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Professor de História leva placa oferecendo aulas particulares em escolas de Campina Grande e consegue emprego após viralizar nas redes sociais

·3 min de leitura

PARAÍBA — De bicicleta, o professor de história Diego Amorim, de 27 anos, saía de casa pontualmente às 11h, rumo à porta de escolas em busca de trabalho. O único companheiro do trajeto era um cartaz, amarrado ao lado da bike para divulgar que o paraibano dava aulas particulares e estava disponível para contato. A história de Diego, que se assemelha a de milhões brasileiros que se reinventaram por oportunidades na pandemia, repercutiu nas redes sociais após um colega de profissão compartilhar uma foto em que o historiador aguarda o movimento de saída e chegada de pais e alunos na esperança de conseguir ao menos uma hora-aula para complementar a renda. O resultado da mobilização foi o presente de, finalmente, ter a chance de atuar como professor.

Segundo Diego, desde que se formou em licenciatura, em 2018, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), nunca conseguiu exercer a profissão por falta de oportunidades. Então, teve a ideia de começar a dar aulas particulares a estudantes do ensino fundamental e médio. Devido à baixa demanda, no ano seguinte o professor ingressou no mestrado, decisão que, além de conhecimento, o proporcionou uma bolsa acadêmica por dois anos no valor de R$ 1,5 mil. Contudo, nomeado mestre em agosto e com quase nenhuma aula de reforço à vista, ele começou a “vender seu peixe” em frente aos locais em que almejava trabalhar um dia.

— Eu sempre dei aulas de reforço, mas nunca consegui um vínculo empregatício acredito que pela desvalorização do ensino. No momento em que a foto repercutiu eu não estava passando dificuldades, mas toda a economia que fiz enquanto recebia bolsa já estava acabando. Apesar dos professores terem sido muito abalados na pandemia, eu só estava em busca de uma chance na minha área — relata Diego.

Natural de Campina Grande, o professor tirava renda extra através de pacotes de aulas, a preço de R$ 35 a hora. Apesar de não ter sofrido com a baixa na renda durante a pandemia graças à ajuda da mãe, ele conta que estava preocupado em encerrar o ano, mais uma vez, sem perspectivas de emprego. Em alguns momentos, o sonho de estar num ambiente escolar precisou dar espaço a restaurantes, para conseguir se manter financeiramente.

Mas, levando ao pé da letra o ditado “a união faz a força”, sua história mudou no dia 11 deste mês, após o post sobre sua motivação em querer ensinar História alcançar mais de 126 mil pessoas pelas redes sociais. A mobilização foi tanta que Diego conseguiu fechar aulas com quatro alunos fixos e alguns outros esporádicos, que conheceram seu trabalho na internet. Complementando a felicidade do historiador, ele foi contratado por uma instituição particular para lecionar no ano letivo de 2022.

— Eu sou muito grato às pessoas que me ajudaram. Recebi muitas ligações e mensagens de pessoas me oferecendo emprego e isso significou muito para mim. Ensinar história é mostrar o que a gente passou enquanto humanidade e ensinar como se constrói um mundo melhor a partir do que já viveu. Nunca pensei que distribuir meu cartãozinho me levaria, praticamente da noite para o dia, a fazer o que eu sempre sonhei — afirma.

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