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Produção industrial cai 1,3% em julho e volta a ficar abaixo do pré-pandemia

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*ARQUIVO* TAUBATÉ, SP, 25.04.2018 - Robô trabalha na montagem de câmbio em linha de produção de motores na fábrica da Ford, em Taubaté (SP). (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
*ARQUIVO* TAUBATÉ, SP, 25.04.2018 - Robô trabalha na montagem de câmbio em linha de produção de motores na fábrica da Ford, em Taubaté (SP). (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pressionada pela escassez de insumos e pelo aumento de custos nas fábricas, a produção industrial brasileira teve queda de 1,3% em julho, em relação ao mês imediatamente anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (2).

Com o resultado, o indicador voltou a ficar abaixo do patamar pré-pandemia. Está em nível 2,1% inferior ao de fevereiro de 2020. Na comparação com julho do ano passado, a produção cresceu 1,2%.

Os números ficaram abaixo das estimativas do mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam recuo de 0,8% frente a junho. Em relação a julho de 2020, a previsão era de crescimento de 1,9%.​

Segundo o IBGE, a produção industrial acumulou alta de 11% nos primeiros sete meses do ano, influenciada pela base de comparação fragilizada. Em 12 meses, houve avanço de 7%.

A queda em julho foi a quinta em 2021 e a segunda consecutiva. Para o sétimo mês do ano, a retração de 1,3% é a maior desde 2015, quando a baixa atingiu 1,9%. À época, a economia nacional amargava período de recessão.

“No início do ano [2021], houve fechamento e restrições sanitárias maiores em determinadas localidades, que afetaram o processo de produção. Com o avanço da vacinação e a flexibilização das restrições, a produção industrial agora sente os efeitos do encarecimento do custo e do desarranjo de toda cadeia produtiva”, explicou André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, lembrando que, em janeiro de 2021, o indicador chegou a estar 3,5% acima do patamar pré-pandemia.

Após ser prejudicada pela chegada da Covid-19, no primeiro trimestre de 2020, o setor ensaiou reação ao longo do ano passado, no embalo da reabertura de atividades e dos programas de estímulo à economia. Esse movimento, contudo, perdeu fôlego na primeira metade de 2021.

A dificuldade de obtenção de matérias-primas afeta segmentos como o automotivo, que prevê melhora consistente no quadro só em 2022. A falta de componentes é associada por analistas ao desarranjo nas cadeias produtivas.

Para complicar a situação, a escassez de insumos tem sido acompanhada pela disparada de preços. De janeiro a julho, a inflação na indústria, medida pelo IPP (Índice de Preços ao Produtor), teve alta de 21,39%. A variação em sete meses já é maior do que a verificada em todo o ano de 2020 (19,38%), mostram dados divulgados pelo IBGE no último dia 27.

O IPP mede a variação dos preços na “porta de entrada das fábricas”, sem o efeito de impostos e fretes. Ou seja, capta os valores de mercadorias usadas nos processos de fabricação.

De acordo com o IBGE, a produção industrial em julho equivale ao nível de janeiro de 2009. O recuo de 1,3% frente a junho teve perfil disseminado, alcançando 19 dos 26 ramos pesquisados.

As principais influências negativas vieram de bebidas (-10,2%) e produtos alimentícios (-1,8%), diz o instituto. Outras contribuições negativas importantes foram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-2,8%), de máquinas e equipamentos (-4,0%), de outros equipamentos de transporte (-15,6%) e de indústrias extrativas (-1,2%).

Macedo destacou que a seca prolongada também abala segmentos da indústria. Nesse sentido, ele lembrou que o clima adverso gerou perdas na produção de alimentos como o açúcar —a estiagem, combinada com geadas, impactou lavouras de cana no Sudeste.

A escalada da inflação e as restrições de renda dos consumidores representam dificuldades adicionais para a recuperação das fábricas, frisou Macedo.

“Os efeitos da pandemia também são observados na demanda doméstica. Temos grande contingente de trabalhadores desocupados, mais de 14 milhões, massa salarial que não avança e precarização do emprego com níveis salariais menores. Todos esses fatores estão no escopo da análise”, pontuou.

No caso da inflação, a escalada de preços tem sido puxada nos últimos meses pela crise hídrica. Além de pressionar valores de alimentos, a seca prolongada aumenta os custos de geração de energia no país. Como consequência, as contas de luz sobem nas fábricas e nos lares dos brasileiros.

Pesquisa recente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) traz alerta sobre o assunto. Segundo o estudo, nove em cada dez empresários do setor relatam preocupação com a escassez de chuva.

Os dados apontam que os industriais temem principalmente o aumento nos custos de energia (83%). Possível racionamento (63%) e chance de interrupções no fornecimento de luz (61%) também são ameaças citadas.

Dos 26 ramos industriais pesquisados pelo IBGE, 15 estão abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020. O mais distante é o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias. Em julho, a produção estava 18,5% abaixo do nível pré-crise.

O segundo ramo mais distante é o de confecção de artigos do vestuário e acessórios. O segmento estava em patamar 13% inferior.

Por outro lado, 11 atividades superaram o pré-crise. Nesse caso, o destaque vai para máquinas e equipamentos. Em julho, esse ramo estava em nível 17,2% acima de fevereiro de 2020. Na sequência, aparece a atividade de metalurgia (12,4%).

Em nota, André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton Investimentos, destacou que a queda da produção industrial em julho veio abaixo das estimativas do mercado.

Conforme Perfeito, “o terceiro trimestre começa com o pé esquerdo”, e o resultado das fábricas, aliado ao do PIB (Produto Interno Bruto), indica “fraqueza” da atividade econômica.

O IBGE divulgou na quarta-feira (1º) o PIB do segundo trimestre. Na comparação com os três meses iniciais de 2021, o indicador recuou 0,1%. No cálculo do PIB, a indústria teve variação negativa de 0,2% no mesmo período.

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