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Projeção de déficit do governo central sobe para R$ 708,9 bi no Prisma Fiscal

Edna Simão

Versão anterior do relatório que reúne cenário de especialistas ouvidos pelo Ministério da Fazenda indicava um rombo primário de R$ 571,4 bilhões Especialistas ouvidos pelo Ministério da Fazenda no relatório Prisma Fiscal pioraram as estimativas para o resultado das contas públicas neste ano. O déficit do governo central – que reúne as contas de Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central – em junho foi estimado por eles em R$ 708,876 bilhões (de R$ 571,409 bilhões no mês passado).

Para 2021, a estimativa de déficit saltou de R$ 169,402 bilhões para R$ 200 bilhões. Os números correspondem à mediana das estimativas dos analistas, que foram colhidas até o quinto dia útil do mês.

Além do resultado primário, o mercado estima no Prisma outros indicadores fiscais. Para a receita líquida do governo central, a projeção está em R$ 1,165 trilhão para este ano (de R$ 1,187 trilhão um mês atrás). Já a estimativa da despesa total subiu de R$ 1,758 trilhão para R$ 1,843 trilhão. Para 2021, a previsão de receita líquida passou de R$ 1,334 trilhão para R$ 1,306 trilhão.

No caso da dívida bruta, um dos principais indicadores de solvência observados pelo mercado internacional, a projeção está em 92,68% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 (de 89,95% no mês anterior). Para 2021, essa previsão passou de 88,60% para 92,79%.

Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), essa edição do Prisma Fiscal coletou informações junto a 53 instituições, refletindo a visão do setor produtivo durante período caracterizado pela agravamento da crise da Covid-19 e pelas medidas de isolamento social, adotadas em diversos níveis, por estados, Distrito Federal e municípios.

A SPE, conforme as informações do Ministério da Economia, informa que nos resultados para a mediana da previsão mensal, houve uma queda nas expectativas de arrecadação das receitas federais e de receita líquida do governo central, sem, entretanto, configurar uma mudança significativa nos números para o mês de junho (recuos na casa de 2,5%).

No que se refere às previsões para a despesa total do governo central e o resultado primário do governo central, o mercado avalia que haverá um aumento da despesa e uma piora no resultado primário, contudo, sem alterações expressivas quando comparadas com as expectativas anteriores para o mês de junho.

A SPE informa ainda que para os meses posteriores refletem, em certa medida, o que se espera para o resultado anual. “Em resumo, os números anuais apontam para o aumento na despesa total do governo e redução na receita. Essas expectativas apresentaram um desvio padrão menor em relação às previsões de maio, indicando que as instituições estão mais concordantes em relação aos valores esperados”, informa o documento.

Sobre o primário, de todos esses resultados, o que mais chama a atenção é a expectativa referente ao governo central, incorporando as medidas de combate do governo federal à crise da Covid-19.

Marcos Santos/USP Imagens