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Produção de leite, ovos e mel bate recordes em 2020, diz IBGE

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**ARQUIVO** PARDINHO, SP, 04-08-2021: Gado come ração em fazenda em Pardinho, interior do estado de São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
**ARQUIVO** PARDINHO, SP, 04-08-2021: Gado come ração em fazenda em Pardinho, interior do estado de São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A produção nacional de leite, ovos de galinha e mel alcançou níveis recordes em 2020, em um contexto de alta de preços de alimentos e mudanças no consumo causadas pela pandemia, apontam dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

As máximas foram verificadas na PPM (Pesquisa da Pecuária Municipal) 2020. A série histórica teve início em 1974.

De acordo com o IBGE, a produção de leite chegou ao recorde de 35,4 bilhões de litros no ano passado, alta de 1,5% frente a 2019. Minas Gerais seguiu na liderança do setor entre os estados, com 9,7 bilhões de litros -ou 27,3% do total.

Entre os municípios, Castro (PR) aparece na primeira posição, com 363,9 milhões de litros (1% do total).

Mariana Oliveira, supervisora da pesquisa do IBGE, ressalta que, em 2020, houve alta nos preços de commodities como o milho, usado em rações para alimentação de vacas.

A situação aumentou os custos da produção leiteira e, ao mesmo tempo, elevou o preço pago aos produtores pela bebida.

Segundo Mariana, quem conseguiu viabilizar a atividade em meio às despesas mais altas encontrou um "atrativo" no preço maior. Ela também cita o impacto das mudanças nos hábitos de consumo durante o período de isolamento social.

"O preço maior acabou estimulando os produtores que apresentavam mais condições para viabilizar a produção", aponta.

"Na pandemia, as pessoas ficaram mais em casa. Isso também estimulou o consumo de produtos lácteos", acrescenta.

No caso dos ovos de galinha, a produção alcançou a máxima de 4,8 bilhões de dúzias em 2020. O aumento foi de 3,5% em relação a 2019.

Durante a crise sanitária, as carnes ficaram mais caras, e os ovos representaram uma fonte de proteínas com preços mais acessíveis, destaca Mariana. O efeito de substituição pode ter favorecido a produção, segundo a pesquisadora.

"Assim como as carnes, o preço do ovo também subiu, mas subiu menos", reforça.

São Paulo concentrava 25,6% da produção nacional, a maior fatia entre os estados. Santa Maria de Jetibá (ES) foi o município com maior volume: 371,6 mil dúzias (7,8%).

A produção nacional de mel, por sua vez, alcançou o recorde de 51,5 mil toneladas em 2020. O aumento foi de 12,5% em relação ao ano anterior.

O IBGE destaca que o dólar mais alto frente ao real incentivou as exportações de mel, que cresceram 52,2% em relação a 2019. O reflexo, diz o instituto, foi a redução da oferta para o mercado interno, o que elevou preços.

Os maiores produtores de mel no país são o Paraná, responsável por 15,2% do total, e o Rio Grande do Sul, com 14,5%. Entre os municípios, a maior produção foi registrada em Arapoti (PR), com 1,6% do total.

A PPM contempla seis produtos da pecuária. Além do leite, dos ovos de galinha e do mel, os mais representativos, também há dados sobre lã, ovos de codorna e casulos de bicho-da-seda.

O valor total da produção foi de R$ 75,5 bilhões em 2020, alta nominal (sem levar em conta a inflação) de 27,1% frente a 2019. O montante é o maior desde o início do Plano Real, em 1994, diz o IBGE.

O leite respondeu por 74,9% do valor gerado. Em seguida, veio a fatia referente à produção de ovos de galinha: 23,6%. O mel foi responsável por 0,8% do valor.

Ovos de codorna (0,5%), lã (0,1%) e casulos de bicho da seda (0,1%) aparecem na sequência.

Minas Gerais foi líder em valor de produção: R$ 17,8 bilhões. Dessa marca, a parcela de 89,8% (R$ 15,99 bilhões) foi gerada pelo leite.

A pesquisa do IBGE ainda mede o tamanho de rebanhos no país. Ao final de 2020, o rebanho bovino cresceu 1,5%, chegando a 218,2 milhões de cabeças. É o maior efetivo desde 2016.

O Centro-Oeste respondeu por 34,6% do total (ou 75,4 milhões). Mato Grosso segue líder entre os estados, com 32,7 milhões de cabeças (14,9%). No recorte dos municípios, São Félix do Xingú (PA) manteve a liderança, com 2,4 milhões (1,1%).

Ao final de 2020, o país também tinha 41,1 milhões de suínos, alta de 1,4% ante 2019. Santa Catarina manteve a liderança entre os estados, com 7,8 milhões de cabeças (18,9% do total). Toledo (PR) foi o maior produtor entre os municípios, com 1,2 milhão (2,9%).

O total de galináceos -galos, galinhas, frangos, frangas, pintos e pintainhas- somou 1,5 bilhão de cabeças, 1,5% maior do que no ano anterior. Houve acréscimo de 21,7 milhões de animais. O Paraná lidera o ranking desse ramo desde 2005, com 26,7% do total nacional.

Entre os municípios, Santa Maria de Jetibá (ES), com fatia de 1,3%, apresenta o maior efetivo de galináceos desde 2016.

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