Mercado fechado

Produção de motos sobe 6,8% e atinge 1,1 milhão de unidades em 2019, diz Abraciclo

Carlos Prieto

O mês de dezembro manteve o ritmo de crescimento do setor e confirmou 2019 como o segundo ano de expansão O mês de dezembro manteve o ritmo de crescimento do setor de motos e confirmou 2019 como o segundo ano de expansão dos fabricantes instalados no Polo Industrial de Manaus (PIM). Segundo números divulgados nesta quinta-feira pela Abraciclo, entidade que representa a indústria de motos no país, o ano de 2019 fechou com produção de 1,1 milhão de unidades, alta de 6,8% ante 2018.

Alberto Cesar Araújo/Valor

Apesar da retomada da produção iniciada em setembro de 2017, o setor está longe do recorde de 2,1 milhões de motos montadas em 2011. No pior ano da crise para o setor, novamente em 2017, foram produzidas 882,9 mil motos.

A produção de motos em dezembro somou 69 mil unidades, queda de 25,8% em relação a novembro e alta de 1,8% sobre o mesmo mês de 2018. A queda na produção mensal na comparação com novembro acontece por conta das tradicionais férias coletivas no fim do ano.

Em dezembro, foram emplacadas 94,1 mil motos, alta de 6,5% sobre novembro e de 11,9% sobre dezembro de 2018. Com 19 dias úteis, foram emplacadas 4.952 motos em média, aumento de 17,8% na comparação anual. Em relação a novembro, que teve 20 dias úteis, a alta foi de 12,1%.

As exportações somaram 3 mil unidades em dezembro, queda de 6,8% sobre novembro e alta de 1,4% na comparação com o mesmo mês de 2018. A Argentina ainda representa 49% das vendas externas.

Mercado interno compensou em 2019

As vendas no mercado interno têm compensado a forte queda nas exportações. Em 2019 foram licenciadas 1,07 milhão de motos no Brasil, expansão de 14,6% ante 2018. A queda na taxa de juros e a maior oferta de crédito por parte dos bancos sustentaram as vendas no ano passado. Há ainda uma procura maior pelas motos tanto por quem busca alternativas de mobilidade nas grandes cidades como uma opção de trabalho.

As exportações em 2019 continuaram sofrendo os efeitos da crise econômica na Argentina, historicamente o principal destino da moto brasileira no exterior. Foram embarcadas 38,6 mil unidades no ano, queda de 43,3% sobre 2018.

O ano fechou com a Honda liderando o mercado com cerca de 80% de participação. A segunda colocada é a Yamaha, com 14%, seguida da BMW (0,8%). O polo de Manaus reúne hoje dez fabricantes que empregam perto de 13 mil pessoas.

Previsão para 2020

A indústria de motos estima crescimento de produção de 6,1% em 2020, chegando a 1,175 milhão de unidades no ano, prevê a Abraciclo. A previsão tem como base a continuidade da política de juros baixos por parte do Banco Central e da maior oferta de crédito por parte dos bancos.

No ano passado, 43,9% das vendas foram financiadas, contra 33% à vista e 23,1% por consórcio. A estimativa é de alta de 5,8% nos emplacamentos em 2020, somando 1,14 milhão de unidades.

As expectativas para as exportações continuam ruins neste ano. É esperada nova queda nos embarques, agora de 27,5%, com apenas 28 mil motos exportadas.

Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, disse que a economia tem um cenário de incertezas neste ano, mas o setor se mantém otimista.

“O desempenho da economia vai depender da velocidade das reformas. Temos também um componente político que são as eleições municipais neste ano. Mas dentro desse cenário de incertezas, da nossa parte as fabricantes estão preparadas para atender o aumento de demanda”, afirmou Fermanian.