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Principais economias da Eurozona têm contração no primeiro trimestre

Aldo GAMBOA
·3 minuto de leitura
(Arquivo) Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt

Os principais países europeus registraram contração de suas economias no primeiro trimestre do ano, ainda sob o impacto das medidas adotadas para frear a pandemia de coronavírus.

A agência europeia de estatísticas Eurostat informou na sexta-feira que a Eurozona fechou o primeiro trimestre com retrocesso de 0,6%, após uma contração de 0,7% nos últimos três meses de 2020.

O resultado do primeiro trimestre de 2021, no entanto, é promissor quando comparado com o segundo trimestre de 2020, período em que o Produto Interno Bruto (PIB) desabou 11,6% sob o peso da pandemia.

Os números contrastam com as previsões já anunciadas nos Estados Unidos e China, com franca recuperação. Pequim, por exemplo, registrou no primeiro trimestre uma impressionante recuperação em ritmo anual de 18,3%.

Vários países europeus anunciaram as próprias estimativas de desempenho econômico para os primeiros trimestres do ano, com retrocessos importantes.

A Alemanha, maior economia da União Europeia (UE), registrou uma queda importante de 1,7%, com um índice em ritmo anual negativo em -3%.

"A crise do coronavírus provocou uma nova queda no início do ano, após dois trimestres de alta", afirmou o instituto nacional de estatísticas Destatis.

Com a mesma tendência, o PIB da Espanha - quarta maior economia da Eurozona - registrou contração de 0,5% nos primeiros três meses do ano, mas o governo revisou em alta sua expectativa de desempenho econômico para o ano de 2021.

No início do ano, a economia espanhola foi afetada por novas restrições impostas para lutar contra a nova onda de contágios detectada após as festas de Natal, que afetaram especialmente setores como turismo e restaurantes.

A Itália teve contração de 0,4% no primeiro trimestre, anunciou o Instituto Nacional de Estatísticas (Istat).

Em ritmo anual, a queda do PIB italiano alcançou 1,4%, muito menos que no quarto trimestre de 2020 (-6,6%).

Assim com a a Espanha, a Itália aposta em um crescimento de 4,5% em 2021 - incluindo o efeito das medidas de estímulo econômica adotadas pelo governo de Mario Draghi - e de 4,8% em 2022.

Lituânia (+1,8%), Bélgica (+0,6%) e França (+0,4%) registraram crescimento no início do ano.

Andrew Cunningham, economista chefe para a Europa na Capital Economics, afirmou que o resultado do primeiro trimestre "significa que a região sofreu uma segunda recessão técnica em pouco mais de um ano, já que o PIB teve contração em quatro dos último cinco trimestres".

Mas ele destaca que "as coisas devem melhorar até o fim do segundo trimestre, pois os programas de vacinação permitirão que os governos suspendam as restrições, possivelmente pela última vez".

- Inflação -

Ao mesmo tempo, a Eurostat calculou que o índice de inflação em ritmo anual da zona do euro voltou a subir em abril, a 1,6%, aproximando-se da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE).

Depois de cinco meses consecutivos de números negativos em 2020, provocados pela drástica queda de demanda e consumo, a inflação atingiu 0,9% em janeiro e fevereiro, e 1,3% em março.

A taxa de desemprego da Eurozona registrou leve queda em março na comparação com fevereiro, a 8,1%, mas aumentou um ponto em ritmo anual por efeito da pandemia, também de acordo com a Eurostat.

O índice de desemprego foi de 8,2% em fevereiro e de 7,1% em março de 2020, destacou a Eurostat em um comunicado.

Eurozona é o espaço compartilhado pelos 19 países da UE que adotaram o euro como sua moeda, com a política monetária administrada pelo BCE.

Andorra, Mônaco, San Marino e a Cidade do Vaticano adotaram o euro como divisa com base em acordos específicos com a UE, mas não são membros do bloco nem integram a Eurorona.

ahg/mar/fp