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Privatizada, Vibra diz que passou a 'jogar' mais na importação de combustível, diz CFO

·3 minuto de leitura

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - À medida que a Vibra (ex-BR Distribuidora) se tornou uma empresa totalmente privada, passou a atuar mais fortemente na importação de derivados de petróleo como diesel e gasolina, quando as compras externas fazem maior sentido econômico, disse o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia André Natal, em evento online nesta quarta-feira.

"Passamos a jogar o jogo da importação, mas nos estruturamos para fazer o jogo inteligente. Nos momentos melhores, estávamos importando mais", disse ele, durante evento voltado para investidores da companhia.

Agora com maior foco na transição energética, e após a Petrobras ter vendido a sua última participação na maior distribuidora de combustíveis do país ao final de junho, a Vibra tem conseguido que essa estratégia de "sourcing" gere expansão de margens, destacou Natal.

Com o mercado brasileiro total de gasolina e diesel registrando alta de cerca de 10% no acumulado do ano até julho, a participação do produto importado nas vendas da companhia oscilou no primeiro semestre, refletindo a diretriz de compras no exterior nos melhores momentos.

A fatia do importado foi menor na maior parte dos meses em relação ao mesmo período do ano passado, quando o mercado foi severamente afetado pela pandemia.

Em junho, por exemplo, as importações representaram 8,9% das vendas da Vibra, ante 12% no mesmo período do ano passado.

Mas, desde fevereiro, quando atingiu o pico de 22,8%, a participação de derivados importados vem caindo na comparação mensal, com exceção de junho, quando subiu ante maio.

Na comparação anual, maio ainda teve maior fatia de importados (6,7%), exceção que também aconteceu em fevereiro.

Em 2020, a Vibra foi a maior importadora de combustíveis do país, garantindo esse domínio inclusive com a contratação direta de navios para trazer o produto.

Para 2021/22, a empresa quer ampliar o escopo para coque e óleo combustível e lubrificantes importados, enquanto amplia atividades no trading de derivados.

LONGO PRAZO

Se no curto prazo a empresa trabalha para melhorar suas margens de negociações de derivados de petróleo, no longo prazo vê esses combustíveis perdendo sua importância, ainda que devam responder por 30% do consumo em 2040, segundo apresentação do presidente-executivo da Vibra, Wilson Ferreira Jr.

De outro lado, os biocombustíveis deverão ganhar força como principal fonte para o transporte em 2040, com cerca de 50% do consumo, enquanto os veículos elétricos ganharão relevância, representando mais de 30% das vendas e participação de mais de 10% na frota a partir de 2030.

Para isso, a empresa decidiu se posicionar em todos esses setores, destacou Ferreira.

Ele disse também que a Vibra terá atuação crescente em gás natural, considerado importante combustível nesta transição energética. De 20% a 30% da geração de caixa da Vibra (Ebitda, na sigla em inglês) virá de gás e energia elétrica em 2030.

Para os próximos dez anos, a companhia projeta aumento de 30% na receita e de 50% no Ebitda, sendo que pouco menos de um terço dessa geração de caixa virá de novos negócios.

O CEO destacou que cerca de 30% dos investimentos da Vibra serão destinados a novos negócios entre 2021 e 2030 --na última semana, a Vibra anunciou a criação de uma joint venture com a Copersucar para a comercialização de etanol e também um acordo com a ZEG Biogás para desenvolvimento do mercado de biometano.

"De fato, é uma companhia que tem uma nova vibração", brincou o executivo, ao citar a fatia de Capex para novas iniciativas.

Ferreira também disse que a Vibra levará as questões ESG (ambiente, social e governança) a um novo patamar, com iniciativas que preveem emissões líquidas zero até 2025, para os escopos 1 e 2, mesma meta prevista para 2025 no escopo 3.

Para isso, a empresa estima investir entre 5 milhões e 20 milhões de reais ao ano, além de estar comprometida com a política governamental de compras de créditos de descarbonização da matriz de combustíveis (CBios), que demandou 190 milhões de reais em 2020.

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