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Produção de motocicletas tem alta de 18,2% em 2022

***ARQUIVO*** SÃO PAULO/ SP, BRASIL,  19.04.2022. Rua Maestro Cardim. Uma pesquisa realizada pela Fecap apontou que o furto de motos cresceu 27% no estado de São Paulo no ano passado, em comparação com 2021..  (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO/ SP, BRASIL, 19.04.2022. Rua Maestro Cardim. Uma pesquisa realizada pela Fecap apontou que o furto de motos cresceu 27% no estado de São Paulo no ano passado, em comparação com 2021.. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O segmento de motocicletas segue em recuperação após tempos difíceis. O ano passado terminou com 1,36 milhão de unidades emplacadas, um crescimento de 17,7% na comparação com 2021. As vendas foram as melhores desde 2014, de acordo com os dados da Fenabrave (associação dos distribuidores de veículos).

Já a produção cresceu 18,2% em 2022 em comparação ao ano anterior. Segundo a Abraciclo, que reúne as fabricantes de motos, foram montadas 1,41 milhão de unidades entre janeiro e dezembro.

Os bons números de agora ajudam a contornar problemas que começaram bem antes da pandemia de Covid-19. Após o recorde de produção registrado em 2011, quando 2,14 milhões de unidades saíram das fábricas, seguiu-se um longo período de queda, que se estendeu até 2017.

No período de baixa, as crises políticas e econômicas se somaram às restrições no financiamento. O fator crédito afastou consumidores, principalmente nos segmentos das motos com valores mais em conta. Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, diz que o momento atual é bem diferente.

"Certamente o crédito não é uma preocupação prioritária agora", diz o executivo. "As instituições que operam em nosso mercado estão disputando os consumidores, e essa disputa deve continuar mais acirrada."

As modalidades de compra incluem o consórcio. Fermanian diz que, nesse caso, não se trata de uma forma de poupar para fazer uma aquisição planejada, como ocorre no segmento de automóveis. No setor das duas rodas, é uma maneira mais em conta de se obter a motocicleta e usá-la, por exemplo, para o trabalho.

Foi nesse ponto que a pandemia forçou a virada do setor. A demanda por motos subiu abruptamente devido ao aquecimento dos segmentos de logística. O delivery de restaurantes e lojas se tornou alternativa em meio a cortes salariais e alta do desemprego.

Mas surgiram os problemas com falta de componentes e paradas de produção para conter a alta dos casos de Covid-19. O Polo Industrial de Manaus foi fortemente afetado pela pandemia, principalmente durante a crise da falta de oxigênio. No início de 2021, até os cilindros que seriam usados nas linhas de produção foram enviados aos hospitais.

A fila de espera chegou a 100 mil motocicletas, situação que só foi normalizada no início de 2022. Hoje há equilíbrio entre oferta e demanda, com previsão de alta para 2023.

A Abraciclo acredita que a produção irá crescer 9,7% neste ano, chegando a 1,55 milhão de unidades. Caso se concretize, esse volume pode colocar o Brasil novamente entre os cinco maiores fabricantes de motos do mundo. O país fechou 2022 na sétima posição nesse ranking.

Em nota, Marcos Fermanian afirma que a procura está retornando gradativamente, o que movimenta as linhas de montagem, mas há pontos que geram preocupação.

"Estamos atentos a possíveis incertezas econômicas, consequência da elevação dos custos globais de produção, da definição da política do novo governo, do andamento das reformas política e administrativa e do fator Custo Brasil", diz o presidente da Abraciclo.

Outra questão levantada por Fermanian é a dúvida sobre preços futuros dos combustíveis. Nesse caso, contudo, a alta esperada com a retomada da cobrança de PIS/Cofins sobre gasolina e etanol -prevista para março- pode trazer efeitos distintos.

É possível que parte dos interessados em adquirir motocicletas desista da compra devido à elevação dos gastos de uso. Por outro lado, o aumento dos preços nos postos pode impulsionar as vendas por causa da procura por meios de transporte individual mais econômicos do que os automóveis.

Na distribuição de vendas, a região Sudeste aparece na primeira colocação, com 38,3% de participação. O Nordeste vem em segundo lugar (29,8%), seguido por Norte (12,8%), Sul (9,7%) e Centro-Oeste (9,6%).

As motos mais vendidas estão no segmento street, que inclui a líder Honda CG 160. A marca de origem japonesa detém 73% do mercado nacional.

Apesar das incertezas, há otimismo. É esperada uma alta de 9,4% nos emplacamentos, com 1,49 milhão de unidades comercializadas ao longo deste ano. A Abraciclo prevê ainda crescimento de 6,7% das exportações, com 59 mil unidades enviadas principalmente a países da América Latina.

A alta esperada é fundamental para as fabricantes recuperarem os investimentos feitos para adequação dos produtos à quinta fase do Promot (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares).

Desde o dia 1º de janeiro deste ano, todas as motocicletas produzidas no Brasil precisam estar adequadas às novas normas antipoluição. De acordo com dados do programa, houve redução de ao menos 90% das emissões ao longo dos últimos 20 anos.