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Projeção para PIB de 2020 cai de 2,17% para 1,99%, aponta Focus

Felipe Frisch

Corte reflete mudanças nas expectativas anunciados por instituições financeiras na semana passada; estimativa para IPCA interrompe queda e sobe para 3,20% A mediana das projeções do mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020 registrou queda forte, de 2,17% para 1,99%, no Relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado nesta segunda-feira com estimativas coletadas até o fim da semana passada.

O corte — pela quarta semana consecutiva — reflete as mudanças nas expectativas anunciados por instituições financeiras na semana passada, após o aumento dos receios quanto aos efeitos da epidemia de coronavírus na economia mundial e com casos sendo confirmados no país.

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O Itaú, por exemplo, revisou sua projeção de expansão da economia brasileira em 2020 de 2,2% para 1,8%. A Guide Investimentos fez um corte ainda mais severo, de 2,4% para 1,6%. Outros ajustes, de instituições de diferentes portes, são esperados para hoje e ao longo da semana.

Para 2021, o ponto-médio das expectativas permaneceu inalterado em 2,50%, praticamente o mesmo percentual desde que o Banco Central começou a coletar as estimativas dos economistas para o período, em março de 2017.

A economia brasileira cresceu 1,1% no ano passado, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira.

Apesar de o dado bruto corresponder à mediana das expectativas do mercado em termos percentuais, os números do investimento e da indústria vieram piores do que o esperado, tornando mais difícil a recuperação consistente da atividade econômica em 2020, especialmente nos primeiros meses do ano.

Projeção para inflação interrompe queda

Depois de nove cortes consecutivos, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no fim deste ano subiu de 3,19% para 3,20%, segundo o Focus divulgado hoje.

Para 2021, ficou parada em 3,75%, nível em que está praticamente desde que foi definida a meta de inflação para o ano.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, os chamados Top 5, de médio prazo, a mediana para a inflação oficial também não sofreu alterações em relação à sondagem anterior: ficou em 3,16% para 2020 e 3,73% para 2021.

Para os 12 meses seguintes, a pesquisa indicou alta, de 3,56% para 3,66%, no IPCA acumulado.

A meta de inflação a ser perseguida pelo BC é de 4,00% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,50% para 2022, sempre com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Top 5 derrubam projeção para Selic

A mediana das estimativas para a taxa básica de juros no fim de 2020 caiu de 4,25% para 3,50% entre os economistas que mais acertam as previsões, os chamados Top 5, de médio prazo, segundo o Focus.

Entre os economistas em geral, no entanto, o ponto-médio para a Selic no fim de 2020 manteve-se nos mesmos 4,25% das últimas sete semanas.

Para 2021, a projeção para a Selic também recuou, de 5,75% para 5,00% entre os campeões de acertos, e de 5,75% para 5,50% entre os economistas em geral.

Projeção para dólar para fim de 2021 sobe

A mediana das estimativas para o dólar no fim de 2021 foi elevada de R$ 4,15 para R$ 4,20, segundo o Focus.

Para 2020, o ponto-médio já estava em R$ 4,20 na semana passada, e assim permaneceu, possivelmente com economistas esperando um cenário mais claro, e com oscilações menos bruscas de curto prazo, para ajustar suas projeções.

Da mesma forma, a mediana das apostas também ficou parada, em R$ 4,15 no fim de 2020 e R$ 4,17 em 2021, entre os economistas que mais acertam as previsões, os chamados Top 5, de médio prazo.