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Prisão de Queiroz e projeção de novo corte na Selic pressionam dólar

ISABELA BOLZANI
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A prisão do ex-assessor de Flávio Bolsonaro e a sinalização do Banco Central de novos cortes na Selic levaram o dólar à sétima alta consecutiva. A moeda valorizou 2,13% ante o real nesta quinta-feira (18), cotado a R$ 5,37, no maior patamar desde 1º de junho, quando atingiu R$ 5,3843.

A moeda brasileira teve o pior desempenho entre as divisas globais.

Esta quinta foi marcado pelo noticiário político, com a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), logo pela manhã, em Atibaia, no interior de São Paulo, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado.

Além disso, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, também anunciou nesta quinta-feira, em vídeo ao lado do presidente Jair Bolsonaro, que está deixando o Ministério da Educação e que irá assumir uma diretoria do Banco Mundial.

"A 'fresta na porta' deixada pelo Copom [Comitê de Política Monetária] ajudou impulsionar o dólar. Além disso, tivemos o aumento da tensão política com a prisão de Queiroz, fator que pode atrapalhar na construção da articulação política do governo. Tivemos também a saída de Weintraub, mas o fato já era esperado", disse o analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro.

Na quarta-feira, o Copom, do Banco Central, decidiu por cortar a Selic em 0,75 ponto percentual, para a nova mínima histórica de 2,25% ao ano. Com a redução da Selic, investidores estrangeiros enxergam menos atratividade em rendimentos locais atrelados à taxa básica de juros - situação que afeta o fluxo de recursos para o Brasil e, consequentemente, o mercado de câmbio.

A alta do dólar também teve influência da força da moeda no exterior, com aversão ao risco crescente ante o receio de que uma nova onda de coronavírus possa atingir economias centrais no mundo.

No final de semana passado, novos casos foram registrados em Pequim, na China, o que levou as autoridades daquele país a fecharem escolas e imporem restrições de viagem. O aumento do contágio também foi visto ao redor dos Estados Unidos.

Segundo a analista de ações da Spiti Corretora Cristiane Fensterseifer, o recuo nos juros também acabou falando mais alto no mercado acionário local.

"Mesmo com o noticiário político movimentado, a bolsa subiu. Fala mais alto para o investidor neste momento a queda de juros para apenas 2,25% e mais, a possibilidade de quedas adicionais para até 2%", afirmou.

O Ibovespa, principal índice acionário do país, encerrou o pregão desta quinta-feira com alta de 0,60%, aos 96.125 pontos, na contramão da maioria dos mercados internacionais.

Entre os principais motivos para a alta do índice estiveram os papéis de Itaú Unibanco -que subiram 3,54% com os investidores esperando bons resultados advindos da XP- e Petrobras, com altas de 0,69% nas ações preferenciais (sem direito a voto) e 1,57% nas ordinárias (com direito a voto), refletindo os preços do petróleo no exterior. Ambos os papéis possuem forte participação no índice.

O petróleo tipo Brent, referência mundial de preços, registrou alta de 1,89%, para US$ 41,48.

No exterior, a aversão ao risco ditou o tom volátil nas Bolsas. O índice S&P terminou com alta de 0,06% e o Dow Jones caiu 0,15%. Na Europa, o Euro Stoxx teve recuo de 0,53%.