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Negociações para compra do estúdio de Weinstein continuam

Por Catherine TRIOMPHE
Harvey Weinstein, em 23 de maio de 2017, em uma festa do festival de Cannes, na França

As negociações relacionadas à compra da produtora cinematográfica de Harvey Weinstein continuam nesta segunda-feira (12), apesar do processo contra ele movido pelo estado de Nova York, informou à AFP uma fonte próxima ao caso.

O procurador do estado de Nova York, Eric Schneiderman, apresentou, neste domingo, uma denúncia contra Weinstein, seu irmão Robert e a empresa The Weinstein Company, por violação dos direitos humanos, individuais e trabalhistas.

O documento da acusação descreve um verdadeiro sistema organizado no estúdio para facilitar as ações de Weinstein, acusado desde outubro por mais de cem mulheres de assédio, abuso sexual, ou estupro.

Schneiderman afirmou que a venda da empresa era "iminente" e que tinha "elementos substanciais" para pensar que o negócio, estimado em 500 milhões de dólares, não prevê uma indenização adequada para as vítimas do outrora todo-poderoso produtor de cinema e televisão.

"Qualquer venda da The Weinstein Company deve garantir que as vítimas serão compensadas, que os funcionários serão protegidos no futuro e que nem os responsáveis, nem os que permitiram isso, enriqueçam injustamente".

Segundo vários veículos americanos, o processo teria como objetivo imediato levar ao fracasso das negociações.

Mas uma fonte próxima disse à AFP que, nesta segunda, continuavam as discussões entre a empresa de Weinstein e um grupo liderado por Maria Contreras Sweet, ex-funcionária do governo de Barack Obama, entre 2014 e 2017.

Contactado pela AFP, o banco de investimentos Moelis & Company, encarregado de gerir a transação, se negou a comentar.

Segundo o portal Deadline, especializado em notícias de Hollywood, a compra da empresa previa a criação de um fundo de compensação para as vítimas.

O grupo de investidores também teria se comprometido a manter a maioria dos funcionários da empresa, de acordo com o site.

A oferta para a compra dos ativos da empresa seria de cerca de 500 milhões de dólares, de acordo com a imprensa americana, incluindo 275 milhões apenas pela participação acionária, com o saldo incluindo dívidas e uma ampliação de capital.