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Como prisão de aliado com dólar na cueca pode afetar Bolsonaro?

Matheus Pichonelli
·3 minutos de leitura
Brazil's Federal Deputy Eduardo Bolsonaro reacts next Senator Chico Rodrigues at the Federal Senate in Brasilia, Brazil August 9, 2019. Picture taken August 9, 2019. REUTERS/Adriano Machado
Filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro posa ao lado do senador e (agora ex) líder do governo Chico Rodrigues em 2019. Foto: Adriano Machado/Reuters

É tentador classificar como “puro suco de Brasil” o episódio em que o (agora ex) vice-líder do governo no Senado foi pego pela Polícia Federal com R$ 30 mil na cueca. Tentador e desrespeitoso com boa parte dos brasileiros que leva meses, às vezes mais de ano, para juntar o que Chico Rodrigues (DEM-RR), alvo da operação em Boa Vista (RR), juntou na mesma indumentária íntima.

O caso rendeu comentários, trends e memes de todo tipo. O melhor foi o de um amigo relacionando o episódio aos recordes de captação da poupança anunciados pelo Banco Central.

Noves fora as brincadeiras, do mais compreensíveis, a operação revela, isso sim, os meandros do círculos de amizades e alianças de um governo que outro dia mesmo anunciou o fim da corrupção e a consequente aposentadoria da Lava Jato por tempo de serviço. Jair Bolsonaro tropeçou na própria língua.

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Pelas redes, circula como rastilho de pólvora o vídeo antigo em que o agora presidente classifica a relação com o aliado agora investigado como “uma união estável”.

Bolsonaro e Rodrigues marcharam juntos no Congresso quando eram deputados federais. No vídeo, Rodrigues se gaba dos 20 anos de amizade com o colega e elogia a sua trajetória, marcada, segundo ele, pelo patriotismo, pela luta em defesa do Brasil, dos princípios e dos valores da família.

Faltou citar os valores guardados na própria cueca.

O hoje senador diz ainda que Bolsonaro absorveu “todo esse sentimento do brasileiro de uma retomada da moralidade, de práticas republicanas, para que possamos dar exemplo para essa juventude que será o futuro do nosso país”.

Pensando em seu futuro político com os pés na boia da sobrevivência, Bolsonaro não vai pensou duas vezes antes de rifar, por meio de uma exoneração publicada em edição extra do Diário Oficial, o amigo com quem manteve união estável por 20 anos e com quem almoçou na semana passada e selou apoio com verbas federais para obras do Linhão do Tucuruí, que levaria energia elétrica à capital de Roraima.

O vice-líder do governo no Senado é investigado por supostos desvios de emendas parlamentares destinadas ao combate da covid-19. Será mandado agora, provavelmente, para a mesma geladeira de Fabricio Queiroz.

O governo Bolsonaro, até aqui, é um apanhado de amigos metidos em encrencas e abandonados na estrada. Nem todos, é verdade. O ministro do Turismo acusado de usar candidatas laranjas na última campanha, por exemplo, segue despreocupado no posto.

Embora não atinja diretamente o governo, e sim uma ponte do governo com o Congresso, a confissão involuntária encontrada sob a peça íntima de um aliado é um golpe simbólico em um governo ancorado na conversa de combate à corrupção e que atribui a estados e municípios a responsabilidade pela tragédia na pandemia.

Fica difícil, para Bolsonaro, lavar as mãos quando paira no imaginário popular as gotas de sabedoria do velho ditado: diga-me com quem andas…

Neste caso, vale perguntar também quem escolhes e onde guardas os valores patrióticos.

Ainda assim, o presidente correu para se afastar do senador. Disse que não tem nada com isso e culpou a imprensa, sempre ela, por tentar associá-lo ao episódio.

Esperto, Bolsonaro preferiu elogiar o trabalho da polícia, da qual se diz orgulhoso.

A estratégia é dizer que, diferentemente de outros governos, não tem bandido de estimação nem atua para proteger investigados. A reunião de 22 de abril que o diga.

Em 2005, um assessor do deputado estadual José Guimarães (PT-CE) foi preso no aeroporto de Congonhas com US$ 100 mil na cueca e R$ 209 mil em uma maleta. Filiado ao PT, o assessor do parlamentar tinha tanta influência no governo federal quanto os agentes do aeroporto, mas nunca mais o partido conseguiu se livrar do estrago causada pelo episódio dos “dólares na cueca” em sua imagem.

Em 2020, a história se repete. Com ares de comédia, fundados numa velha tragédia.