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Proeza tecnológica e espionagem por trás de mega operação do FBI

·3 minuto de leitura
Logotipo Anom exibido na tela de um smartphone em 8 de junho de 2021 em Paris

O aplicativo do FBI que possibilitou a prisão de 800 criminosos em todo o mundo foi o resultado de uma ideia brilhante e um feito tecnológico, que, no entanto, não teria funcionado sem um trabalho significativo de infiltração.

Ao longo de três anos, cerca de 12.000 telefones com um aplicativo de mensagens administrado secretamente pelo FBI foram distribuídos para criminosos de todos os tipos, de acordo com dados da polícia federal dos EUA, da agência policial europeia Europol e de vários países.

O aplicativo, chamado Anom, permitia a leitura direta por parte da polícia de conversas que os suspeitos acreditavam estar criptografadas.

"Não é uma farsa comum", mas uma amostra de "como as operações secretas na luta contra o crime organizado são fundamentais", disse à AFP Vanda Felbab-Brown, analista da Brookings Institution dos Estados Unidos.

Desenvolver esse "espião" foi uma boa ideia, mas teve de ser distribuído sem levantar suspeitas.

“Não consigo imaginar uma operação como esta no México”, diz a analista, “haveria um risco enorme de ser comprometida por funcionários corruptos”.

Em 2018, a infiltração do FBI nos sistemas de comunicação criptografados Phantom Secure e "Sky Global" permitiu o acesso às comunicações de dezenas de milhares de usuários, incluindo grandes nomes do crime organizado.

O fechamento dessas plataformas criou um vazio que o FBI queria preencher com seu próprio sistema, o Anom. Uma "fonte humana confidencial" não identificada o projetou e concordou em lançá-lo no mercado clandestino.

O boca a boca fez o resto.

Três anos depois, a operação resultou em 800 prisões, 700 locais revistados e a apreensão de 8 toneladas de cocaína e 22 de maconha, além de 250 armas de fogo e mais de US $ 48 milhões.

- Impacto psicológico -

O impacto desse golpe no crime organizado também é psicológico. “Isso inspira muita insegurança nos escalões superiores dos grupos, que vão desconfiar uns dos outros”, diz Flebab-Brown.

“Cada vez que as autoridades conseguem semear desconfiança, atrapalhar a cooperação, é uma importante vitória tática”.

Em relação a isso, os investigadores agora preveem alguma tensão. Como os grupos vão se comunicar? Eles serão tentados pelo contato físico, muito arriscado? A atividade diminuirá? Um novo sistema de mensagens criptografadas surgirá?

“Eu imagino que muitas pessoas estão quebrando seus telefones e se escondendo”, diz Bryce Pardo, do centro de estudos RAND em Washington.

Esta é a primeira vez que as agências de aplicação da lei projetaram e implantaram seu próprio serviço de comunicação criptografada. E isso por si só poderia impedir outros grupos criminosos de usar serviços semelhantes. Como eles podem ser confiáveis?

A operação também terá repercussões nos próximos meses, inclusive dentro das organizações que escaparam da operação e podem tentar tirar proveito dela.

"Isso abre a possibilidade de mudanças significativas no cenário criminal global", disse Jake Harrington, especialista em inteligência do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS).

“Grupos rivais que não estão envolvidos podem tentar lucrar, o que pode atrapalhar o equilíbrio do mercado”, acrescenta Bryce Pardo.

Segundo Vanda Felbab-Brown, o futuro do combate ao crime misturará "tecnologias ultramodernas com métodos primitivos".

"O jogo do gato e do rato ainda não acabou."

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