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Primo de Bolsonaro, Marcos tem campanha 'abandonada' e até com santinhos errados do PSL em Jaboticabal

Redação Notícias
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Primo distante do presidente Jair Bolsonaro, Marcos Bolsonaro (PSL) é candidato à Prefeitura de Jaboticabal. (Foto: Reprodução/Facebook/Marcos Bolsonaro)
Primo distante do presidente Jair Bolsonaro, Marcos Bolsonaro (PSL) é candidato à Prefeitura de Jaboticabal. (Foto: Reprodução/Facebook/Marcos Bolsonaro)

Sem dinheiro para pagar gastos de campanha, sem a presença do parente famoso na campanha e até mesmo sem santinho para distribuir aos eleitores. Assim pode ser resumida a campanha de Marcos Bolsonaro (PSL) à Prefeitura de Jaboticabal (a 342 km de São Paulo).

Em sua estreia na política, Bolsonaro, primo distante do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), adotou a mesma tática usada pelo familiar na eleição de 2018: escalou um militar para ser seu vice e adotou uma pauta anticorrupção.

Contava com o apoio, de alguma forma, do presidente da República, mas conseguiu apenas o do seu irmão, o comerciante Renato Bolsonaro, a duas semanas para a eleição.

Foi no mesmo período em que o diretório local do PSL recebeu 55 mil santinhos de dois modelos para serem distribuídos aos eleitores, após semanas de reclamação à cúpula estadual.

Até então, a campanha de rua era feita prioritariamente quando candidatos a vereador levavam seus impressos próprios, que tinham os seus nomes e os de Bolsonaro e seu vice, Coronel Artioli (PSL).

Mas o material recebido, que incluía adesivos, sequer deixou o comitê do partido em Jaboticabal. Os adesivos e os dois modelos de santinhos tinham erros no nome do vice. Nos adesivos, em vez de Coronel Artioli estava escrito Cororel Artioli.

Já nos papéis, de um lado os nomes estavam corretos, mas nos versos em um estava escrito Coronel Lucena e, em outro, Mario da Fonseca.

Partido errou o nome do vice de Marcos Bolsonaro na impressão dos santinhos. (Foto: Reprodução/Facebook/Marcos Bolsonaro)
Partido errou o nome do vice de Marcos Bolsonaro na impressão dos santinhos. (Foto: Reprodução/Facebook/Marcos Bolsonaro)

"Atrapalhou não só a nossa [campanha], acho que da regional inteira [do partido]. Tem cidades circunvizinhas que estão com esse mesmo problema, infelizmente", disse Marcelo Peres, coordenador da campanha de Bolsonaro em Jaboticabal.

De acordo com ele, quando o material chegou a expectativa era de acelerar a campanha na rua, mas isso não ocorreu.

"O processo com o PSL ao longo desse período, confesso a você, para nós de Jaboticabal, até um determinado ponto não foi ruim. Porém, quando chegou-se à questão da responsabilidade mesmo, da parte de material, faltou comunicação, faltou diálogo. A gente ligava, não atendia. Mandava whatsapp e demorava dois, três dias, até uma semana para responder."

Agora, passada a campanha, o diretório vai entrar em contato com o partido na capital para saber se aceitarão os impressos de volta ou qual procedimento deve ser adotado.

Outro problema se refere aos gastos de campanha. Bolsonaro é o único dos cinco candidatos à prefeitura que não declarou recursos recebidos na campanha.

A soma dos valores declarados pelos outros quatro candidatos chega a R$ 407 mil, dos quais R$ 163,7 mil da campanha de Professor Emerson (Patriota). Vitorio de Simoni (MDB) lançou receita de R$ 123,5 mil, seguido por Baccarin (PT), com R$ 61,6 mil, e Professor João (DEM), com R$ 58,5 mil.

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"Vamos sair devendo uns R$ 20 mil, é o que estamos calculando. A gente vai dar um jeito, mas faltou apoio", disse Bolsonaro.

O partido, que não tem coligação com nenhuma outra legenda, lançou 20 candidatos à Câmara de Jaboticabal, terceira maior cidade da região administrativa de Ribeirão Preto e que tem cobertura integral da Folha nas eleições deste ano.

Artioli disse que, sem os santinhos, o partido buscou explorar redes sociais na campanha para suprir o deficit de materiais.

Conhecida como Athenas Paulista, mas também já chamada de Cidade das Rosas e de Cidade da Música, Jaboticabal tem cobertura completa da Folha durante as eleições municipais deste ano. Uma campanha parelha, problemas estruturais e a atuação restrita da imprensa profissional são alguns dos ingredientes que tornam interessante a cobertura jornalística nessa cidade de 77 mil habitantes.

Jaboticabal, ao contrário do que já ocorre em outras localidades menores, não tem uma TV (comunitária ou educativa) para a transmissão do horário eleitoral gratuito, o que faz com que a campanha seja diferente das disputas dos grandes centros.

Os candidatos, e a própria dinâmica local, são acompanhados diariamente pelo jornal, assim como ocorre nas eleições em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Além dos ingredientes políticos colocados na disputa deste ano, Jaboticabal foi escolhida pela Folha por ser uma cidade com forte peso educacional, com quatro universidades ou centros universitários, e também se destacar economicamente na agricultura e nas indústrias de alimentação e cerâmica.

da Folhapress