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Problemas no transporte de gás russo para a Europa têm efeitos limitados, mas preocupantes

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Logo da gigante russa Gazprom em um de seus postos de gasolina, em Moscou, em 11 de maio de 2022 (AFP/Natalia KOLESNIKOVA) (Natalia KOLESNIKOVA)
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Os problemas no transporte de gás russo para a União Europeia não têm, por hora, consequências importantes, mas levantam a urgência de procurar alternativas e obrigam a questionar as intenções tanto da Rússia, como da Ucrânia.

- Forte dependência -

Em 2021, a UE importou cerca de 155.000 m³ de gás russo, dos quais 140.000 foram abastecidos por gasoduto e apenas 15.000 eram gás natural liquefeito (GNL).

Isto representa 45% de suas importações de gás e quase 40% de seu consumo total.

A Comissão Europeia propôs um embargo progressivo sobre o petróleo russo - rejeitado pela Hungria -, mas não apresentou uma proposta semelhante para o gás.

Alguns países, como a Alemanha, que dependem em grande parte destas importações, resistem aos apelos ucranianos para um embargo total da energia.

- Fluxos reduzidos -

O trânsito de gás russo através dos gasodutos que cruzam a Ucrânia foi reduzido desde quarta-feira (11), uma vez que uma estação de trânsito na fronteira russo-ucraniana está fechada.

A Ucrânia afirma que já não pode garantir as entregas através de Sokhranivka, na região de Lugansk, devido à presença das forças armadas russas.

Kiev pediu ao gigante russo do gás Gazprom que aumente os volumes que passam por Sudzha, outro gasoduto. Moscou respondeu que é impossível.

"Normalmente, 30% do gás natural russo que chega à Europa através de um gasoduto passa pela Ucrânia e 30% desse fluxo passa por Sokhranivka", apontou Ole Hvalbye, do banco escandinavo Seb.

A perda equivale a 2% do consumo total europeu, segundo seus cálculos. Não é "dramático", mas "manda um sinal sobre o que poderá acontecer depois", explicou.

- O que querem a Rússia e a Ucrânia? -

Alguns analistas sugerem que a Ucrânia, frustrada pela falta de um embargo europeu sobre a energia russa, interrompe conscientemente as exportações que passam pelo seu território.

"É possível que a Ucrânia tente pressionar a Hungria a aceitar um embargo da UE contra a Rússia", diz Carsten Fritsch, do Commerzbank.

Quanto à Rússia, poderia decidir fechar para sempre a torneira, sem prejuízo de se privar de uma renda crucial para realizar sua guerra?

"O fornecimento (de gás) pode ser interrompido unilateralmente pela Gazprom", enfatiza Kaushal Ramesh, da empresa especializada Rystad. "As chances de isso acontecer são pequenas, mas não zero".

- As alternativas -

Os países europeus buscam diversificar seus fornecedores. A Alemanha afirma que pode compensar a queda nos suprimentos russos com compras da Noruega e da Holanda, para preencher seus estoques antes do próximo inverno.

Os europeus apostam principalmente no GNL, que pode ser transportado por barco de todo o mundo.

Alguns países desejam aumentar temporariamente sua produção de gás, como é o caso da Dinamarca em jazidas já exploradas no Mar do Norte. Senadores romenos aprovaram um projeto de lei que abre caminho para a extração de gás no Mar Negro.

Esta situação cria um novo argumento a favor de uma transição energética acelerada, apontam os especialistas. "As soluções limpas podem substituir dois terços do gás russo até 2025'', calculou o 'think tank' sobre o clima E3G.

O biogás procedente de resíduos de alimentos ou esterco, que atualmente fornece 18 bilhões de metros cúbicos por ano - segundo a Associação Européia de Biogás (EBA) - é uma boa opção.

O setor se declara “disposto a produzir 35.000 milhões de metros cúbicos até 2030”, ou seja, 10% da demanda atual de gás na UE e mais de 20% de suas importações da Rússia.

jmi-cho/soe/er/mab/es/ap

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