incorporará a piora do cenário trazida pelo coronavírus.

“A melhor vacina contra o coronavírus é insistir na agenda de reformas”, insistiu o secretário, defendendo que as mudanças legislativas propostas pelo governo devem ajudar a promover o crescimento da economia, mitigando assim os efeitos da epidemia.

Segundo ele, a adoção de novos estímulos fiscais ao crescimento pode ser mais prejudicial ao PIB do que o coronavírus.

Em meio à crise entre o Planalto e Congresso em torno do orçamento impositivo, o secretário disse que o coronavírus pode ser um elemento de união de lideranças em torno da agenda de reformas.

“Quem sabe, não será elemento de união nesse momento delicado da economia mundial”, disse. “As grandes lideranças políticas poderão entrar num acordo no sentido de aprovar as medidas de ajuste.”

Questionado sobre a possibilidade de corte na Selic para ajudar a economia, Sachsida disse que não comentaria taxa básica de juros ou câmbio, que são atribuições do Banco Central.

Composição

Cálculos da Secretaria de Política Econômica mostram que o resultado do PIB de 2019 deixa um carregamento estatístico de 0,82% para este ano. Ou seja, se não houver nenhum crescimento até dezembro, ainda assim, estatisticamente, o PIB terá uma alta de 0,82%.

Alguns fatores, segundo destacou em nota a Secretaria de Política Econômica (SPE), devem contribuir para um crescimento maior neste ano, caso de medidas que buscam melhorar a alocação de recursos na economia e consolidação fiscal.

No entendimento da SPE, o investimento deve, puxado pela redução na taxa de juros, levar ao aumento da lucratividade das empresas e à expansão do crédito.

Na análise da secretaria, houve melhora na composição do crescimento, “indicando aceleração substancial do PIB e do investimento privado, e mostrando uma retomada da economia independente do setor público.”

Os técnicos também destacam que o resultado foi impactado por choques negativos, como a tragédia de Brumadinho e a crise na Argentina.