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Programa Artemis: projeto orçamentário pode forçar NASA a adiar retorno à Lua

Daniele Cavalcante
·4 minuto de leitura

O Senado divulgou, na última terça-feira (10), um projeto de lei para o financiamento da NASA durante o ano fiscal de 2021, propondo US$ 23,495 bilhões para a agência espacial. Este valor é US$ 866 milhões maior do que o projeto da Câmara, mas US$ 1,75 bilhão abaixo da solicitação enviada pela administração Trump. Caso seja aprovada como está, a lei pode significar atrasos no Programa Artemis, que visa pousar novos astronautas na Lua em 2024.

Nos últimos meses, a Câmara e um subcomitê do Senado dos Estados Unidos debateram e propuseram projetos de leis para determinar o valor que seria concedido à NASA, bem como especificar as quantias que deveriam ser aplicadas em cada um dos setores da agência. Na verdade, os debates se arrastam desde 2019, depois que o governo estadunidense pressionou a agência espacial a retornar com seus astronautas à Lua em 2024, e não somente em 2028 como planejado anteriormente.

Desde então, a NASA buscou apoio da Câmara, mas encontrou opositores à ideia de fornecer dinheiro o suficiente para o Programa Artemis. Jose Serrano, por exemplo, que preside o Commerce, Justice, Science, and Related Agencies Appropriations Subcommittee, questionou o prazo determinado por Trump. "Continuo extremamente preocupado com o avanço proposto em quatro anos desta missão", disse ele em outubro de 2019, afirmando que a data de 2024 foi escolhida por razões políticas, e não técnicas.

Conceito da futura base do programa Artemis, que visa estabelecer a presença humana permanente na Lua (Imagem: Reprodução/NASA)
Conceito da futura base do programa Artemis, que visa estabelecer a presença humana permanente na Lua (Imagem: Reprodução/NASA)

Em fevereiro de 2020, a administração Trump propôs aumentar o orçamento da NASA para financiar o Programa Artemis, mas o debate se arrastou e continua em aberto. Agora, as coisas podem complicar ainda mais para a NASA — com a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais, o administrador da NASA Jim Bridenstine, indicado pelo próprio presidente Trump para dialogar com os legisladores de modo bipartidário, decidiu deixar o cargo.

Ainda é cedo para saber como a saída de Bridenstine e a administração Biden mudarão os rumos da NASA, mas o Senado já deu seu parecer. O projeto de lei apresentado para o ano fiscal de 2021 não deve ser alterado, mas será usado como base para as negociações no próximo mês com a Câmara. A partir desse diálogo, o orçamento deverá ser aprovado (ou não).

Para os que aguardam um novo pouso humano na Lua, o cenário pode ser muito desfavorável. Afinal, além de verba para o Programa Artemis, é necessário continuar financiando os demais projetos da NASA em andamento. “Em um ambiente fiscal extremamente desafiador, o Comitê deve pesar e priorizar o financiamento de todas as atividades da NASA, bem como prioridades importantes”, escreveram os membros Senado. “No entanto, as deficiências da proposta de orçamento do ano fiscal de 2021 da NASA tornam impossível financiar totalmente todas as atividades propostas pela NASA.”

Um ponto crítico do Programa Artemis é o Human Landing System (HLS), que envolve o foguete poderoso que está em fase de desenvolvimento, chamado Space Launch System (SLS), mas que também sofreu com atrasos e aumentos de gastos. A NASA tentou obter US$ 3,2 bilhões para o projeto, o que seria o suficiente também para o desenvolvimento de uma ou mais naves tripuladas para pousar na Lua, mas o projeto de lei do Senado reserva apenas US$ 1 bilhão para este setor específico.

Conceito de astronauta na Lua ao lado do módulo de pouso do sistema HLS (Imagem: Reprodução/NASA)
Conceito de astronauta na Lua ao lado do módulo de pouso do sistema HLS (Imagem: Reprodução/NASA)

Os membros do Senado escreveram que “embora o Comitê apoie a missão de retornar astronautas dos EUA à superfície da Lua, o elemento de aterrissagem representa o maior custo remanescente”. Eles também mencionaram o risco técnico do HLS e concluíram que é “difícil analisar os impactos futuros que o financiamento da missão acelerada à Lua terá sobre outras missões importantes da NASA”. Em outras palavras, o Programa Artemis ainda está dentro do orçamento, mas não para um eventual pouso em 2024.

Não sabemos muito sobre os planos de Biden para a NASA, ou o que ele pensa sobre um retorno à Lua em 2024. A campanha dele disse pouco sobre o programa espacial e não mencionou nenhuma data para os projetos de exploração humana. Seja como for, muito sobre o assunto poderá ser determinado assim que a Câmara e o Senado decidirem a lei orçamentária para o próximo ano fiscal.

Fonte: Canaltech

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