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Primeiro e-mail era enviado há 50 anos; conheça a história do correio eletrônico

·8 min de leitura

O e-mail celebra, neste mês de outubro, o seu aniversário de 50 anos de existência. No ano de 1971, o programador da Arpanet Raymond Tomlinson trabalhava em um sistema de mensagens que possibilitaria a comunicação com outras pessoas. Naquela época, a Arpanet era uma rede limitada a alguns poucos computadores e puramente restrita ao meio acadêmico, sem pretensão comercial.

O sistema desenvolvido por Tomlinson permitiu enviar uma mensagem a três metros de distância de um computador seu para outro na mesma sala. Quando conseguiu fazer isso funcionar, pode finalmente mandar um conjunto de termos que mudaria a história: QWERTYUIOP — também conhecido como todas as teclas da linha superior de um teclado.

Curiosamente, a invenção do e-mail não era parte do trabalho do desenvolvedor, pois ele fazia isso nas suas horas vagas. Tudo não passava de um experimento para tentar trocar mensagens entre máquinas — aliás, o conceito de envio de mensagens entre pessoas só surgiu muitos anos demais. Até então, só era possível enviar recados para outros usuários no mesmo computador ou para caixas de correio numeradas, nas quais as mensagens eletrônicas precisavam ser impressas.

Naquela época, existiam as telefonistas para concluir ligações e as secretárias eletrônicas para gravar os recados, então ninguém ainda imaginava um conceito de enviar uma mensagem que poderia ser lida por outra pessoa quando ela quisesse. Ademais, no começo, enviar e receber e-mails era uma tarefa para poucos: além de computador ser um luxo, o processo de configuração era complexo e não havia aplicações para gerenciar caixa de entrada/saída ou formatar as mensagens.

Por que e-mails usam arroba?

Tomlinson não sabia como fazer para identificar o local correto para onde enviaria a mensagem, foi quando teve a ideia de usar a arroba (@) para separar o usuário do host, ou seja, do endereço virtual para o qual o envio ocorreria. Por mais que o formato tenha mudado, o esquema “usuário@host” continua como o padrão usado até os dias atuais — foi dele também a ideia dos campos “De”, “Para” e “Assunto”.

Ele inventou o uso da arroba e dos campos básicos de identificação do e-mail (Imagem: Reprodução/Wikimidia)
Ele inventou o uso da arroba e dos campos básicos de identificação do e-mail (Imagem: Reprodução/Wikimidia)

Pela descoberta, Ray Tomlinson foi incluído no Hall da Fama da Internet em 2012, e seu trabalho está classificado em quarto lugar no ranking dos 150 melhores no MIT. Ele faleceu em março de 2016, aos 74 anos, vítima de um ataque cardíaco.

O primeiro spam da história

Como todo marinheiro de primeira viagem, o "pai do e-mail" ainda não sabia muito bem o que faria com a sua descoberta, mas já imaginava que proporcionaria uma comunicação mais eficaz. De acordo com o Guinness Book, o primeiro e-mail não solicitado foi enviado em maio de 1978 para 397 destinatários e anunciava a próxima demonstração de um produto de computadores (sim, o spam é quase tão antigo quanto o próprio e-mail).

SMTP: o protocolo de transferência de e-mails

O Simple Mail Transfer Protocol (SMTP), usado para enviar e-mails para servidores de distribuição, foi criado pela primeira vez em 1981, mas desde então foi atualizado e estendido várias vezes para permitir a introdução de autenticação, criptografia e outras atualizações. É justamente por isso que você precisa digitar login e senha para acessar o conteúdo — antes, se alguém acessasse o servidor conseguiria ler absolutamente tudo.

Os protocolos de e-mail evoluíram ao longo dos anos, mesmo que muita gente não tenha notado (Imagem: Reprodução/Pixabay)
Os protocolos de e-mail evoluíram ao longo dos anos, mesmo que muita gente não tenha notado (Imagem: Reprodução/Pixabay)

Primeiro e-mail enviado do espaço

Em 1991, o primeiro e-mail foi enviado do espaço por astronautas no ônibus espacial Atlantis, da NASA. Essa mensagem começou com “Hello Earth!” e foi entregue ao Controle da Missão no Centro Espacial Johnson, nos Estados Unidos. Foi aí que os tecnólogos tiveram a certeza do quão importante foi a invenção dessa plataforma de comunicação para a humanidade.

Anexos e protocolos

Embora nem sempre fosse visível a olho nu, a tecnologia por trás do envio e recebimento de e-mails evoluiu absurdamente nestes 50 anos. A capacidade de anexar arquivos, por exemplo, só foi implementada após a chegada do Multipurpose Internet Mail Extensions (MIME), em 1992. O Internet Message Access Protocol (IMAP) e o Post Office Protocol (POP) foram criados para serem padrões responsáveis por recuperar os e-mails de servidores, mas passaram por várias mudanças para serem mais rápidos e seguros na execução.

Outro exemplo foi com a chegada dos smartphones, que possibilitaram o acesso instantâneo e contínuo ao serviço, o que também elevou bastante a proliferação de tentativas de golpe e técnicas de phishing para enganar usuários. Para combater os criminosos, os protocolos de e-mail ser aprimorados para trazer mecanismos de segurança.

A evolução para o webmail

Um dos maiores empecilhos no uso dos tradicionais gerenciadores de e-mail era o servidor de recebimento das mensagens. Caso o seu correio eletrônico estivesse configurado em um desktop, você não poderia acessá-lo de nenhum outro local, o que limitava bastante o serviço. Foi aí que se pensou no envio de recebimento de forma mais ampla, com o auxílio da internet e possibilidade de acesso de qualquer lugar.

