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Produção de conteúdo multimídia leva muitos influencers ao burnout, diz Mirna Borges

·9 minuto de leitura
Mirna Borges, do canal Economirna. Foto: Divulgação / Facebook
Mirna Borges, do canal Economirna. Foto: Divulgação / Facebook

Burnout é o nome de uma síndrome de esgotamento físico e mental geralmente associada a um ritmo frenético e excessivo de trabalho. Para a capixaba Mirna Borges, também conhecida pelo nome do seu blog e canal do YouTube, Economirna, produzir conteúdo para a internet pode ser tão estressante quanto um trabalho considerado "tradicional".

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"Você tá vivendo, tá postando, tá fazendo stories, tá botando nos stories do YouTube e do Instagram, vídeo no TikTok, postando no seu Telegram...", diz Mirna, em entrevista ao Yahoo. "Alguns influenciadores acabam sofrendo burnout porque não suportam essa velocidade com que as coisas têm que acontecer."

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Mirna, que prefere ser chamada de educadora financeira do que influenciadora, conhece bem a rotina de produção de conteúdo para a internet. São mais de 1,1 milhão de inscritos no YouTube e 243 mil seguidores no Instagram, sem contar os participantes de seus cursos online e outras redes, como Telegram e TikTok.

Ela comemora o fato de nunca ter sofrido o temido burnout graças a uma rotina de consultas quinzenais com seu psicólogo e a Deus. "Eu me inspiro em Jesus Cristo e acabou. Homem é homem", diz ela, que também produz conteúdo focado em investidores cristãos através de uma série no Instagram chamada "Estudo Financeiro Bíblico".

Nesta entrevista ao Yahoo, Mirna fala sobre as diferenças entre levar educação financeira ao público no YouTube e em uma igreja, as origens do Economirna, os desafios da profissão e a "ética" entre influencers.

Confira a entrevista completa a seguir.

YAHOO – Como surgiu o canal e o blog Economirna?

MIRNA BORGES – Primeiro surgiu o canal, em abril de 2016. Eu estava trabalhando fora do Brasil e fui transferida para cá. Tinha que transferir o meu dinheiro, e chegando aqui a gerente do banco me ligou para investir o dinheiro que estava parado na minha conta corrente. Ela me ofereceu um monte de produtos, eu não entendi nada e acabei aceitando todos.

À medida que o tempo foi passando, eu fui estudando sobre esses produtos. E cada vez mais eu descobria que tinha feito péssimas escolhas para o meu dinheiro. Depois de um tempo estudando sobre o assunto veio a vontade de ajudar outras pessoas. Assim como eu passei muita dificuldade por não entender nada, e por acabar aceitando algo que na verdade eu não conhecia, outros brasileiros poderiam estar na mesma situação que eu. Foi onde nasceu a ideia de criar um canal no YouTube.

E o blog veio depois?

A minha primeira ideia era criar um blog, só que eu lembro de ter conversado com um amigo meu mais novo e ele falou que o pessoal da idade dele estava vendo YouTube. Eu nem assistia a canais no YouTube. Falei: beleza, então, vamos criar um canal no YouTube. Ele tinha uma câmera e me ajudou, os primeiros vídeos eu gravei na casa dele. Depois eu comecei a gravar os vídeos aqui, comprei uma câmera, iluminação, microfone... e assim as coisas foram indo. Mas eu ainda trabalhava embarcada como engenheira.

Em que momento o canal passou a ser sua profissão principal?

Um ano depois da criação do canal, mais ou menos, meio de 2017, uma corretora quis patrocinar o canal. Nesse momento eu pude parar de embarcar, porque a corretora estaria patrocinando a gente todos os meses, e aí eu teria uma renda certa, não só de Google AdSense. Foi aí que eu parei de embarcar e foquei mesmo no canal e em viver como educadora financeira.

Hoje a gente tem contratos de patrocínio, tem o Google AdSense, publiposts no Instagram, vídeos patrocinados no YouTube e IGTV, cursos online de educação financeira e organização de vida financeira, de investimentos, e também agora a gente tem renda de palestras e eventos. Hoje já estamos bem diversificados de fontes de renda.

O que é mais difícil no trabalho como influenciadora de finanças?

Muitas vezes eu falo que eu não sou influenciadora, eu sou educadora. Eu acho que a gente faz um trabalho muito mais educacional do que de fato influenciar, né. A gente posta muito sobre um tipo de investimento, explicamos o que é, vantagens e desvantagens, e acaba que a pessoa que está assistindo toma a decisão dela.

Eu acho que o mais difícil é o estresse de produção. Você sempre tem que ter um novo conteúdo para postar, então a produção não para. Independentemente de eu estar doente, se eu não quiser gravar, eu tenho que postar no canal vídeos segunda, quarta e sexta. Então a gente tem que produzir, nós pesquisamos o tema, estudamos, roteirizamos para depois gravar. Não é uma coisa tão simples como ligar uma câmera e fazer um vídeo.

O mais desafiador é manter sempre a mesma qualidade de vídeos durante muito tempo, quando um canal já é muito maduro. E também a velocidade com que as coisas acontecem. Uma hora tem YouTube, outra hora tem o Instagram, tem o Facebook, tem e-mail marketing, tem Telegram, tem agora o TikTok... Nós temos que estar presentes no máximo possível de mídias. É um trabalho que desgasta bastante. A cobrança também, muitas vezes, do público.

