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Setor de veículos deve superar projeções de desempenho este ano, diz Anfavea

Fila de carros em Brasília

SÃO PAULO (Reuters) - As montadoras de veículos do Brasil devem conseguir acelerar o passo até o final do ano e superar as estimativas do setor divulgadas em julho, impulsionadas por aumento de produção, novos lançamentos e demanda forte de grandes clientes como locadoras.

O setor, representado pela associação de montadoras Anfavea, tem expectativa de vendas de 2,14 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus em 2022 e até setembro acumula 1,5 milhão de emplacamentos, queda de 4,7% ante o mesmo período de 2021.

"Vamos cumprir o número (previsão de vendas). Há uma tendência de superar um pouco", disse o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, a jornalistas. "Dezembro vai ser demanda muito alta...Copa do Mundo pode ter impacto, mas não será grande", acrescentou.

Para cumprir a projeção, a média mensal dos licenciamentos nos três últimos meses deste ano terá que ser próxima de 213,3 mil unidades. Este ano, o setor superou as 200 mil unidades vendidas por mês apenas em agosto, que tradicionalmente é um mês movimentado para as montadoras.

"Em 2021, nesses três meses, emplacamos 542 mil veículos em um momento em que foi o mais intenso da falta de insumos", disse Leite, se mostrando otimista sobre o atingimento da meta, que representa um volume 1% maior que o licenciado em 2021. A projeção inicial da entidade divulgada em janeiro mostrava expectativa de vendas de 2,3 milhões de veículos este ano.

Em setembro, as vendas recuaram 7% ante agosto, para 194 mil unidades, mas subiram 25,1% ante setembro de 2021. Na produção, houve queda de 12,7% na comparação mensal, para 207,8 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. Ante o mesmo mês de 2021, a indústria teve alta 19,3% no volume produzido.

CHIPS

Leite esteve em uma missão do governo do Brasil ao Japão no mês passado, que teve como objetivo buscar parceiros para a instalação de fábricas de chips em território brasileiro.

Os componentes eletrônicos são atualmente um dos maiores gargalos à produção de veículos no país, quadro que tende a se agravar conforme a sofisticação e exigências de segurança e de redução de emissões de poluentes aumentam.

Questionado sobre os encontros, o presidente da Anfavea afirmou que a comitiva se reuniu com representantes da japonesa Renesas, importante fornecedora global de semicondutores para a cadeia automotiva, e com representantes do governo japonês, mas não citou se algum compromisso foi firmado.

Do lado brasileiro, Leite disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo publicará em breve uma medida provisória com incentivos para a produção de chips no país, mas não precisou quando. Procurado, o ministério não pode comentar o assunto de imediato.

"O (ministro da Economia), Paulo Guedes disse que a medida provisória será publicada, com incentivos fiscais, isenções tributárias, com simplificação de importação e exportação de alguns insumos e para investimentos", disse o presidente da Anfavea.

O executivo comentou que o Brasil importa por ano de 12 bilhões a 13 bilhões de dólares em semicondutores de forma direta ou indireta e que "pelo menos" 1,5 bilhão deste valor é pelo setor automotivo.

Há alguns anos, disse Leite, a média de microchips por veículo era de 300. Hoje, um veículo leva 1.500 a 2.000 chips. "E esse número tende a aumentar ainda mais" com novas tecnologias que incluem motorização elétrica e capacidade de direção autônoma.

E os veículos elétricos e híbridos bateram recordes de vendas no país em setembro. As vendas de híbridos pela primeira vez ultrapassaram a barreira das 4 mil unidades em um único mês, somando 4.980 unidades. Em setembro de 2021, as vendas com essa motorização somaram 2,4 mil veículos. Já os licenciamentos de elétricos em setembro somaram 1,4 mil unidades ante 267 há um ano.

O presidente da Anfavea afirmou que a dificuldade na obtenção de componentes eletrônicos continuará afetando o setor em 2023, ano que espera que uma eventual redução nos juros da economia traga demanda mais forte dos consumidores, que hoje têm que lidar com juros de pelo menos 27% nos financiamentos, segundo dados da Anfavea.

(Por Alberto Alerigi Jr.)