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Primeiros continentes da Terra teriam afundaram no manto antes de subir

Cientistas analisaram crátons, rochas antigas e estáveis no centro dos continentes, para revelar segredos da formação continental da Terra. De acordo com análises e simulações, essas formações geológicas afundaram no manto antes de voltar a boiar e se reciclar até chegar onde estão hoje. O estudo é de grande importância para entender como o planeta se formou e se adequou à vida.

Os crátons fazem parte da litosfera, que inclui o manto e a crosta, e sobreviveram a mudanças continentais ao longo de vários éons, guardando muito da história geológica da Terra, com estimados 4,5 bilhões de anos. Por si só, os crátons têm mais de 3 bilhões de anos, se formando no início de tudo. A recente pesquisa sobre esses elementos foi publicada na revista científica PNAS.

A formação da Terra, há bilhões de anos, continua misteriosa, mas crátons explicam parte da formação da litosfera, ao menos (Imagem: ETH Zurich)
A formação da Terra, há bilhões de anos, continua misteriosa, mas crátons explicam parte da formação da litosfera, ao menos (Imagem: ETH Zurich)

Estudando a geologia dos crátons

A questão é que não sabemos exatamente como os continentes se formaram — e não há nada como eles nos outros planetas do sistema solar, então há de haver uma série de circunstâncias necessárias para poderem surgir. Diversas linhas de evidência indicam que os continentes podem ter se formado de dentro para fora, ao redor de centros cratônicos. Já a formação dos crátons é alvo de muito debate.

Até o momento, conhecemos 35 crátons: eles são flutuantes e rígidos comparados com outras regiões da litosfera, o que lhes dá estabilidade. O que os compõe, no entanto, é bem diferente, misturando inúmeros minerais de idades, origens e composições. Algumas pesquisas já apontavam que essa diversidade vem de uma reciclagem e retrabalho de materiais geológicos.

Modelos computacionais auxiliaram os cientistas, cujo estudo foi liderado pelo geólogo Fabio Capitanio, a simular a evolução da Terra nos seus primeiros bilhões de anos, buscando entender as mudanças químicas e térmicas do manto litosférico cratônico. Também foram feitas simulações teste para checar quão sensível era o modelo computacional a diferentes parâmetros, ou dados alimentados pela equipe.

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O "escudo canadense" é um dos crátons conhecidos, e que, segundo a pesquisa, se formou misturando minérios no fundo da litosfera (Imagem: Chris Light/CC-BY-S.A-4.0)

Resultados e implicações

De acordo com os resultados, os primeiros blocos continentais do planeta eram instáveis e afundaram no manto, onde foram derretidos e misturados aos materiais já presentes. Alguns pedaços, no entanto, podem ficar no fundo por muito tempo antes de voltar a boiar, formando camadas na litosfera e a conferindo flutuabilidade e rigidez.

Isso também pode explicar a heterogeneidade dos crátons, já que a presença de rochas antigas no manto permite a mistura de minerais antigos com outros mais novos e de outros lugares. Alguns pedaços podem, até, ainda estar no fundo da litosfera. A equipe chamou o fenômeno de Relaminação Regional Massiva (MRR, da sigla em inglês).

A precisão das simulações indica que esse processo pode ter sido um elemento chave da formação continental da Terra no início dos seus bilhões de anos. Além de nos ajudar a entender mais sobre o surgimento e permanência da vida em nosso planeta, a pesquisa também pode ajudar na busca de outros planetas habitáveis fora do sistema solar. A formação e mudança da atmosfera tem grande relação com as atividades tectônicas do mundo.

Fonte: Canaltech

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