Alguns influenciadores acabam sofrendo burnout porque não suportam essa velocidade com que as coisas têm que acontecer. É tudo meio que em real time, você tá vivendo, tá postando, tá fazendo stories, tá botando nos stories do YouTube e do Instagram, vídeo no TikTok, postando no seu Telegram... O ritmo é um pouco frenético para quem trabalha nessa área.

Você já chegou a sofrer burnout? Ou toma algum tipo de precaução?

Burnout eu nunca tive, mas eu faço terapia. De 15 em 15 dias eu falo com meu psicólogo, e isso me ajuda muito a entender o que eu sou, o que eu quero. Muitas vezes a gente acaba seguindo um monte de gente e você acaba fazendo escolhas que nem fazem sentido para você. Com isso eu já sou muito pé no chão, eu sei o que eu quero, sei onde quero chegar, e assim eu vou mais tranquila. Mesmo que os outros estejam produzindo conteúdo 10 vezes mais do que eu. Eu sigo no ritmo que eu entendo ser bom para mim, para o meu equilíbrio, porque eu também gosto de viver, viajar, sou uma pessoa normal! [risos]

Você acompanha outros youtubers e influenciadores de finanças?

Olha, eu acompanho, mas pouco. Muitas vezes a gente acaba pegando alguns vícios de linguagem ou postando muito parecido. Para isso não acontecer, eu prefiro não seguir. Sigo poucos youtubers de finanças por causa disso. Assim eu faço um trabalho mais tranquilo, olho só para o meu canal e o que realmente me interessa. Não vejo o que o outro está fazendo para não correr o risco de querer estar no mesmo ritmo ou de querer fazer parecido. Acho mais saudável assim.

Você observa em outros influenciadores tendências com a qual você não concorda? Isto é, um tipo de conteúdo que, mesmo fazendo sucesso com os concorrentes, você não adotaria?

Sensacionalismo, fofoca, isso dá views, mas não é o objetivo do meu canal, que é educar. Como a gente tá muito nessa parte de educação, com cursos online, eu sei que isso aí não adianta para a minha audiência. Hoje em dia eu já não me preocupo mais pensando "será se eu tenho muitos views em um vídeo?", querendo abraçar o mundo todo, fazer vídeos virais. O meu conteúdo é muito mais didático, já entendi isso. E sei como proceder na minha área, acho mais tranquilo.

Para muitos brasileiros, educação financeira se resume a dicas no YouTube. Você acha que influenciadores têm consciência dessa responsabilidade?

Eu acho que algumas pessoas não têm tanta consciência assim. Porque existem pessoas e pessoas, né. Temos que ter muito cuidado ao colocar uma notícia, ou quando eu falo da forma como eu cuido do meu dinheiro, como eu invisto. Porque o que eu faço pode não ser ideal para quem está assistindo. São pessoas e pessoas, com sonhos diferentes, objetivos diferentes, fases de vida... Tudo isso tem que ser levado em consideração e bem pautado no vídeo.

Uma parte do seu conteúdo é voltado para o público cristão. O que muda na linguagem? A orientação financeira para uma pessoa cristã é diferente?

No meu Instagram eu faço o "Estudo Financeiro Bíblico", tem vídeos, às vezes eu vou em igrejas e falo de Bíblia e finanças. Não é que a linguagem é diferente, porque eu mantenho o mesmo linguajar do YouTube em um vídeo que eu gravo na igreja. O conteúdo é um pouco diferente porque é óbvio que tudo que eu falo na igreja, para o cristão, é pautado na Bíblia. Eu pego os ensinamentos bíblicos, milenares, do maior best-seller da história, e falo voltada para a área financeira, sobre como a gente aplica isso na prática na nossa vida financeira hoje.

Essa é a única diferença. De linguagem não muda, porque no meu canal no YouTube eu não falo palavrão, nada disso. É bem a mesma linguagem. Óbvio que quando eu estou na igreja, vou ler versículos e falar de acordo com os versículos.

Agora, um bate-bola. Como você investe o seu dinheiro?

Hoje eu tenho uma carteira bem consolidada de ativos com reserva de emergência, investimentos de médio prazo em renda fixa... Agora, com essa mudança de mercado, a queda na taxa de juros, hoje eu aporto mais em renda variável, fundos imobiliários, e agora estou construindo a minha carteira previdenciária. O meu objetivo hoje com a minha carteira de investimentos é viver de renda. Até por isso estou aportando mais em investimentos que me paguem dividendos.

Um livro?

Acho bem legal o livro "O homem mais rico da Babilônia" [de George Samuel Clason]. Gosto também de "Pai rico, pai pobre" [Robert Kiyosaki, Sharon L. Lechter] para quem está começando essa vida financeira, é um livro que tem que ler.

Uma música, artista, álbum?

Só escuto música gospel. Colocaria o Fernandinho.

Um filme?

"Milagres do Paraíso".

Um influenciador ou uma influenciadora que você acompanha?

Não tenho nenhum que eu olhe e me inspire. Eu me inspiro em Jesus Cristo e acabou. Homem é homem. Para a gente ver o trabalho, eu olho muito as coisas do Geronimo Theml. Estou no grupo dele de mentoria e a gente acaba olhando muito conteúdo. Só para conteúdo mesmo.

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