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Problema do Brasil em 2022 não será crescimento baixo, mas inflação resiliente, diz Guedes

·3 min de leitura
Ministro da Economia, Paulo Guedes

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira que o problema do Brasil em 2022 não será o crescimento baixo, mas a inflação resiliente, ressaltando que não acredita nas previsões mais pessimistas do mercado para a atividade no ano que vem, mas prevê que a inflação pode surpreender para cima.

"Vamos ver o que vai acontecer com essas pessoas que estão prevendo zero, ou 1% (de crescimento do PIB em 2002)", disse Guedes, em inglês, ao participar de evento virtual promovido pelo Bradesco BBI.

"O problema não será crescimento baixo, o problema será inflação resiliente. A inflação provavelmente será um pouco acima do que vocês estão prevendo, mas o crescimento também será maior do que vocês estão prevendo, então vamos ver. Eu não faço previsões, eu faço piada de previsões, de previsões erradas."

O mercado estima que o PIB crescerá 0,9% em 2022 e que o IPCA terá alta de 4,8%, segundo o relatório Focus mais recente.

De acordo com Guedes, haverá desaceleração cíclica no país em meio ao ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central para domar a inflação, mas ele frisou que o pano de fundo é de crescimento sustentável da economia baseado em investimentos privados.

O ministro também reforçou que seu cenário leva em conta a aprovação pelo Senado da PEC dos Precatórios sem danos ao que chamou de arquitetura fiscal do país.

"É verdade que juros vão subir com luta do BC para controlar inflação ... mas estamos realmente fazendo a transição para crescimento sustentável em todos os setores", disse ele.

Segundo Guedes, as conversas mantidas pelo governo em viagem aos Emirados Árabes asseguraram ao país compromisso de investimentos de 10 bilhões de dólares em 10 anos e, no total, o Brasil já tem assegurados investimentos de 700 bilhões de dólares para as próximas décadas.

Guedes criticou ainda proposta apresentada por alguns senadores de tirar o pagamento de precatórios do teto de gastos, ressaltando que, num cenário em que a PEC dos Precatórios não seja aprovada no Senado com o formato já chancelado pelos deputados, aí sim ele se preocupará com a economia em 2022.

"Talvez seja essa a assimetria (das projeções do mercado e do governo para o PIB), porque eu ainda estou esperançoso que nós vamos aprovar as propostas originais. Mas se não aprovarem, então estarei muito preocupado com o crescimento."

O ministro defendeu o desenho da PEC aprovada pela Câmara como um instrumento que dará previsibilidade e exequibilidade ao Orçamento público. De um lado, a PEC estabelece um limite ao pagamento anual de precatórios e, de outro, modifica a regra do teto de gastos. Com isso, a proposta abre um espaço de 91,6 bilhões de reais para gastos no ano que vem.

Guedes voltou a defender, ainda, a alocação de ações de Petrobras, Eletrobras e Correios, para fundo voltado à erradicação da pobreza.

"Se petróleo está subindo ou a taxa de juros está subindo e aí alimentos estão subindo... o "first best" é claro que são políticas sustentáveis para a erradicação da pobreza", disse o ministro.

(Por Marcela Ayres e Victor Borges)

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