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Professora da rede pública do Rio lança livro na Bienal: 'Fiquei com medo de não sobreviver à pandemia e ninguém ler minha história'

·3 min de leitura

RIO — A pandemia chegou como um turbilhão. Com o isolamento social imposto pela Covid-19, toda a população precisou aprender a lidar com um misto de sentimentos e emoções que, em boa parte desconhecidos, trouxeram medo e insegurança. Mas para a professora Alessandra Firmo da Silva, esse momento serviu como motivação para a realização de um sonho. Professora há 20 anos da rede municipal de educação, ela resolveu arriscar e agora lançará o seu primeiro livro na Bienal do Rio, que acontece de 3 a 12 de dezembro, no Riocentro, Zona Oeste da cidade.

— A Covid-19 me fez repensar, o que aconteceu mexeu com a gente. Fiquei com medo de não sobreviver à pandemia e ninguém ler minhas histórias, de ficarem por aí, esquecidas. Peguei a história mais próxima do sentimento de medo, que era o que estávamos sentindo, e mandei para algumas editoras. Um tempo depois, me retornaram com um sim.

A cada dois anos, a Bienal do Livro Rio recebe centenas de escritores que esperam ansiosamente o momento de celebrar suas histórias ao lado do público. De acordo com Alessandra, o medo de encarar o novo, aquilo que é novidade e gera insegurança, é o sentimento que aflige o protagonista de "Príncipe da Água" (Editora Litteris), história infanto-juvenil.

Mas, sem soltar spoilers, a escritora garante que tudo termina bem.

— O personagem central é um príncipe sozinho, inacessível, que vive só em seu castelo, mas precisa fazer uma transição. Ele descobre que tem de sair do castelo, do mundo que tem só pra ele. Ele não quer ir, tem medo do novo, da novidade. Mas conta com a ajuda de uma amiga, que consegue acessar o seu mundo e ajudá-lo. Mostra para ele que lá fora pode ser legal também e o ajuda na travessia. Mas o final é surpresa.

Alessandra leciona para alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, na Escola Municipal Professora Maria Luiza Lima Silva, em Cosmos, Zona Oeste do Rio. Seus alunos tornaram-se os primeiros a conhecer a história. E, segundo a professora, os retornos têm sido os melhores.

— Eles tiveram acesso privilegiado, recebi uma cota da editora, mostrei para eles e fiz até sorteio — conta ela, frequentadora assídua da Bienal.

O interesse pela leitura vem desde a infância. Já adulta, adquiriu o hábito de anotar em um bloquinho de papel cada vez que surgisse uma ideia com potencial para se tornar um livro. Graduada em Letras, a autora é especialista em literatura infanto-juvenil e tem as autoras Ana Maria Machado, Ruth Rocha e Roseana Murray como inspirações. Eclética, cita ainda Bartolomeu Campos de Queirós, Machado de Assis e Jane Austen entre os preferidos. Como professora, já venceu por três vezes o concurso "Leia Comigo", da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

— Sonhar não custa nada, mas agora o sonho virou realidade e eu estou apaixonada. Estou ansiosa, não sei como será a minha reação, era uma coisa que estava na minha cabeça e no meu coração, e agora virou realidade — vibra a autora, que já escolheu um lugarzinho especial para guardar o próprio livro em casa. — Virei autora da minha biblioteca.

Consagrada como o maior festival de cultura e literatura do Brasil, a Bienal Internacional do Livro Rio integra o calendário oficial da cidade e chega à 20ª edição propondo uma reflexão sobre quem éramos, quem somos e o que seremos daqui para frente. Desta vez, com todo o cuidado necessário pelo atual momento em meio à pandemia, o festival será online e offline. Com a missão de incentivar o hábito da leitura, a Bienal traz uma provocação: “Que histórias a gente precisa contar agora?".

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