Mercado abrirá em 1 h 38 min

Processos seletivos online: Como funcionam as contratações na era dos algoritmos?

Commons

Por @vitorvalencio

 Sair cedo de casa, enfrentar o transporte público, ficar horas em filas de recrutamento para vagas de emprego. Essa é uma realidade antiga e cada vez menos presente na busca por vagas no mercado de trabalho. Atualmente existem inúmeros portais e aplicativos tanto para quem procura emprego quanto para os recrutadores, que buscam profissionais mais adequados para cada posição. Como funcionam os algoritmos que auxiliam na contratação de novos colaboradores?

Se antes era comum entregar o currículo pessoalmente em várias empresas, a internet nos propiciou diversas plataformas online de busca por empregos. Isso também não é novidade. No entanto, agora vivenciamos uma nova realidade, os processos seletivos contam ativamente com a ajuda de algoritmos para a filtragem de profissionais interessa em um novo emprego.

“O RH está passando por uma transformação semelhante a que passaram as áreas de Vendas e de Marketing. Agora é a vez do RH, e é importante que os profissionais acompanhem a mudança com a chegada da era dos dados, ou seja, o uso de informações estratégicas e inteligentes que auxiliam o gestor na tomada de decisão, pois a tecnologia tem desafiado modelos de negócios já estabelecidos”, explica Marcel Lotufo, CEO e sócio fundador do Kenoby.

O  software de recrutamento e seleção é um dos responsáveis pela filtragem inicial de candidatos a vagas de emprego. De acordo com o empreendedor, a iniciativa visa superar outro velho conceito ainda muito difundido nos departamentos de recursos humanos. “um os grandes problemas em recrutamento é o viés. Os preconceitos, digamos. Por exemplo: ‘Se o cara veio da empresa X, ele é bom! O cara fez a faculdade X, então é o melhor candidato para aminha vaga! ” Certo? Errado! ”, pondera o fundador do Kenoby.

O empresário continua, “E isso vale para qualquer situação. Porque temos preconceitos conscientes e inconscientes também. Se você não tem muita informação, dados na sua frente, você abre um leque muito maior para esse preconceito inconsciente ter um peso na sua decisão. E quando você tem um planejamento estratégico mostrando quem é o cara, você vai naquele cara! E isso tem um impacto social muito grande. A gente tem isso como parte da nossa missão aqui dentro da empresa”, reflete Marcel Lotufo.

Mas será que nossos futuros profissionais estão nas mãos, ou melhor nos algoritmos de uma máquina? O diretor de recursos humanos do LinkedIn para a América Latina explica que não é bem assim que as coisas funcionam. “Um de nossos produtos é justamente mostrar para a empresa – e para o candidato – quais vagas estão chegando para os dois lados. Isso sim é uma relação de algoritmo. Então, fazemos vários filtros na vaga, quando a empresa preenche os requisitos da vaga (os filtros) vão buscar candidatos, automaticamente, que tenham aquelas palavras chave que a pessoa da empresa descreveu”, explica Alexandre Ullmann.

Logo, não há razões para pânico. Afinal os recursos humanos devem continuar humanos por muito tempo. “Essa é apenas uma das etapas, mas no processo seletivo é que isso vai acontecer. Quando o recrutador ou recrutadora for buscar um profissional para uma vaga, aí sim vai fazer uma busca onde os algoritmos vão procurar aquele candidato que corresponda àquelas palavras chave. Então, quanto mais o usuário do Linkedin preencher o perfil de forma adequada, mais facilmente será encontrado por um recrutador”, completa o executivo do LinkedIn.

La garantia soy yo

É compreensível que muita gente ainda tenha restrições quanto a diversos processos digitais. No entanto, os especialistas garantem que essa é uma maneira muito mais eficiente, tanto para candidatos quanto para recrutadores.

Se você notou a semelhança do nome da empresa com um certo personagem da cultura pop, você está no caminho certo. O software é inspirado em Obi-Wan Kenobi, o famoso mestre Jedi da saga Star Wars. A analogia é com o sábio, responsável pela revelação dos poderes e pelo treinamento de Luke Skywalker, o protagonista da série. “A brincadeira é que o Obi-Wan é um mentor, um tutor para o Luke. Da mesma forma nós também somos uma espécie de mentor para a empresa achar o candidato e para o candidato achar a empresa. É um software de recrutamento e seleção, inteligente! Nosso propósito é ajudar as empresas a recrutarem com mais efetividade”, revela Marcel Lotufo.

As vagas não se limitam mais apenas aos portais de recrutamento. É possível se deparar com uma oportunidade em qualquer lugar da internet. “Pode vir de mídias sociais ou portais de vagas, por exemplo. E aí entra a parte de qualificação do candidato. Temos uma plataforma de testes bem robusta dentro do sistema. É possível criar testes de múltipla escolha, dissertativos, por vídeo e vários tipos. E também entra a inteligência artificial para complementar essa inteligência que a empresa já inseriu no sistema”, explica o empreendedor.

Até mesmo pelo fato de o processo ser inicialmente virtual, muita gente ainda cai em uma velha tentação. Dar aquela ‘valorizada no currículo vale a pena? “Não! Na verdade, claro que o candidato vai colocar o que bem entender nas competências que acredita ter. Mas nenhum processo seletivo é totalmente automático, sem a interação de um recrutador. No momento em que você começa a ser questionado, com exemplos daquela competência em uma entrevista pessoal, e não conseguir sustentar aquilo, provavelmente não vai seguir no processo seletivo. Por isso, o contato humano é e sempre será importante”, destaca Alexandre Ullmann, do LinkedIn.

A empresa conta hoje com mais de 200 milhões de usuários em todo o mundo. “Imagine como filtrar esse número! A tecnologia vai ajudar nesse primeiro filtro, a identificação dos candidatos. Então, o Linkedin já possui essa ferramenta de filtros e depois é por conta do contato pessoal. Sem dúvida, isso é indispensável! ”, raciocina Alexandre.

Por outro lado, o  Kenoby se vale da valorização pessoal para que os algoritmos funcionem a favor de candidatos e recrutadores. “A questão da qualificação é muito robusta. E tudo parte do princípio de que você sabe o que está buscando. Como você vai procurar uma coisa se você não sabe o que está buscando? Esse é um dos motivos pelos quais uma empresa não consegue recrutar bem. Porque não sabem as características de sucesso de uma vaga específica”, ilustra o fundador.

O especialista continua, “Isso é baseado no currículo e nos testes, que o candidato vai fazer. Tem, por exemplo, o perfil comportamental. Onde a gente usa o IBM Watson, como parceiro de inteligência artificial. Temos perguntas dissertativas, que o cliente pode criar. O candidato responde durante o processo seletivo. A gente pega esse texto, manda para o Watson que volta com a personalidade dele. Então, se a gente sabe qual a personalidade e as características desses caras, conseguimos criar um modelo que dê um ‘match’ nos candidatos que estão aplicando, reflete Marcel Lotufo.

O futuro parece brilhante, tanto para humanos quanto para os algoritmos. “O importante é que não tem fórmula mágica. Pensar que tenho inteligência artificial e está tudo certo. Todo mundo está falando sobre inteligência artificial, mas é muito importante entender uma coisa: Quando inteligência artificial vai ficar mais inteligente que o ser humano? A maioria dos físicos diz que a gente vai chegar nessa realidade entre 30 a 40 anos. Até lá o ser humano precisa ajudar a inteligência artificial a ser inteligente. Isso é importante porque é um complemento. O recrutador precisa saber as características dos melhores vendedores. A inteligência artificial vai trazer outros insumos”, finaliza o CEO do Kenoby.