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Primeira vacinada na Bahia pega Covid-19 antes de tomar 2ª dose do imunizante: 'Respeitar janela imunológica'

Redação Notícias
·3 minuto de leitura
A worker shows a vial of the AstraZeneca vaccine for COVID-19 produced by the Fiocruz Foundation in Rio de Janeiro, Brazil, Friday, Feb. 12, 2021. (AP Photo/Bruna Prado)
"É importante que, mesmo as pessoas vacinadas, mantenham as medidas de proteção, de distanciamento e uso de máscara, até que a gente tenha 60 a 70% da população vacinada" (Foto: AP Photo/Bruna Prado)

A enfermeira Maria Angélica de Carvalho Sobrinho, de 53 anos, segue internada em Salvador, na Bahia, desde a manhã desta terça-feira (23) com coronavírus. Ela, que foi a primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 na estado, contraiu a doença antes de tomar a segunda dose do imunizante. O quadro clínico dela é considerado estável.

A médica infectologista Ceuci Nunes, que é diretora geral do Instituto Couto Maia, onde Maria Angélica está internada, explicou ao G1 que a enfermeira pegou a doença após a primeira dose, mas antes da segunda dose.

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“Ela ia tomar a segunda dose no dia 16 e, entre 12 e13, começou a sentir um mal estar. Ela está bem, está usando pouco oxigênio, mas quando se movimenta fica um pouquinho desconfortável, por isso ela está sendo mantida ainda no hospital", explicou Ceuci.

A médica ressaltou a importância das pessoas vacinadas com a primeira dose do imunizante respeitarem a chamada “janela imununológica”, que é que é o período que o organismo leva para produzir os anticorpos do imunizante.

"Não é à toa que a vacina são duas doses. Todas as vacinas, até o momento, a exigência é de duas doses. Exatamente porque na segunda dose se faz um reforço, aumenta a proteção. Claro que algumas pessoas já vão ter a proteção após a primeira dose, mas essa proteção pode não ser suficiente e a segunda dose é necessária".

Ao jornal, Ceuci chamou ainda a atenção para o fato de que, mesmo vacinada, a pessoa pode propagar a infecção, porque os estudos sobre a não transmissão do vírus após a vacina ainda não foram concluídos.

"Geralmente [a janela imunológica é de] no mínimo 15 dias. Para a vacina de Covid, a gente está falando de 20 dias depois da segunda dose, para você considerar que tem proteção. Mas é importante também a gente reafirmar que a gente não sabe se a vacina protege da infecção. Mesmo a pessoa vacinada, ela pode adquirir o vírus, não adoecer e transmitir. Isso é uma possibilidade que ainda não foi completamente afastada", disse.

Por fim, ela mandou um recado aos vacinados com a primeira dose: "É importante que, mesmo as pessoas vacinadas, mantenham as medidas de proteção, de distanciamento e uso de máscara, até que a gente tenha 60 a 70% da população vacinada".

Não há ainda vacina 100% eficaz

Embora casos como o de Maria Agélica não sejam recorrentes, ainda não há vacina 100% eficaz contra o covonavírus. Por este motivo, de acordo com especialistas, é possível ser infectado com Covid-19 mesmo após receber o imunizante — assim como acontece com a gripe, por exemplo.

Neste sentido, a vacinação em massa é a única forma de conter a pandemia e evitar o aparecimento de variantes mais perigosas da Covid-19.

O imunizante tomado pela enfermeira Maria Angélica foi CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e que é fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan. Essa vacina tem eficácia geral de 50,38%, o que significa que o risco de pegar Covid-19 foi reduzido em 50%.

Ou seja, a CoronaVac é capz de reduzir pela metade (50,38%) os novos registros de contaminação em uma população vacinada; reduzir a maioria (78%) dos casos leves que exigem algum cuidado médico.

Além disso, nenhum dos vacinados ficou em estado grave, foi internado ou morreu.