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Produção industrial recua 0,4% em junho, após quatro meses de avanço

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***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 17.07.2012 - Linha de produção da Man caminhões, em Resende, no centro-sul do Rio. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 17.07.2012 - Linha de produção da Man caminhões, em Resende, no centro-sul do Rio. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Após quatro meses de avanço, a produção industrial do Brasil recuou 0,4% em junho, na comparação com maio, informou nesta terça-feira (2) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado veio abaixo das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Reuters projetavam variação negativa de 0,2%.

Com o resultado de junho, a produção industrial ficou 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020. Também registrou nível 18% inferior ao recorde da série histórica, verificado em maio de 2011.

"O setor industrial não consegue ter uma trajetória sustentável de crescimento", avaliou André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, em referência ao desempenho recente das fábricas.

Segundo o pesquisador, a produção não havia recuperado nem a perda de janeiro, de 1,9%, mesmo com a sequência de quatro meses de crescimento até maio. Nesse período, a alta acumulada chegou a 1,8%.

Ao explicar a baixa de 0,4% em junho, Macedo elencou diferentes fatores que prejudicam a indústria. Entre eles, ainda estão o aumento dos custos de produção e a restrição de acesso a insumos. Essas questões ganharam força durante a pandemia.

A alta dos juros, a inflação elevada e a "precarização" de novos postos de trabalho, mesmo com o recuo da taxa de desemprego, afetam a demanda por bens industriais e também jogam contra a recuperação do setor, completou o pesquisador.

"Há taxa de juros elevada, inflação que segue em patamares altos, diminuição da renda das famílias e, ainda que a taxa de desocupação venha caindo nos últimos meses, há um contingente de aproximadamente 10 milhões de desempregados no país. A característica dos postos de trabalho que estão sendo criados aponta para uma precarização do mercado de trabalho."

Em junho, 15 das 26 atividades industriais pesquisadas mostraram baixa na produção.

A influência negativa mais importante foi assinalada por produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-14,1%), segundo o IBGE. O segmento havia acumulado alta de 5,3% nos dois meses anteriores.

"Há nesse segmento uma maior volatilidade de taxas. No início do ano, houve queda na produção dos produtos farmoquímicos e farmacêuticos e, em abril e maio, ocorreu essa alta", disse Macedo.

"Com o crescimento acumulado, o segmento tinha uma base de comparação mais elevada, o que justifica essa retração de dois dígitos [em junho]", emendou.

A atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%) também teve peso relevante entre as quedas, conforme o IBGE.

Outras contribuições negativas vieram de máquinas e equipamentos (-2%), metalurgia (-1,8%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,8%) e outros equipamentos de transporte (-5,5%).

Entre as nove atividades em alta, veículos automotores, reboques e carrocerias (6,1%) e indústrias extrativas (1,9%) mostraram os principais impactos em junho.

O IBGE também divulgou o resultado da produção industrial em relação a junho do ano passado. Nessa base de comparação, a baixa atingiu 0,5%. Analistas projetavam recuo menor, de 0,2%, conforme a Reuters.

No primeiro semestre do ano, a indústria acumulou queda de 2,2%. Em 12 meses, a retração chegou a 2,8%.

Das 26 atividades pesquisadas na indústria, 17 estão abaixo do patamar pré-pandemia. O ramo de móveis encontra-se 24,6% abaixo de fevereiro de 2020, a maior distância negativa.

Oito segmentos, por outro lado, superam o patamar pré-pandemia. A atividade de máquinas e equipamentos está 19,8% acima de fevereiro de 2020. É a maior diferença positiva.

O ramo de produtos do fumo, por sua vez, é o único que está no mesmo nível do pré-crise.

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