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Produção industrial cai 0,4% em setembro e fica 3,2% abaixo do pré-pandemia

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***ARQUIVO***RESENDE, RJ, 18.06.2014 - Linha de montagem do compacto March, na fábrica da Nissan, em Resende (RJ). (Foto: Juca Varella/Folhapress)
***ARQUIVO***RESENDE, RJ, 18.06.2014 - Linha de montagem do compacto March, na fábrica da Nissan, em Resende (RJ). (Foto: Juca Varella/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em mais um sinal de fragilidade, a produção industrial brasileira caiu 0,4% em setembro, na comparação com o mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (4). Foi o quarto resultado negativo em sequência.

Com o desempenho, a produção da indústria ficou 3,2% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia. Também está em nível 19,4% inferior ao recorde, registrado em maio de 2011.

Na comparação com setembro de 2020, a produção teve baixa de 3,9%. As expectativas de economistas, segundo pesquisa da agência Reuters, eram de queda de 0,3% na variação mensal e de 4% na base anual.

André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, atribuiu a perda de fôlego da indústria a um "conjunto de fatores".

O primeiro é a desarticulação de cadeias produtivas ao longo da pandemia, o que abalou o fornecimento de insumos e aumentou o preço de matérias-primas.

Não bastasse isso, a produção também sofre com dificuldades do mercado interno, disse Macedo.

Segundo ele, o mercado de trabalho "ainda está longe de mostrar uma recuperação consistente", e o poder de compra da população também é prejudicado pela escalada da inflação. Os dois fatores inibem o consumo de bens industriais.

"O setor, claramente, vem em uma trajetória descendente", afirmou Macedo.

Na comparação com agosto, 10 dos 26 ramos industriais recuaram em setembro. Os maiores impactos negativos vieram do segmento de produtos alimentícios, que recuou 1,3%, e de metalurgia, com baixa de 2,5%.

"Podemos observar sinais negativos em segmentos importantes no setor de alimentos, como a parte relacionada ao açúcar, por causa das condições climáticas adversas que prejudicaram a cana-de-açúcar", disse Macedo.

"Outro setor com comportamento negativo foi o das carnes bovinas, explicado pela suspensão das exportações desse produto para a China no início de setembro, por conta do ‘mal da vaca louca’. Isso impactou negativamente o setor de alimentos", acrescentou.

As exportações de carne bovina "in natura" recuaram, já em outubro, para o menor volume em 40 meses. Ou seja, para o menor nível desde a greve dos caminhoneiros, em 2018.

Em nota, o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) afirma que os resultados da produção industrial em setembro "distanciam o setor de uma trajetória de recuperação".

"Os efeitos diretos da pandemia deram origem a desdobramentos muito adversos ao crescimento industrial, como gargalos nas cadeias produtivas, aceleração da inflação, desemprego elevado", diz o Iedi.

"Outros desafios se somaram a estes, como crise hídrica, tensões políticas e dúvidas sobre as reformas estruturais. Tudo isso gera incertezas, amplia custos e restringe mercado para bens industriais", completa.

Conforme o IBGE, a produção industrial fechou o terceiro trimestre de 2021 com queda de 1,1%, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em 2021, o acumulado de janeiro a setembro ainda ficou positivo, com alta de 7,5%. Em 12 meses, o avanço foi de 6,4%.

Para outubro, indicadores já sinalizam a permanência de dificuldades no cenário. No mês passado, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês, uma medida da percepção de empresários sobre a atividade no setor) caiu a 51,7, bem abaixo da marca de 54,4 de setembro.

Números acima de 50 ainda indicam expansão da atividade no setor fabril. Contudo, o patamar do índice em outubro foi o mais baixo desde junho de 2020, apontando esfriamento no ritmo dos negócios.

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