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Prisão de Queiroz hoje chegou na sala do Palácio da Alvorada, diz deputado

Prisão de Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, aperta o cerco sobre o presidente Jair Bolsonaro (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

Com a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), em Atibaia, interior de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (18), o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) acredita que o processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro na Câmara deve andar. Atualmente, cerca de 40 pedidos de afastamento contra o presidente foram protocolados na Casa.

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Segundo Pimenta, as investigações mostram um “grande esquema criminoso”, em que Queiroz atuava como tesoureiro da família Bolsonaro, o capitão do Bope Adriano Nóbrega era o braço operacional e Jair Bolsonaro e os filhos as faces públicas.

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“A relação do advogado de Bolsonaro no caso, que escondia um investigado em sua casa, leva o presidente para o centro da investigação. Se a operação nesta semana envolvendo bolsonaristas chegou na varanda do Palácio [da Alvorada, residência oficial do presidente], a prisão de hoje chegou na sala”, disse, lembrando que a filha de Queiroz, Nathália, era lotada no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. 

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O MP suspeita que a personal trainer Nathália Queiroz era assessora “fantasma” do então deputado, pois continuava trabalhando no Rio de Janeiro. A investigação aponta que ela repassava parte do salário que recebia na Câmara para o pai, em um esquema de “rachadinha”, semelhante ao praticado no gabinete de Flávio Bolsonaro.

O parlamentar ainda comparou Queiroz a Paulo César Farias, tesoureiro de um esquema de pagamento de propinas do ex-presidente Fernando Collor. O Esquema PC Farias foi a principal causa do impeachment do ex-presidente.

“Não tenho dúvidas de que a prisão de Queiroz elevou a temperatura da crise política e traz elementos que fortalecem os inquéritos no Supremo Tribunal Federal e o pedido de investigação pelo Congresso, sendo que nos dois casos, precisam de autorização da Câmara para investigar o presidente”, afirmou Paulo Pimenta.

Sobre o apoio do Centrão ao governo, o petista minimiza: “É uma base extremamente fisiológica e bipolar. Aceita cargos e verbas, mas publicamente não se assume bolsonarista. Na hora de ficar entre o eleitorado, entre sua base eleitoral e o governo, vão sugar e depois serão os primeiros a votar pelo afastamento”.

Na avaliação do deputado, as investigações devem revelar também a relação da família Bolsonaro com as milícias no Rio de Janeiro.

“A mãe e a mulher do capitão Adriano eram funcionárias do gabinete de Flavio Bolsonaro, a irmã de outros dois milicianos, tesoureira do PSL no Rio [Valdenice Meliga], era também nomeada na Alerj, além das suspeitas de financiamento de imóveis da milícia. Pode ver o mapa de votação da família Bolsonaro em áreas controladas do Rio de Janeiro. Tudo isso mostra que a relação com as milícias faz parte da história política dos Bolsonaros”, citou.

O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) também ressaltou as evidências que ligam a família Bolsonaro às milícias do Rio de Janeiro. Segundo ele, Queiroz era o “cara” do Jair Bolsonaro em áreas de milícia na cidade.

“Queiroz serviu no mesmo batalhão da PM que o matador profissional Adriano da Nóbrega, situado numa área dominada por milícia. Depois de sair da polícia, Queiroz se tornou o cara de Jair Bolsonaro nesses territórios controlados pelo crime organizado”, disse Freixo.

“Bolsonaro se enrola com miliciano, matador profissional, funcionário fantasma, fake news e depois vem dizer que é tudo perseguição da Justiça?”, questionou.

O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, disse, por uma rede social, que encara "com tranquilidade os acontecimentos de hoje" e que "mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro”.

“PICA DO TAMANHO DE UM COMETA”

A prisão de Queiroz deixou o presidente Jair Bolsonaro acuado. Nesta manhã, saiu do Palácio da Alvorada, em Brasília, em um comboio em alta velocidade, sem parar no “cercadinho” para falar com apoiadores, como costuma fazer. Ao chegar ao Planalto, chamou imediatamente o ministro da Justiça, André Mendonça.

A assessores palacianos, Bolsonaro reclamou da atuação do Judiciário, que, segundo ele, faz um cerco jurídico, com o objetivo de tirá-lo do cargo.

O fato de Queiroz estar em uma casa de Frederick Wassef, advogado do presidente, acendeu um alerta. Na quarta-feira Wassef estava no Palácio do Planalto, na cerimônia de posse do ministro das Comunicações. Mas, em princípio, o advogado não cometeu nenhum crime, já que não havia ordem de prisão contra Queiroz e ele não estava foragido. De acordo com juristas, sua participação pode ser enquadrada como obstrução da justiça, dependendo do que seja encontrado na casa.

Mas segundo aliados do presidente, o que mais preocupa é o mandado de prisão contra Márcia Aguiar. Márcia é mulher de Queiroz e está foragida após ter a prisão autorizada por determinação da Justiça.

Fabrício Queiroz teria deixado claro para a família do presidente que poderia assumir toda e qualquer acusação que lhe fosse imputada por eventuais investigações do Ministério Público desde que sua mulher e sua filha Nathália (ex-funcionária do gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara) não sofressem qualquer consequência nos processos das rachadinhas.

Ou seja, se alguma coisa acontecesse com elas, poderia contar tudo o que sabe.

Como disse Queiroz, em um áudio de WhatsApp, vazado pela imprensa: “O MP está preparando uma pica do tamanho de um cometa para empurrar na gente”.

INVESTIGAÇÕES

O mandado de prisão de Queiroz foi expedido pela Justiça do Rio de Janeiro, num desdobramento da investigação que apura esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

No esquema, segundo a investigação, funcionários de Flávio, então deputado estadual, devolviam parte do salário, e o dinheiro era lavado por meio de uma loja de chocolate e através do investimento em imóveis.

Alvo principal da operação do Ministério Público do Rio desta quinta, Fabrício Queiroz tenta explicar desde o fim de 2018 uma “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão, no intervalo de um ano, em suas contas, ponto inicial da investigação do MP que apura a prática de “rachadinha” na Alerj, onde Queiroz trabalhou como assessor do então deputado Fábio Bolsonaro.

Ao decidir pela decretação da prisão preventiva do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, o juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27 Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio justificou a medida no despacho citando, entre outros motivos, que o Ministério Público do Rio (MP-RJ) arrecadou durante as buscas e apreensões mensagens de Márcia Oliveira de Aguiar, mulher de Queiroz. 

Nas mensagens, ela dizia que Queiroz, mesmo escondido, continuava dando ordens para constranger testemunhas. Márcia chegou a comparação-lo a um bandido “que tá preso dando ordens aqui fora, resolvendo tudo”.