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Produção industrial cai pelo sexto mês consecutivo no Brasil

·3 min de leitura
**ARQUIVO**RIO DE JANEIRO, RJ, 17.07.2012: Linha de produção da MAN caminhões, em Resende, no Rio de Janeiro. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
**ARQUIVO**RIO DE JANEIRO, RJ, 17.07.2012: Linha de produção da MAN caminhões, em Resende, no Rio de Janeiro. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Abalada pelo aumento de custos e pelas restrições no mercado consumidor, a produção industrial brasileira recuou 0,2% em novembro de 2021, na comparação com outubro. É a sexta queda consecutiva do indicador, apontou nesta quinta-feira (6) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Na visão de analistas, o resultado representa mais um sinal de fragilidade da economia na reta final do ano passado.

Com o desempenho negativo, a produção industrial ficou 4,3% abaixo do patamar pré-pandemia, verificado em fevereiro de 2020.

O dado de novembro veio em nível inferior ao esperado pelo mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam avanço de 0,1%.

Para André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton Investimentos, o novo recuo mostra que a indústria vive situação de "marasmo".

"Baixa demanda doméstica, custos em alta e falta de horizonte claro jogam a atividade industrial nesta situação", afirma.

Em relação a novembro de 2020, a produção das fábricas caiu 4,4%. Nesse recorte, as estimativas de analistas sinalizavam retração menor, de 4,1%.

André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, avalia que o setor industrial vem sendo afetado por um conjunto de dificuldades.

Parte dos obstáculos está relacionada com a pandemia, que desalinhou cadeias produtivas, causando desabastecimento de insumos e aumento de custos.

O setor também amarga os reflexos da disparada da inflação, dos juros mais altos e da queda na renda dos trabalhadores, conforme o analista. Em conjunto, esses fatores diminuem o poder de consumo de bens industriais entre a população brasileira.

"A indústria sofre com os juros em alta e a demanda em baixa, impactada pela inflação elevada e a precarização das condições de emprego, já que, com o rendimento mais baixo, o trabalhador consome menos", diz Macedo.

De acordo com o IBGE, a produção das fábricas acumulou alta de 4,7% no ano passado, até novembro. Em 12 meses, houve crescimento de 5%. As taxas, contudo, já foram maiores durante a pandemia.

O decréscimo de 0,2% na passagem de outubro para novembro de 2021 foi acompanhado por 12 dos 26 ramos pesquisados na indústria.

As influências negativas mais importantes vieram das atividades de produtos de borracha e material plástico (-4,8%), que perderam toda a expansão acumulada em setembro e outubro (3,5%), e metalurgia (-3%), que amargou a terceira queda consecutiva, acumulando perda de 7,7% no período.

Outras contribuições negativas relevantes foram de produtos de metal (-2,7%), bebidas (-2,2%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-0,6%), perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-4,5%) e produtos diversos (-4,5%).

Mesmo com o processo de reabertura da economia, após restrições maiores para frear a Covid-19, a produção industrial passou a emitir sinais de fragilidade no país.

Na série do IBGE, o último registro de seis meses consecutivos de quedas havia sido em 2015. À época, a economia brasileira atravessava período de recessão.

Nos 11 meses de 2021 com dados disponíveis, a produção industrial recuou em nove. Só houve crescimento na margem em janeiro e maio.

Das 26 atividades industriais pesquisadas pelo IBGE, 18 apresentam nível de produção inferior ao registrado no pré-pandemia. Só oito ficaram acima em novembro.

A escassez de insumos ainda é apontada como um problema que atinge parte das fábricas. O ramo automotivo está entre os mais afetados pela situação. A falta de componentes é associada à pandemia, que desarticulou cadeias globais de fornecimento.

Para complicar o quadro, a escassez tem sido acompanhada pelo aumento de preços. Em novembro de 2021, a inflação da indústria foi de 1,31%, de acordo com o IPP (Índice de Preços ao Produtor).

O índice também é calculado pelo IBGE. Em 12 meses, a disparada do IPP foi de 28,86%. O indicador mede a variação dos preços na porta de entrada das fábricas, sem o efeito de impostos e fretes.

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