Professora da PUC-RJ vê risco de queda de Mantega

A professora da PUC-RJ Monica Baumgarten de Bolle afirmou na manhã desta sexta-feira à Agência Estado que "o cargo do ministro Guido Mantega corre risco", com o fraco desempenho econômico neste ano, que, após a fraca expansão de 0,6% no terceiro trimestre, na margem, deverá registrar uma alta ao redor de 1% em 2012. "É possível que tenhamos um novo ministro da Fazenda no início de 2013", afirmou.

"A presidente Dilma Rousseff não vai querer entregar uma expansão média da economia menor do que a média do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que ficou em 2,7%. E para que esse patamar seja superado, será necessário que o PIB suba 3,8% no próximo ano, o que é muito difícil de ocorrer", destacou.

"O PIB e os investimentos no terceiro trimestre apresentaram resultados caóticos", disse. Monica destacou que o PIB em 2013 deve avançar entre 2% e 3%. "Nesse cenário de economia crescendo bem abaixo do potencial, o Banco Central deverá baixar os juros em mais 100 pontos-base no próximo ano", acrescentou.

O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou que a alta de 0,6% no PIB "mostra que o crescimento continua sofrível" no País.

Giannetti lembra que o cenário é negativo para o crescimento do PIB nos próximos trimestres por conta da falta de investimentos. "Sem investimento não tem produção", afirmou.

Opinião diferente tem o diretor da área de negócios do setor público do banco JPMorgan, Aod Cunha. Para ele, apesar do baixo nível de crescimento da economia brasileira em 2012, o País ainda tem uma perspectiva positiva para os próximos anos. "É importante olhar a trajetória de crescimento de longo prazo. Nós continuamos acreditando que o Brasil é um país de grandes oportunidades", afirmou.

Mas concorda com a necessidade de investimentos. Segundo Cunha, o interesse de estrangeiros no País permanece, mas ponderou que é preciso realizar investimentos para a economia superar os gargalos nas áreas de infraestrutura e logística. "Esse é um desafio, mas também uma oportunidade (de investimentos)", disse.

O economista-chefe da MCM, Fernando Genta, por sua vez, disse que "é praticamente impossível que o PIB suba mais que 1,1%" neste ano. Segundo ele, para que isso ocorresse, a economia teria que avançar mais que 1,5% no quatro trimestre, na margem. Ele espera que o PIB avance perto de 1%.

Com as surpresas negativas exibidas pelo IBGE sobre o nível de atividade no terceiro trimestre, ele revisou sua projeção para o crescimento do País em 2012, de uma alta de 1,4% para uma elevação entre 1% e 1,1%. "Não existe mais a desculpa dos fatores externos afetando o PIB. A reação da economia não está ocorrendo, por causa de muitas incertezas internas, como a manutenção do tripé macroeconômico, as intervenções do governo em vários setores produtivos e até a inadimplência das pessoas físicas, que está em 7,9% há quatro meses", disse.

Genta ainda afirmou que o fraco desempenho do PIB no terceiro trimestre vai aumentar o debate no mercado sobre se o Banco Central voltará a cortar os juros em janeiro, na primeira reunião de 2013. "Este é o momento mais delicado do governo Dilma Rousseff na gestão da economia, com crescimento fraco em dois anos e alta inflação", destacou.

O economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), Jankiel Santos, surpreendeu-se com os baixos desempenhos do setor de serviços e gastos do governo mostrados nas contas nacionais do terceiro trimestre. "O PIB foi surpreendentemente fraco e mais surpreendente ainda pelo setor de serviços rodando próximo de zero e os gastos do governo crescendo apenas 0,2%", estranhou.

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