O primeiro serviço comercial de e-mail foi o MCI Mail, lançado em 1983, mas foi a década de 1990 que trouxe nomes memoráveis do setor, como AOL Mail, Hotmail (agora Outlook), Mail.com e Yahoo! Mail. Aqui no Brasil, o Universo Online (UOL), o Brasil Online (BOL), o IG e o Zipmail, entre outros provedores, são destaques do pontapé inicial do correio eletrônico nessa parte do mundo.

O gerenciador de e-mails da AOL era um dos mais populares em 1998, mas não permitia enviar nada além de texto (Imagem: Reprodução/Product Placement Blog)
O gerenciador de e-mails da AOL era um dos mais populares em 1998, mas não permitia enviar nada além de texto (Imagem: Reprodução/Product Placement Blog)

No começo do webmail, os sites apenas ofereciam o acesso às mensagens eletrônicas pelo navegador. Embora fosse um baita avanço, ainda havia muitos problemas no modelo, em especial no tocante aos conteúdos indesejados. Àquela altura, os profissionais de comunicação já tinham percebido o correio eletrônico como uma forma bastante peculiar e promissora de divulgar produtos ou serviços.

As caixas de entrada ficavam lotadas de e-mails sobre assuntos diversos: promessas de produtos para aumento do tamanho do pênis, parabenização pela vitória em sorteios nos quais você nunca se inscreveu, correntes com mensagens perturbadoras ou sem sentido, esquemas financeiros, doação de milhões de dólares por príncipes nigerianos, fotos de gatinhos ou mulheres nuas, e, obviamente, links para fóruns sobre praticamente tudo.

Com o passar do tempo, as empresas começaram a entupir a caixa de entrada dos e-mails (Imagem: master1305/Freepik)
Com o passar do tempo, as empresas começaram a entupir a caixa de entrada dos e-mails (Imagem: master1305/Freepik)

Foi assim que os webmails começaram a criar filtros para barrar e-mails indesejados, primeiramente com a necessidade de o usuário definir o que deveria ou não ser descartado, e depois com filtros de domínios e palavras-chave. Essa foi, sem dúvidas, uma das maiores conquistas desde a popularização do e-mail como ferramenta ampla de comunicação.

Nascimento do Gmail

Quem usava o e-mail para fins profissionais ficava desesperado com o volume de lixo que chegava em seu endereço, o que fazia com que mensagens importantes se perdessem e conteúdos legítimos fossem direto para a lixeira. Quase 30 anos após o envio do primeiro e-mail, o engenheiro do Google Paul Buchheit, angustiado com toda essa bagunça, conduziu seus próprios experimentos e criou o Gmail.

Buchheit criou o email do Google como um programa baseado em navegador que permitia aos usuários pesquisar facilmente suas próprias mensagens. O sistema se destacou pela interface mais bonita e simples de usar do que a maioria dos webmails da época, além de contar com um efetivo filtro anti-spam e espaço de sobra em comparação com seus rivais.

O Gmail foi um divisor de águas na história do e-mail (Imagem: Reprodução/Google)
O Gmail foi um divisor de águas na história do e-mail (Imagem: Reprodução/Google)

O Gmail foi lançado ao público em 1º de abril de 2004 — sim, no dia da mentira, o que fez com que muita gente desacreditasse — e tinha uma função bastante rápida de pesquisa por termos e ofertava 1 GB de armazenamento, espaço 500 vezes maior do que o Hotmail na mesma época, por exemplo — sim, o e-mail da Microsoft oferecia ridículos 2 MB de espaço para seus usuários.

Logo caiu no gosto do público e todos os rivais precisaram correr atrás para superá-lo em funções e em total de usuários, o que até hoje não ocorreu. Segundo dados da Statista, o Gmail na web detém 35,5% do mercado global de usuários, seguido pelo iOS Mail com 33% e pelo macOS Mail com 10%. Outlook e Yahoo completam o TOP 5 com, respectivamente, 5,9% e 2,7%.

E o futuro?

Hoje, estima-se que sejam enviados e recebidos cerca de 319,6 bilhões de e-mails todos os dias, número que deve passar de 375 bilhões até 2025. O lançamento de várias ferramentas de comunicação instantâneas e mais completas, bem como as redes sociais, não foram capazes de frear o crescimento no uso do correio eletrônico, e provavelmente isso nunca ocorrerá.

Poucas empresas modernas se aventuram a lançar serviços próprios de e-mail porque são caros para manter e não trazem retorno financeiro direto, afinal não é um hábito da maioria das pessoas pagar para ter acesso nos dias atuais. Os poucos players, então, buscam usar o sistema como um trampolim para seus outros serviços e mercado empresarial: a Microsoft com o Outlook, o Google com o Workplace, a Apple com o iCloud, a Amazon com a AWS e assim por diante.

A maioria dos serviços de e-mail hoje são gratuitos e atrelados a outros serviços (Imagem: Reprodução/Microsoft)
A maioria dos serviços de e-mail hoje são gratuitos e atrelados a outros serviços (Imagem: Reprodução/Microsoft)

O fato é que o modelo do e-mail possui imperfeições, mas isso nunca afastou as pessoas. É difícil imaginar hoje um eventual substituto, inclusive por causa do volume incomparável de mensagens existentes (o que seria feito delas?). Acabar com o e-mail seria como limpar uma parte importante da história mundial e, por enquanto, não há nada que consiga o substituir com tamanha efetividade.

Fonte: Canaltech

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